Foto: Naruedom Yaempongsa/Shutterstock
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Carta ao Leitor

O desempenho do Brasil na COP26 e o cancelamento do jogador de vôlei Maurício Souza estão entre os destaques desta edição

Além das críticas à política ambiental do Brasil, o que há em comum entre a ativista ambiental Greta Thunberg e o ator Leonardo DiCaprio? Nenhum dois dois conhece a Amazônia — ambos têm tanta familiaridade com o Brasil quanto com Botswana. Para ter uma pequena ideia da realidade deste país com mais de 8,5 milhões de quilômetros de extensão é preciso pelo menos alguns meses. Ou anos. Como ensinou Tom Jobim, o Brasil decididamente não é para amadores. Muitos brasileiros passam uma vida sem decifrar a terra em que nasceram.

Não são poucos os que se surpreenderão ao saber, por exemplo, que a maior quantidade de áreas preservadas está dentro dos imóveis rurais (33,2% do mapa nacional). Ou que mais de 63% do país é ocupado por áreas protegidas e preservadas. Muito menos que os perímetros urbanos ocupam menos que 4% do Brasil. A reportagem de capa desta edição atesta que a imagem de vilão ambiental não resiste aos fatos. E a COP26 oferece ao país mais uma chance de destroçar o monumento à falsidade. Por enquanto, as concessões feitas pelo Brasil na Conferência do Clima superam amplamente as contrapartidas merecidas por uma das nações que mais preservam o meio ambiente no planeta.

Além da COP, outro tema dominante na semana foi a repercussão de mais um cancelamento — agora a vítima foi Maurício Souza, titular da seleção brasileira de vôlei. “Tudo o que ele fez foi dizer que não gostou do novo Superman gay”, observa J.R. Guzzo em seu artigo. “Também disse que homens biológicos não deveriam jogar em times femininos de basquete, e que desaprova a ideia da Rede Globo de fazer uma novela com ‘linguagem neutra’”. A opinião de Maurício é compartilhada por sete em cada dez brasileiros. Mas nesses estranhos tempos modernos a minoria passou a controlar a maioria.

A tentativa de assassinato da reputação de Maurício, condenado por se expressar livremente, também inspirou o artigo de Guilherme Fiuza, que marcou o lançamento o Manual do Linchador Moderno. “Acusar alguém de homofóbico é pouco. Você precisa ir além”, adverte Fiuza. “Hoje em dia, frases lindas contra o preconceito e a favor das minorias podem até soar como gafe — se você não conseguir prejudicar alguém com isso.”

Na entrevista de Oeste desta semana, o dramaturgo Aguinaldo Silva resume em cinco palavras esse momento do século 21: “O mundo está extremamente chato”.

 

Boa leitura.

Branca Nunes
Diretora de Redação

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7 comentários Ver comentários

  1. acho extremamente importante que devamos cultivar a honestidade em todos os sentidos… na palavra, no pensamento, nos atos realizados ou nos atos imaginados.
    e, os atos honestos devem ser respeitados. Fazem parte do nosso caráter.

  2. Perdoe-me em corrigi-lo, Aguinaldo. O mundo está extremamente perigoso. Censura, perseguição, linchamento e controle social-tecnocrático está em vigor e aumentando.

  3. Trata-se, sem dúvida da tática da “desinformação”, desenvolvida e, até hoje, em andamento pelos países de esquerda. O problema é “o que podemos fazer contra isso, se não temos as armas adequadas para combater essa tática, também usada pela imprensa e pela classe “artística”, cooptada financeiramente e iludida pelo falso brilho de uma pretensa cultura, mais desejada do que de fato demonstrada?”

  4. Trata-se, sem duvidada tática da “desinformação”, desenvolvida e, até hoje, em andamento pelos países de esquerda. O problema é “o que podemos fazer contra isso, se não temos as armas adequadas para combater essa tática, também, usada pela imprensa e pela classe “artística”, cooptada financeiramente e iludida pelo falso brilho de uma pretensa cultura, mais desejada do que de fato demonstrada?”

  5. Ronaldo, De Caprio e Greta criticarem o Brasil até passa, mas Gisele é inaceitável, ainda mais por não conhecer aquilo que critica, o seu negócio é aparecer e não conhecer melhor seu país de origem.

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