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Carta ao Leitor

O liberalismo em territórios da esquerda, a tolice da linguagem neutra e os erros das pesquisas de intenção de votos

E você achando extenuante aquele esforço para defender as virtudes do liberalismo na discussão com o cunhado simpático ao receituário desenvolvimentista do Estado grande… Que dirá assumir-se liberal em Cidade Tiradentes, bairro da extrema periferia da zona leste da capital paulista, distante quase 45 quilômetros do centro da cidade, lugar onde a militância política articulada costuma repetir os dogmas “progressistas”. Ou argumentar em favor do pensamento econômico da direita na comunidade LGBT.

Dois depoimentos nesta Edição 62 da Revista Oeste expõem as dificuldades de ir contra os clichês que se incrustaram no debate público em territórios historicamente sequestrados pela esquerda. Alessandro Santana, morador de Cidade Tiradentes, negocia com sucatas e propaga o pensamento liberal-conservador em dois canais no YouTube. O advogado Tiago Pavinatto, gay assumido, condena abertamente os preceitos coletivistas e o código politicamente correto em grupos que discutem o espaço de homossexuais e transgêneros na sociedade. O ativismo dos dois é uma pedreira. Mas as notícias que dão são auspiciosas. “Tem mais liberal aqui no meu bairro do que em áreas nobres de São Paulo”, diz Alessandro Santana. Pavinatto, em entrevista ao repórter Edilson Salgueiro, atesta: “Só vi trabalho real, efetivo, eficiente em prol dos LGBT realizado por liberais”. O advogado critica os partidos de esquerda por abandonarem questões legítimas para abraçar pautas absurdas como não binariedade e ideologia de gênero.

Uma dessas bandeiras estúpidas é a defesa da linguagem neutra. O editor-assistente Cristyan Costa expõe o tamanho da sandice. Na prática, o léxico criado pelo batalhão de néscios neomarxistas serve apenas de marcador de virtude para os que fazem uso do tal palavreado “fofo” e “do bem”. Afinal, que benefícios produz em favor de quem realmente é vítima de preconceito?

Na Europa, já é radical a intolerância contra quem se opõe ao cânone woke — como se tornou conhecido o combo Black Lives Matter + #MeToo + defesa de gênero fluido + revisão histórica anticolonialista + outras tolices do tipo. Uma universidade escocesa abriu uma investigação contra uma estudante do curso de direito porque, num debate, ela disse que “mulheres têm vagina”. A aluna também discordou de colegas que alegam que todos os homens são estupradores em potencial. Ela pode acabar expulsa da instituição. O episódio assombroso é relatado por Joanna Williams, colunista da revista britânica Spiked, uma das principais publicações conservadoras do mundo, com a qual Oeste mantém uma parceria exclusiva no Brasil.

Quando o protoevangelho woke começa a se imiscuir em atividades que deveriam ser guiadas por objetividade e frieza científica de dados, aí podemos constatar a que nível o fenômeno chegou. Nem os institutos que aferem as tendências da opinião pública são mais confiáveis. O editor-executivo Silvio Navarro explica as razões na reportagem de capa desta edição, “Por que as pesquisas erram tanto”. J. R. Guzzo acrescenta: “Estão querendo convencer o público pagante, para começo de conversa, de que Lula está botando na caçamba do seu caminhão uma quantidade incalculável de votos do ‘centro’. Não existem tantos lulistas assim no Brasil nem no mundo; de onde estariam vindo, então, os números publicados pelos institutos?”.

Tão canhestra quanto a performance dos institutos de pesquisa é a encenação diária do elenco da CPI da Covid, com destaque para o intérprete Renan Calheiros. “Só um trapalhão vocacional mostraria já na terceira semana de apresentações que o relatório ficou pronto antes de colhido o primeiro depoimento, e foi redigido pelo pior aluno da classe na faculdade de direito em Maceió”, escreve Augusto Nunes.

Aqui na Revista Oeste, essa prosápia toda jamais terá espaço.

 

Boa leitura.

Os Editores.

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