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Carta ao Leitor

A inépcia dos governantes, o cinismo dos tecnocratas e a resposta à pergunta 'quem são os verdadeiros negacionistas?'

É necessário um esforço laborioso para alcançar tamanha incompetência. Não se obtêm acidentalmente resultados tão catastróficos. Como diz o presidente do Insper, o economista Marcos Lisboa, “o Brasil se esforça para que as coisas deem errado”. Nesse sentido, as várias esferas de governo têm se empenhado para demonstrar diferentes níveis de inépcia na gestão da pandemia. Uma vez exposta a própria incapacidade, os tecnocratas agora recorrem ao cinismo explícito: culpam o povo. Na argumentação torpe que elaboram, é como se a população não estivesse à altura do governo que tem. Diz J. R. Guzzo, a respeito das declarações do chefe do Centro de Contingência do Estado de São Paulo: “É um despropósito: como uma autoridade pública vem culpar as vítimas pelas mortes que a pandemia causou? Como os cidadãos podem ser ameaçados em função de algo que não fizeram?”.

Ante o recorde de mortos por covid-19, o fetiche pelo lockdown impera entre a intelligentsia. O escritor Guilherme Fiuza identifica uma espécie de hipnose em torno do movimento “Fique em casa”. Fiuza alerta: “Se uma grande parte da sociedade está disposta a linchar moralmente um vizinho ou um irmão que não se sujeite a qualquer boçalidade apresentada como segurança sanitária, o caminho está livre para o autoritarismo envergonhado sair do armário.”

Entre os atores que participam do debate público, que grupo realmente é composto de negacionistas? Augusto Nunes esclarece a questão: “Eles acordam declarando amor à democracia e dormem declamando poemas que exaltam a liberdade. Mas negam o convívio dos contrários, não admitem opiniões divergentes e qualificam de fascistas todos os que discordam do Evangelho segundo Lula.”

Para traçar um panorama do quadro nacional neste momento crítico, a Revista Oeste designou a editora Paula Leal. Desde o início da pandemia, Paula analisa diligentemente os mais diversos dados, estudos e pesquisas sobre coronavírus. Toda semana, entrevista médicos e cientistas. O resultado de sua apuração está na reportagem de capa desta Edição 52.

Não faltam razões para críticas severas a líderes democraticamente eleitos. E é natural que sejam observadas manifestações de desapreço à democracia. Em todo caso, “a pior forma de governo, com exceção de todas as demais” — para relembrar a frase célebre de Winston Churchill —, às vezes dá sinais de vitalidade. Na pequena República de El Salvador, o presidente está conduzindo uma notável virada liberal. O jovem Nayib Bukele faz a criminalidade despencar, goza de aprovação popular sem precedentes e abre o país para o mercado global. O jornalista Dagomir Marquezi traça o perfil de Bukele, um presidente com cara de rapper.

Uma guinada liberal para valer no Brasil implicaria a discussão de um tema que, infelizmente, ainda não está na pauta nacional: a função das agências reguladoras. Elas precisam mesmo existir? Decano da Escola Austríaca de Economia no Brasil, o professor Ubiratan Jorge Iorio não tem dúvidas: há bons motivos para defender a extinção das agências.

A Revista Oeste sempre proporá debates que possam contribuir para o avanço do país.

Boa leitura.

Os Editores.

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4 comentários

  1. Nem precisa dizer o nome desse chefe do Centro de Contingência do Estado de São Paulo.
    Já basta saber o sobrenome Coutinho da Majú!!!
    O vigarismo assola a população brasileira, depois de tantos bandidos soltos.
    Diga aí Lula? Se você não estiver de acordo, borracha no seu lombo, pois o que você precisa é de coro, e com mão nos furos da correia.

  2. Ainda bem que temos jornalistas de verdade na Revista Oeste. Já não aguentava mais ver televisão e ver o obituário da Globo, CNN e até da Band. Estão de parabéns .

  3. O problema não é a existência ou não de Agências Reguladoras; o problema é na quantidade delas e em suas serventias. Estão mais parecendo sindicatos e cabide de emprego do que outra coisa.

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