Carta ao Leitor

A irresponsabilidade do Congresso, a catástrofe nas contas públicas e o discurso alucinado das celebridades de miolo mole

O Brasil tem um Parlamento com dois objetivos muito claros. O primeiro é manter o poder. O outro é arrancar do Estado o máximo possível de dinheiro. Uma emendazinha aqui e outra acolá valem mais do que a criação de instrumentos legislativos para que o país seja capaz de avançar com menos sofrimento. O voto no curral eleitoral é muito mais importante do que as condições do ambiente de negócios para que empreendedores possam gerar riqueza. O Congresso sempre atua para emperrar privatizações, aumentar gastos e desidratar reformas — fez isso com a da Previdência e fará com a administrativa. O Orçamento 2021 é mais um exemplo da irresponsabilidade com as contas públicas. Deputados e senadores discutem propostas e votam como se o bolso do pagador de impostos fosse uma fonte inesgotável de recursos. O segundo Parlamento mais caro do mundo — o primeiro colocado é o dos Estados Unidos — tem sua atividade recente analisada pelo editor-executivo Silvio Navarro. O retrato apresentado por Navarro também dá conta do jogo liderado por Arthur Lira e Rodrigo Pacheco, bem como dos reais interesses por trás da CPI da Covid.

Como considerar republicana uma CPI cujo relator é o senador Renan Calheiros? “Num Brasil abastardado pelo Supremo Tribunal Federal, Renan segue driblando a capivara cevada pela pilha de processos e inquéritos. Em vez de temporadas na gaiola, coleciona mandatos na presidência do Senado”, escreve Augusto Nunes.

No cenário macro, o Congresso só contribui para “O drama do panorama”, como mostra o economista Ubiratan Jorge Iorio. Decano da Escola Austríaca no país, o professor Iorio expõe didaticamente como o intervencionismo estatal, com notável parcela de culpa dos parlamentares, dispara um mecanismo de expansão monetária e de crédito com enorme potencial de edificar uma recessão. O caminho do abismo tem sua rota apresentada passo a passo na Teoria Austríaca dos Ciclos Econômicos. Segundo a TACE, que condensa estudos empíricos e vem sendo testada desde o início do século 19, com sucessivas provas de resistência, o diagnóstico é claro: o Brasil já está na direção da catástrofe econômica. Apenas as reformas estruturais podem alterar o rumo.

Enquanto o estouro nas contas públicas e a CPI da Covid dominam a pauta nacional, globalmente é a Cúpula do Clima o grande destaque. Na mídia tradicional, o debate sobre a preservação do meio ambiente continua contaminado pelo discurso extremista de artistas e “intelectuais”. Essas categorias ditas “pensantes” empenham-se na sinalização de virtudes e há muito desistiram de adicionar qualquer ingrediente racional aos seus protestos. Sistematicamente, recusam-se a observar as recomendações de uma das raras vozes sóbrias do métier, o ator e comediante inglês Ricky Gervais. No discurso de abertura da cerimônia do Globo de Ouro 2020, Gervais denunciou a hipocrisia do ativismo das celebridades, disse que atores devem se concentrar exclusivamente na interpretação competente de seus personagens e arrematou, com acidez: “Se o Estado Islâmico começasse um serviço de streaming, vocês ligariam para os seus agentes. Vocês não estão em posição de palestrar ao público sobre tema nenhum.” Sobre a militância climática Hollywood/Projac, J. R. Guzzo atesta a inutilidade do manifesto que pede ao governo Biden que interrompa as negociações com o Brasil. Diz Guzzo: “Um terceiro-secretário da Embaixada dos Estados Unidos em Brasília, no fim das contas, sabe mais sobre as realidades da Amazônia do que todos os artistas da Netflix somados.”

Apesar das críticas alucinadas dos astros das câmeras e dos palcos, o agronegócio brasileiro segue como exemplo de setor econômico que alia tecnologia de ponta e sustentabilidade. A tradicional cultura da cana-de-açúcar é dos casos emblemáticos, como relata o cientista Evaristo de Miranda, doutor em Ecologia e chefe-geral da Embrapa Territorial, no artigo “O país adoça o mundo”.

Ao menos o agro parece ter potencial de garantir muitas conquistas ao Brasil nos próximos anos.

Boa leitura.

Os Editores.

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9 comentários Ver comentários

  1. Que decepção os seus argumentos, sr. ex ministro da corte mais odiada do País! Ou melhor, o sr. se é um digno representante desta “corte”, que de nobre não tem nada, tem servido principalmente para frear o desenvolvimento do nosso país e a concretização dos sonhos dos brasileiros de viverem em um país sem corrupção!

  2. Que decepção os seus argumentos, sr. ex ministro da corte mais odiada do País! Ou melhor, o sr. se é um digno representante desta “corte”, que de nobre não tem nada, tem servido principalmente para frear o desenvolvimento do nosso país e a concretização dos sonhos dos brasileiros de viverem em um país sem corrupção!

  3. Atenção redação da revista oeste com o artigo na pg. A2 do Estadão de 23/04 do ex ministro e presidente do STF dr. Carlos Velloso, “Urnas eletrônicas, garantia de respeito ao voto”, e observem a sua revolta com o VOTO IMPRESSO em defesa das urnas eletrônicas, quando afirma:
    “Mas o que alguns políticos desejam é a impressão da confirmação do voto do eleitor em FULANO ou BELTRANO, o que quebraria o sigilo do voto, com ofensa à Constituição. O VOTO IMPRESSO seria ótimo para os CACIQUES POLITICOS, que exigiriam a apresentação do comprovante do voto em FULANO OU BELTRANO, isso nunca existiu, é dizer, esse tipo de documento nunca foi expedido, nem no tempo das cédulas de papel, porque o VOTO IMPRESSO seria INCONSTITUCIONAL(art.14 da Lei Magna), o que já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
    Ora, todos sabemos que o VOTO IMPRESSO (bilhete) é BLINDADO e portanto sequer pode ser manuseado pelo eleitor para ser levado para casa, e que após ser reconhecido, o eleitor confirmará e seguira automaticamente para urna lacrada, possibilitando AUDITAR por amostragem urnas sorteadas e se necessário RECONTAR todas as urnas para autenticar o resultado apurado nas urnas eletrônicas.
    Sabemos também que recentemente nossa Corte Suprema declarou INCONSTITUCIONAL o VOTO IMPRESSO, estabelecido em Lei aprovada em 2015 pelo Congresso Nacional pelo falso motivo que “viola o sigilo e a liberdade do voto”.
    Ora, diante de tal parecer de ex autoridade da ALTA CORTE, podemos concluir que nossos notáveis sequer leram a Lei, ou estão propagando uma FAKE eleitoral, o que é grave. Não é possível entender porque temem o VOTO IMPRESSO, que além de dar TRANSPARÊNCIA às URNAS ELETRÔNICAS, evitara graves conflitos sociais com a insatisfação dos perdedores, que não mais terão motivo para alegar FRAUDES nas urnas. Simples assim e tão assustador para o Supremo Poder.
    Lembro que já há “pesquisadores” divulgando Lula a frente de Bolsonaro 18 meses antes das eleições. Para que isto servirá?

  4. Deparamo-nos constantemente, não só com assassinatos de reputações, como no caso recente da suspeição do ex-juiz Sérgio Moro, como também com assassinatos de SONHOS, executados por uma parcela significativa de nossos representantes no Congresso Nacional.

  5. Quando todos os que apostamos nos trazem frustrações, desde FHC, passando pelo maior bandido que a pátria já conheceu, se esquivando dos golpes árduos de Pilantrel e Aécio, e começando a desistir do Rodrigo Pacheco, em quem confiava e depositei o meu voto, só resta mesmo ATIVAMENTE “sinalizar” ao governo central HONESTO, que frente ao achaque do aparelhamento, da cerceadura da liberdade de assistir a um bom programa, se minha televisão é somente a aberta (só falam mal do Brasil, denigrem quem votamos, são uns estúpidos!!!).
    Como passaram dos limites, a oportunidade que tiveram de avançar com:
    A PEC DA BENGALA
    A PEC DA PRISÃO EM SEGUNDA INSTÂNCIA
    O VOTO IMPRESSO EM URNA ELETRÔNICA,
    Esses congressistas puxaram a corda até onde não deveriam!!!
    E a nossa prestação de contas é somente com essa corja. Não votamos em ninguém do STF, da OAB e nenhum partido comunista botou o Capitão lá.
    A verdade está escancarada! E se as substituições no Ministério da Defesa e no comando das FFAA não foi o verdadeiro golpe militar, concluo que esses congressistas são inconsequentes.
    São como o Kajurú e outros….
    De volta Renan Calheiros, em breve Jucá, os inocêncios de oliveira, os sarneys, os cunhas. QUE PAÍS É ESSE?

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