Eduardo Paes, prefeito do Rio de Janeiro | Foto: Montagem Revista Oeste/Divulgação/Shutterstock
Eduardo Paes, prefeito do Rio de Janeiro | Foto: Montagem Revista Oeste/Divulgação/Shutterstock

O “passaporte” saiu do armário

Não é muito fácil fazer uma mentira crescer forte, bonita e saudável

Agora estão todos mais tranquilos. Foi realmente um período aflitivo esse em que ainda era preciso fingir que o passaporte vacinal era uma medida de saúde. Não que a mentira seja algo tão trabalhoso assim para essa gente boa. O problema é ter que regá-la todos os dias, embelezá-la, levá-la para passear, defendê-la dos constantes ataques dos hereges, vitaminá-la contra os germes da vida impura, enfim, não é muito fácil fazer uma mentira crescer forte, bonita e saudável.

Felizmente isso acabou. Todos saíram dos armários salvacionistas — devia estar apertado demais lá dentro — e rasgaram a fantasia. Ninguém mais precisa dizer que a coleira sanitária é para proteger a humanidade da moléstia. Ufa. Finalmente está manifesto e pacificado que o cartãozinho vacinal é uma questão de foro íntimo dos nazistoides que o impõem, e ninguém tem nada com isso. Melhor assim. Viva a privacidade.

Um dos momentos emblemáticos dessa libertação foi protagonizado pelo prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes — sem dúvida um dos personagens mais abnegados desse sacrificante período em que ainda era necessário cultivar a mentira dia a dia, inventando decisões mirabolantes de comitês científicos imaginários, enfim, uma estiva. Mostrando toda a sua lealdade, Eduardo jamais deixou a mentira à míngua — e agora colhe os frutos da sua bravura, brincando de passaporte vacinal como lhe dá na telha, sem dever satisfações a ninguém.

Quando surgiu a Ômicron, por exemplo, o prefeito do Rio botou imediatamente o seu bloco na rua e entrou na dança, sempre com seu estilo prudente e criterioso. Anunciou que por causa da nova variante o passaporte vacinal teria que passar a ser apresentado também em shoppings, táxis, Uber, restaurantes e salões de beleza — entre outros novos territórios da sua vontade.

É um cartãozinho que não barra o vírus — mas barra gente, o que é muito mais importante

Como vontade é coisa que dá e passa, algumas horas depois Eduardo apanhou seu próprio decreto, levou-o ao salão de beleza e deu-lhe uma maquiada — retirando o shopping e o Uber da nova exigência. O decreto é dele e o que ele faz ou deixa de fazer, consequentemente, também é problema dele. Foi um momento importante de afirmação da liberdade de excreção.

O mais legal é que, àquela altura, estava constatado pela autoridade sanitária que todos os infectados pela variante Ômicron no país estavam plenamente vacinados. Ou seja: foi a afirmação definitiva e libertadora de que o passaporte vacinal não tem nada a ver com saúde. É um cartãozinho que não barra o vírus — mas barra gente, o que é muito mais importante e eficaz para proteger a tara dos nazistoides.

Comemorando então esses novos tempos de sinceridade sem máscaras — dos quais Eduardo Paes é só um dos muitos heróis no Brasil e no mundo —, aproveitamos que estão todos felizes para propor aqui algumas medidas complementares à doutrina do vacinismo:

  1. Quem impuser vacina contra covid como se isso fosse uma decisão trivial e sem riscos terá de ser solidário à vítima de eventuais efeitos adversos. Exemplo: a trabalhadora Cícera Alves, do Tocantins, totalmente saudável, passou a ter dores agudas na perna imediatamente após a aplicação da vacina. Ela teve uma trombose venosa e precisou amputar o membro. Nesse caso, quem condicionou o direito de trabalhar à aplicação da vacina, segundo esta proposta regulatória, teria que se solidarizar amputando também uma perna. Rigoroso demais? Nem tanto. Cícera amputou a perna esquerda, o responsável ficaria livre para amputar a direita, se preferisse;
  2. A Agência de Vigilância Sanitária emitiu uma nota técnica vetando uma determinada vacina para gestantes depois que a procuradora Thaís Possati de Souza, de 36 anos e grávida de 5 meses, morreu de AVC hemorrágico após se vacinar contra covid. Nesse caso, todos os “especialistas” usados por essa imprensa cuidadosa e responsável para mandar grávidas se vacinarem sem escolher vacina teriam que provar que a autoridade sanitária é negacionista. Se não provassem, teriam de parar tudo até conseguir, usando suas especialidades consagradas pela imprensa, trazer Thaís de volta aos seus;
  3. A mãe do jovem Bruno Graf, morto pela vacina de covid — conforme reconhecido pela Superintendência de Vigilância em Saúde do Estado de Santa Catarina a partir de teste Anti Heparina PF4 Autoimune para constatação de Trombocitopenia Trombótica —, foi perseguida, hostilizada e acusada de disseminadora de fake news em pleno luto enquanto buscava a causa da morte do seu filho. Em casos como esse, segundo esta proposta regulatória, os “checadores” de aluguel ou voluntários seriam gentilmente enviados aos campos de concentração de covid da Austrália para um MBA sobre confinamento, empatia e ciência de fundo de quintal.

O que mais poderia ser sugerido a essa gente bacana e bem apessoada recém-saída do armário ético? Use a sua criatividade. Mas pare de se preocupar à toa. Está tudo bem. Fique aí afundado na poltrona assistindo ao divertido teatro do passaporte vacinal — até chegar alguém para te informar que essa poltrona não é sua. Nem esse nariz.

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17 comentários Ver comentários

  1. A verde do Fiuza, seu sarcasmo e ironia junto com as informações que traz põe por terra os argumentos çýentifhicos dos patrulheiros.

  2. Toda vez que ouço (no programa “Pingo nos is”) ou leio a opinião de Fiuza sobre tudo que vem ocorrendo no país, cai a ficha e percebo que estamos começando a achar normal muita coisa que seria impensável anos atrás. Vacina obrigatória não! Mas se já tomamos duas doses, não custa tomar uma terceira ou quarta, ou quinta…
    A vacina é experimental e passível de provocar efeitos colaterais graves! Mas nem a aspirina é isenta de efeitos colaterais…
    Uso de máscara em ambientes abertos é ridículo! Mas se todo mundo usa não custa eu ficar com ela mesmo estando sozinho dentro do carro…
    Assim como o gado é conduzido ao matadouro, em nome do medo muita gente aceita ser controlada pela ditadura sanitária vigente sem questionar, sem sequer pensar a respeito, já que é mais cômodo desta maneira.
    Fiuza, Deus permita que você continue corajosamente nos abrindo os olhos com sua maneira sarcástica, porém lúcida de informar. Feliz 2022!!

  3. Como sempre, sensato e ousado! Leitura maravilhosa!
    Ah, e só para apresentar um testemunho: trabalho em um residencial para idosos e, advinha o que está acontecendo após 3 doses? Claro! O Virux está lá dentro!

  4. Grande Fiúza! Assisti ontem (14/12/21) Os Pingos nos is sua divergência com o Zé Maria Trindade. É fundamental que as investigações sobre as mortes causadas por estes venenos denominados de vacinas possam vir a tona e com isso a imediata interrupção da sua tirânica obrigatoriedade. Parabéns pelo seu excelente trabalho!

    1. Só tem o seguinte Fiuza, renda-se à evidência na redução das mortes no Brasil. Efeitos colaterais, todo o medicamento tem. O custo benefício, comprovadamente, funcionou.
      Porra meu, é difícil de ver isso?

  5. Fiuza, continue falando em nosso nome, por favor. Queremos liberdade de decisão e ponto. Ninguém poderá nos impedir disso se seguirmos firmes e juntos!

  6. Estão até criando um joguinho da covid, mais ou menos como BANCO IMOBILIÁRIO. Você pode ser o Governador, o Prefeito ou o Barroso, por sorteio. O presidente da República está preso e não pode ser sorteado. Os presidentes da Câmara e Senado foram sequestrados por uma entidade chamada PSOL. Outra entidade chamada de REDE manda nesse tal Barroso e dá ordens aos Governadores e Prefeitos. Pode ter até CONSORCIO para compra de equipamentos, mas se cair nessa “casa” você avança 2 casas. E assim o jogo vai até o final. Caso alguns senadores subversivos conseguirem derrubar o jogador Barroso da Rede, o presidente é libertado, senão todos serão obrigados a virar jacaré. Interessante esse jogo de vídeo game.

  7. Acrescente mais um caso: foi revogada a minha inscrição na OAB, já que eu estou proibida de entrar no fórum, porque não me vacinei por recomendação médica.

  8. A pandemia já passou, foi em 2020. Por que a Europa, insiste tanto com variantes ? Tem alguém da NOM e donos de laboratórios farmacêuticos, por lá ?

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