Cracolândia
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Carta ao Leitor

Da terra sem dono da Cracolândia à terra de ninguém das redes sociais

Numa rua do centro da cidade, um bando de gente caminha lentamente, olhos vidrados, cabeça inclinada para baixo, roupas em farrapos e um cobertor nas costas. Odores fétidos vêm do  chão, atulhado de restos de comida, fezes e urina. Eles caminham sem destino, em movimentos conjuntos, como o simulacro de um desfile militar. Seguem todos para um lado, mudam de direção sem motivo aparente. Das gargantas, sai um som gutural, constante, incompreensível. Parece filme de terror. É a Cracolândia.

Em permanente expansão, esse tumor urbano forma no coração de São Paulo uma espécie de cidade esquecida pelo poder público e que movimenta R$ 200 milhões por ano com a degradação humana. É o que mostram o repórter especial Silvio Navarro e o editor-assistente Cristyan Costa. Cristyan relata o que viu e sentiu na sua primeira visita à zona de exclusão e descreve como vivem os zumbis do crack e os habitantes dos edifícios da região. “Insegurança e medo fazem parte do dia a dia desses moradores, ao mesmo tempo em que policiais e guardas metropolitanos permanecem 24 horas no local para garantir a segurança dos dependentes químicos”, conta Cristyan.

Navarro narra os ataques sofridos pela deputada estadual paulista Janaina Paschoal, professora de Direito, por ter criticado a atuação do padre Julio Lancellotti, ícone da esquerda, venerado por ONGs de direitos humanos. “Há anos, todos reclamam da Cracolândia, mas ninguém tem coragem de olhar para as ações que findam por colaborar para que aquela região siga assim”, escreveu Janaina no Twitter. “Alimentar no vício só estimula o ciclo vicioso!”

Dias antes, Lancellotti acusara a Polícia Militar de ter impedido que ele e seus auxiliares levassem marmitas aos drogados. Na verdade, os PMs se limitaram a fechar a rua que dá acesso ao chamado fluxo, como fazem quando ocorrem brigas, disputas entre traficantes ou quando os dependentes químicos estão “muito agitados”, seja lá o que isso signifique. A opinião de Janaina — mais que sensata, necessária — bastou para que fosse chamada de “higienista” e “anticristã”, fora o resto.

É assim que muitos reagem em outra terra sem dono: as redes sociais. Comentários de baixo calão, ofensas e insultos fazem parte desse universo desde o seu surgimento. Agora, também as páginas de Oeste têm sido alvejadas  por manifestações de ódio disfarçadas de opinião.

Todos os leitores estão convidados a exercer o direito à liberdade de expressão e emitir pareceres sobre os mais diversos assuntos. Mas Oeste não será tolerante com os portadores de evidente intolerância ao convívio dos contrários.

PS: Sempre sincronizada com a velocidade dos fatos, Oeste trocou na sexta-feira a capa da edição semanal para destacar a última entrevista do ex-deputado federal Roberto Jefferson antes de ser preso. Veja abaixo a capa anterior.

Capa da Edição 73 de Oeste | Foto: Willian Moreira/Futura Press

Boa leitura.

Branca Nunes

Diretora de Redação

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15 comentários Ver comentários

  1. A esquerda defende a Cracolândia porque é um exemplo do que pretendem para o Brasil: pessoas obedientes e sem capacidade de defesa. A esuqerda quer acabar com a polícia porque acham que as drogas substituem a Polícia muito melhor.

  2. Alguns anos atrás, trabalhando na “Virada Cultural”, conheci ao vivo e em tristes cores a mais baixa degradação do ser humano. É verdadeiramente um inferno. Essa que deveria ser uma das prioridade de saúde e segurança pública continua sem uma ação efetiva. Claro que a solução não é simples, mas, com certeza, jogar para baixo do tapete só agrava a situação.

  3. Foto triste e chocante.
    Matéria de capa que ajuda a pensar.
    Oeste se tornou leitura imprescindível na semana.
    Parabéns, Branca.

  4. a cracolândia é um lugar que deveria ser invadido e destruido la não mais conserto, e concordo com a deputada Janaina lá virou um cabide da esquerda

  5. Penso interessante que a revista oeste faça uma retrospectiva desse padre Lancelloti e outros parceiros dos direitos humanos nessas atuações na cracolândia, nos ambientes dos moradores de rua e outras atividades ditas sociais, canais de comunicação, e também como as autoridades da igrejas cristãs, católica e evangélicas que também fazem política e estão representadas no parlamento entendem ou orientam essa atuação. Não é possível que esse trabalho seja considerado humano.

  6. Tenho uma dúvida: aqueles infelizes que estão na cracolândia, bem como moradores de rua, são oriundos apenas daqui, ou tem os que foram “enviados” de outras cidades e estados?

  7. Triste situação onde gente muito mal intencionada zela pela perpetuação destes zumbis. A busca constante para racionalizar a falta de consciencia sobre o problema tem deixado todos nós um pouco piores a cada dia.

    1. Para mim, não há interesse em acabar com aquilo. Prefeitos, governadores se elegem dizendo ter a solução. O tempo passa e aquilo só piora.

  8. Parabéns por terem focado nesse tema relevante que destrói o centro da cidade de São Paulo.Parecem zumbis de filme de terror, consomem drogas que são perigosas e destroem a mente, não sabe o que tomam, é uma mistura imprevisível.As pessoas não conseguem mais desfrutar do centro, são roubadas e temem sim os dependentes químicos,pois seus comportamentos muitas vezes são agressivos.Gosto muito da Sala São Paulo,frequentei por muito tempo, atualmente tenho medo,a Cracolândia fica bem próxima.A polícia de protege os zumbis,deveria impedir a venda de drogas por traficantes que a vendem sem problemas.
    .

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