Manifestação contra a ditadura cubana
Manifestação contra a ditadura cubana

Carta ao Leitor

Da democracia brasileira à ditadura cubana

No início de julho, Oeste aqueceu o debate em torno da eficácia da CoronaVac — “um dos assuntos proibidos destes tempos estranhos que estamos vivendo”, ressaltou a Carta ao Leitor. Duas edições depois, a revista discute outro tema envenenado pela polarização política: o voto impresso, ou auditável, ou verificável. Por que, afinal, parece proibido modernizar a urna eletrônica?

Convém frisar: “voto impresso” não tem nenhum parentesco ou semelhança com a antiga cédula de papel abolida em 1996. Tampouco estipula que o eleitor sairá da seção eleitoral carregando um comprovante com o nome e o número do candidato escolhido. Isso violaria o sigilo do voto. Na urna eletrônica de terceira geração (a do Brasil pertence à primeira), o eleitor digita o número, o comprovante é impresso — permitindo que ele confira o que está escrito — e em seguida depositado numa urna lacrada. Caso haja algum pedido de recontagem, os votos em papel estarão ali armazenados.

A reportagem do editor-assistente Cristyan Costa e a do repórter especial Silvio Navarro demonstram que os dois lados perseguem eleições limpas recorrendo a táticas que merecem cartão vermelho. O ministro Luís Roberto Barroso, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, por exemplo, comparou o que chama de voto impresso a um golpe de Estado. Capitão do outro time, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que não haverá eleição no próximo ano se o voto auditável for rejeitado. Como assim? Ambos ignoraram essa pergunta elementar.

Especialistas em segurança digital mostram que a urna eletrônica adotada no Brasil tem falhas. Assim, das duas, uma: ou são mobilizados todos os recursos tecnológicos disponíveis para evitar fraudes — o que não está ocorrendo —, ou se aprovam medidas para a verificação do voto — o que ainda está longe de acontecer. Como destaca Cristyan, “dizer que o Estado brasileiro vai ser atacado por um hacker qualquer é uma bobagem tão grande quanto negar a possibilidade de aperfeiçoar a urna eletrônica”. Felizmente, os envolvidos na discussão garantem, igualmente, que o seu objetivo é defender a democracia. Melhor assim.

Bem pior é a situação de Cuba, ilha cultuada pela autodenominada esquerda brasileira como o último paraíso socialista. Não pensam assim as multidões repletas de jovens que ocuparam as ruas das principais cidades na última semana. Não ocorria nada parecido fazia pelo menos 30 anos. Desde 1961, quando foi oficialmente inaugurada a ditadura comunista, os opositores têm de optar entre o silêncio, a fuga para o exterior e a cadeia.

“Cuba não era um prostíbulo americano antes de 1959”, escreve Rodrigo Constantino. “Era um país com ampla classe média, com o terceiro maior consumo de proteína no hemisfério ocidental, a segunda renda per capita da América Latina (maior que a da Áustria e a do Japão), e a taxa de mortalidade infantil mais baixa da região.” Um dos momentos mais opressivos da história de Cuba é descrito por Augusto Nunes em sua coluna. “Passei uma semana na ilha e não vi um único gordo na rua. Descobri que o regime cubano emagrece.”

Ana Paula Henkel enriquece o conjunto de informações reunidas por Oeste. “Tenho recebido mensagens agressivas, em tom de deboche, ‘E as cubanas?’”, registra ela. É uma alusão à briga entre as seleções do Brasil e de Cuba nas semifinais da Olimpíada de Atlanta, em 1996, depois da derrota do time em que jogava Ana Paula. Ela responde: “Só espero, do fundo do meu coração, que todas estejam bem”.

Boa leitura.

Branca Nunes
Diretora de redação

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