Carta ao Leitor

Os benefícios e privilégios do funcionalismo público, a liberação do homeschooling no RS e as discussões sobre o passaporte de vacinação

“Liberalismo não é Socialismo nem nunca será”, escreveu no início do século 20 Winston Churchill, que impediria como primeiro-ministro britânico que a Alemanha nazista vencesse a 2ª Guerra Mundial. “O Socialismo mataria a empresa; o Liberalismo salvaria a empresa dos obstáculos do privilégio e da preferência. […] O Socialismo exalta a regra; o Liberalismo exalta o homem. O Socialismo ataca o capital; o Liberalismo ataca o monopólio.”

Esses privilégios e regras responsáveis pelo sufocamento mortal de qualquer empresa estão descritos na reportagem de capa desta edição, assinada pelo repórter especial Silvio Navarro. No Relatório de Benefícios das Empresas Estatais Federais, elaborado pelo Ministério da Economia e esmiuçado pela primeira vez na imprensa brasileira por Oeste, estão alguns dos mais estapafúrdios benefícios e gratificações que turbinam os salários dos servidores de 46 empresas e bancos estatais brasileiros.

Enquanto qualquer funcionário de uma companhia privada é demitido se faltar ao trabalho sem justificativa, por exemplo, os da Casa da Moeda recebem um “abono por assiduidade” de 40 horas por ano (que podem ser convertidas em dinheiro em espécie) se aparecerem no emprego regularmente. Os top 10 dos absurdos do funcionalismo público made in Brazil incluem “adicional noturno de 50%” (a CLT estipula 20%), “indenização em caso de assalto” e um “vale-peru natalino”. O problema é que, como ensinou a também primeira-ministra britânica Margaret Thatcher, “não existe essa coisa de dinheiro público, existe apenas o dinheiro dos pagadores de impostos”. O seu dinheiro, caro leitor.

O mamute estatal se reflete em detalhes. A proibição do homeschooling é um deles, como mostra a reportagem de Cristyan Costa. Com tal restrição, os diferentes governos, sucessivamente, confiscam o direito de dizer o que deve ou não ser aprendido, onde, com quem, de que forma. Nesse cenário, foi uma vitória da liberdade a aprovação, no âmbito estadual, de uma medida que regulamenta o ensino domiciliar no Rio Grande do Sul.

Em sentido contrário, avança o projeto de lei que prevê a criação de um “passaporte de vacina”, em tramitação no Congresso. O tema é examinado nos artigos de Guilherme Fiuza e Fraser Myers. “A vacina em si pode nos libertar. Mas os ‘passaportes de vacinação’ vão retirar os direitos das pessoas”, resume Myers, editor-assistente da Spiked.

Essas deformações contribuem para tornar perigosa a manifestação do pensamento individual, mostra o texto de J. R. Guzzo. “Cuidado: você pode ser condenado de uma hora para outra como ‘fascista’, ‘extremista de direita/inimigo da democracia’, ou até como ‘genocida’, se não prestar atenção no que está dizendo.”

No caminho oposto, Oeste acredita na liberdade. E sempre a defenderemos.

Boa leitura.

Branca Nunes
Diretora de redação

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8 comentários

  1. Alguns editores de grande sucesso já disseram algo semelhante. O Jairo conheceu alguns.
    Parabéns, pago minha assinatura com gosto e orgulho.

  2. Há muito tempo o Brasil se mostra socialista. Nem mesmo durante o Regime Militar foi combatido esse sistema, ao instituir o FGTS e outras obrigações que saem do bolso do trabalhador, em virtude de o Governo arrecadar mais ao erário. Ultimamente, empresas vem a morrer, ou fechar à procura de incentivos fiscais em outros Estados. Por causa disso surgem também as terceirizadas, na iniciativa privada, que resulta muita economia nas presas contratantes com folha de pagamento, escravização da mão-de-obra da empresa contratada e péssimo atendimento ao cliente e consumidor. Além disso, há terceirização de agentes públicos, ou seja, empresas fornecem pessoas a serem contratadas num órgão público, para trabalhar na mesma função de um servidor, mas para receber menos, por serem de regime da CLT, por não serem concursadas. Por isso venho mostrando-me contra empresas terceirizadas. Tudo isso é resultado de altos impostos para o sustento das mordomias dos agentes públicos.

  3. Branca, sugiro à revista oeste, por seu excelente jornalismo de informação que consegue produzir artigos que percebo, qualquer leitor gostaria de ter escrito, que inicie urgente divulgação do que significa o VOTO IMPRESSO e sua necessária aprovação da PEC até set/21 e sua implantação para as eleições de 2022.
    Já li manifestações de Guzzo, Augusto Nunes, Ana Paula, Fiuza, Constantino a respeito mas creio faz-se necessário detalhar o mecanismo que permite imediatamente ao eleitor constatar que o que esta contido na urna eletrônica também vai estar na urna dos bilhetes impressos. Portanto, é a melhor transparência das urnas eletrônicas que somente o STF e a grande imprensa, Estadão, Globo, CNN e outras caracterizam como retrocesso e insegurança nas eleições. Exatamente por não sabemos o temor do BARROSO e seus parceiros da imprensa com o VOTO IMPRESSO é que acreditamos essencial sua implantação para 2022 para não sermos surpreendidos. Vale dizer que em 23/04 art. pg. A2 no Estadão do ex ministro e presidente do STF dr. Carlos Velloso, assim descreve o VOTO IMPRESSO: “o voto impresso seria ótimo para os caciques políticos, que exigiriam a apresentação do comprovante do voto em fulano ou beltrano”.
    Manifestação que desinforma (fake) porque o bilhete impresso é BLINDADO, e não poderá ser retirado pelo eleitor para levar a lugar algum, portanto o notável ignora a Lei ou desinforma intencionalmente para atingir cidadãos preocupados com políticos corruptos que compram votos. Pior, o Estadão sempre rigoroso com FAKES de simpatizantes de Bolsonaro, não colocou sua “agência” para comentar, ao contrario reproduz em seus editoriais sua enganosa versão sobre este único meio de AUDITAR e se necessário RECONTAR os votos, especialmente em acirradas eleições. Creio que até mais importante ainda, porque evitara graves conflitos sociais promovidos por perdedores da direita, centro ou esquerda.

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