Carta ao Leitor

Os assuntos proibidos no Brasil de hoje, a loucura trans e os 100 anos do Partido Comunista Chinês

Nestes tempos estranhos, incansáveis patrulheiros decidiram que é proibido discutir certos assuntos no Brasil. Não se deve permitir, por exemplo, duvidar da eficácia das medidas de isolamento social no combate à pandemia de coronavírus. Contestar o lockdown, por exemplo, é pecado tão mortal quanto a prescrição de tratamentos preventivos mesmo por um Nobel da medicina. E é enquadrado na tríade “bolsonarista-negacionista-genocida” quem ousa examinar o voto auditável, questionar a obrigatoriedade do voto ou não defender o impeachment de um presidente que, bom ou ruim, foi eleito pela maioria dos brasileiros.

Mais um tópico desse índex é o debate sobre a eficácia de vacinas contra a covid-19. Também por isso, como constata o título da reportagem de capa, assinada pela editora Paula Leal, precisamos falar sobre a CoronaVac. Qual a real taxa de imunização para quem tem mais de 70 anos? Por que países como o Chile, que usaram intensivamente essa vacina, continuam apresentando números altos de contaminação? Por que as portas da maioria dos países permanecem fechadas aos imunizados com a CoronaVac? A reportagem de Oeste expõe essas e outras perguntas sem resposta.

Outro tema proibido é registrar que, biologicamente, existem dois tipos de seres humanos: os homens e as mulheres. E só. Embora não tenha nenhuma relação com preconceito contra gays, lésbicas, transexuais, bissexuais ou qualquer outra letra do atual LGBTQQICAPF2K+, dizer essa obviedade passou a ser rotulado como “transfobia”. Nessa onda, a escola londrina St Paul’s Girls’ School, uma instituição exclusiva para meninas, começou a optar por gêneros neutros para nomear cargos como “head girl” — espécie de presidente do conselho estudantil.

“Uma escola para meninas que não é capaz de incutir em suas alunas o orgulho e a confiança no próprio sexo é pior que inútil”, escreveu Joanna Williams, colunista da Spiked, revista inglesa que tem uma parceria exclusiva com Oeste no Brasil. A artista plástica Jess de Wahls teve seus trabalhos retirados da Royal Academy depois de ser acusada de preconceito por louvar o sexo feminino ao representar o útero em suas obras.

Enquanto essas formas malandras de censura são um assunto recente, a censura escancarada acaba de completar 100 anos neste 1º de julho, dia do aniversário do Partido Comunista Chinês. Na reportagem de Dagomir Marquezi, repórter especial de Oeste, essa trajetória é contada desde antes da fundação. “A raiz do PCC é o Movimento da Nova Cultura. Reunia, em 1915, jovens que, acredite se quiser, exaltavam as ideias do Ocidente, especialmente a ciência e a democracia”, lembra Dagomir, cujo relato inclui o discurso do presidente Xi Jinping proferido na última quinta-feira. “Um dos trechos mais marcantes valeu mais pelo que Xi não disse”, escreveu Marquezi. “‘Os chineses nunca agrediram, oprimiram ou escravizaram povos de outros países’, declarou o dirigente. Ficou subentendido que não tem problema fazer essas coisas com o próprio povo.”

O Brasil, apesar dos delírios em contrário, é uma nação democrática. E numa democracia não existem assuntos proibidos. Este é um dos principais valores defendidos por Oeste.

Boa leitura.

Branca Nunes
Diretora de redação

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7 comentários Ver comentários

  1. Parece que estamos em Paris nos últimos suspiros do Século XVIII: Girondinos e Jacobinos se engalfinhando; Montesquieu, de boa fé, preconizava a montagem dos três poderes republicanos em um convívio utópico de (independentes e harmônicos)… e sobre a estupidez e a sangueira dos criminosos que se mataram mutuamente pelos despojos do Rei, chegou o Napoleão Bolsonaro e montou o Novo Império. Será que chegaremos a isso?

  2. Prezada Branca Nunes,
    Chegamos a um ponto que a meu ver somente a Revista Oeste pode ser chamada de Imprensa Escrita (!) pois busca somente a verdade dos fatos; pois a cada dia, a cada capa de jornal, a cada “chamada” “das TVs” mais desprezo (nojo) sinto desta “mídia geral”, tão criminosa como os criminosos de “punho de renda” alcunhados de “repórteres”, “âncoras”, “políticos”, “ministros da corte”, “artistas”, “educadores” e afins.
    Continuem nesta trilha que a cada dia conseguirão mais leitores pois com a verdade dos fatos mentira alguma sobrevive.
    Adiante.
    Att
    Ciro Barros

  3. Hahahahah não existem assuntos proibidos??? Deputados presos, jornalistas e outras pessoas também presas e sendo investigadas por palavras e opiniões, imprensa que mente descaradamente e ministério público capacho de um STF corrompido e ditatorial que quebra sigilosos, investiga, acusa e prende qualquer um que emite opinião contrária aos desmandos constitucionais que suas excelências, os ministros, conferem…
    Isso é democracia? Parece uma cleptocracia fundamentada em uma ditadura da toga.
    #AcordaBrasil

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