Plantação de soja no Brasil | Foto: Eduardo Betioli/Shutterstock
Plantação de soja no Brasil | Foto: Eduardo Betioli/Shutterstock

Os sabotadores do agronegócio

Ataques sucessivos envolvem ONGs, jornalistas, governos estrangeiros e as chamadas revistas especializadas

Secas prolongadas e chuvas em excesso. Pragas e ervas daninhas, além de muita saúva. Foi-se o tempo em que esses eram os grandes inimigos do agronegócio brasileiro. Hoje, no Brasil, os sabotadores da agricultura e da pecuária são igualmente nocivos, mas combatê-los é bem mais difícil. Eles nascem em organizações não governamentais, brotam em redações jornalísticas, desenvolvem-se em agências de publicidade, crescem em gabinetes de Brasília, proliferam em governos estrangeiros e se camuflam nas chamadas “revistas especializadas”.

Em outubro de 2017, por exemplo, um artigo publicado pelo Psol qualificou de “ecocida” o agronegócio brasileiro, acusado de ter provocado um incêndio no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. Fernando Tatagiba, então diretor do parque, também tentou envolver na fogueira os fazendeiros da região, mesmo confessando que não existiam elementos suficientes para identificar culpados. “O fato de o incêndio ter surgido no interior do aceiro (espécie de trilha aberta no meio da vegetação ou próximo a estradas para tentar conter o avanço do fogo) me leva a crer que alguém adentrou no parque e botou fogo”, disse Tatagiba. “Não temos elementos para dizer quem é o responsável, mas podemos dizer, com certeza, que é criminoso.”

Uma reportagem do Estadão mostrou que a resposta não era tão singela. Os fazendeiros classificaram de absurda a acusação. “Estão politizando o incêndio, querendo criminalizar os produtores, quando o responsável por isso é o tempo seco”, disse Pedro Sérgio Beskow, produtor rural em Cavalcante e presidente da Associação Cidadania, Transparência e Participação, entidade que reúne pequenos e médios ruralistas da região. O texto não descartava a hipótese de o fogo ter-se originado de causas naturais.

Em outubro de 2021, militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) invadiram a sede da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil), em Brasília, depredaram o local e picharam frases como “Agro é morte”, “Agro é fome” e “Soja não mata a fome”. O surto de vandalismo teve repercussão internacional — traduzida em manifestações de apoio aos baderneiros.

Em março passado, a fabricante de cervejas Heineken aderiu ao Dia Mundial sem Carne. “Que tal comer e beber mais verde?”, propunha uma postagem nas redes sociais da marca. “A cerveja feita com água, malte, lúpulo e nada mais é a opção perfeita para o acompanhamento de hoje.” Nove meses depois, o Bradesco teve uma ideia parecida. Num informe publicitário, o banco resolveu relacionar o aquecimento global à pecuária brasileira. No vídeo, três influenciadoras de YouTube sugeriam uma versão nacional da Segunda-Feira sem Carne, com o objetivo de preservar o meio ambiente.

Pecuária nelore no Brasil | Foto: Kedson Carvalho/Shutterstock

As ofensivas também vêm do outro lado do Atlântico. “Depender da soja do Brasil é endossar o desmatamento da Amazônia”, delirou Emmanuel Macron, em janeiro de 2021. O presidente da França conclamava os países europeus a produzir e consumir sua própria soja, para evitar a compra do grão que, na sua cabeça, “era feito a partir da floresta destruída”. Também essa declaração ecoou na imprensa historicamente desinformada. Além de não serem grandes produtoras de soja, as propriedades rurais localizadas na Amazônia são obrigadas a preservar 80% de sua área. “É como se você tivesse um carro, mas só pudesse usar o banco do motorista”, compara Michel Muniz, assessor do projeto Farmun, que estimula pesquisas científicas ligadas ao agronegócio em escolas de Mato Grosso. “Ou como uma casa de cinco cômodos, em que só um pode ser ocupado. Os outros devem ser arrumados e mantidos em ordem, mas ninguém pode usá-los.”

Entre os incontáveis sabotadores do agro brasileiro, os engajados em ONGs talvez sejam os mais agressivos. Em outubro do ano passado, a organização austríaca AllRise chegou à estratosfera: denunciou o presidente Jair Bolsonaro ao Tribunal de Haia por crime ambiental, em razão dos desmatamentos na Amazônia. Numa reportagem da BBC, a ONG afirmou que “as emissões de gases do efeito estufa advindas de queimadas e da pecuária em escala industrial na floresta são agora maiores que o total de emissões anuais da Itália ou da Espanha e estão levando a Amazônia em direção ao ponto de desequilíbrio, para além do qual a floresta entraria em estado de seca”. Para justificar o “crime contra a humanidade”, a ONG atribui ao desmatamento no Brasil “as ondas de calor e os incêndios florestais que se repetem no sul da Europa, em regiões do Oceano Pacífico da América do Norte e na Austrália, além de enchentes e outros problemas climáticos na Alemanha, Estados Unidos e China”.

Ciclo vicioso

“Em 2009, durante a convenção do clima, foi pactuado que os países ricos iriam mobilizar US$ 100 bilhões por ano para serem investidos nos países em desenvolvimento e pobres, para que eles pudessem fazer transformações tecnológicas”, lembra Eduardo Lunardelli, produtor rural e ex-secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente na gestão de Ricardo Salles. “Estamos falando de R$ 1,2 trilhão. Só que eles não aportaram até agora nem sequer US$ 12 bilhões. Ou seja, 1% do prometido.” Lunardelli explica que boa parte do financiamento climático segue o mesmo modelo: os países ricos transferem dinheiro para dois fundos, o GEF e o GCF, que repassam os recursos para organismos internacionais, como a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), que fica com 20% do total. De lá, a quantia decola rumo ao caixa das ONGs, que, teoricamente, tratam de investir no combate às mudanças climáticas.

Essa dinheirama, contudo, acaba nas mãos de meia dúzia de ONGs. “Em muitos casos, é vetada a doação do dinheiro para a iniciativa privada, seja para pequenas empresas, cooperativas, tribos indígenas e outros agentes econômicos que não sejam ONGs”, diz Lunardelli. “Dessa forma, não há cooperação, inovação, inclusão, fomento ao empreendedorismo e à livre-iniciativa. Isso não beneficia quem está na ponta, não é usado contra o desmatamento nem para socorrer índios ou proteger a fauna e a flora silvestres. Os recursos são consumidos em estudos, workshops e viagens”.

Lunardelli acusa também a existência de um grande esquema envolvendo forças à esquerda. “Se eu tivesse sido secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente no governo do PT, hoje estaria na FAO”, exemplifica. “Receberia o dinheiro para a locação, ficaria lá dois ou três anos, depois montaria uma ONG e iria para a ponta recebedora. Ou alguém realmente acredita que esses países estão doando dinheiro a fundo perdido para resolver um problema climático, ambiental?”

Golpe baixo

Entre os beneficiários dessas doações, Lunardelli inclui dois dos 12 signatários de um artigo que configurou o mais recente golpe baixo contra o agronegócio brasileiro: Raoni Rajão, professor da UFMG, e o climatologista Carlos Nobre. Rajão é fundador do Laboratório de Gestão de Recursos Ambientais (Lagesa), integrado ao Departamento de Engenharia de Produção da Escola de Engenharia (Laesa, da UFMG), que tem estreitas relações com o Observatório do Código Florestal e com instituições ligadas aos governos da Noruega, dos Estados Unidos, da Alemanha. O Observatório é composto das ONGs WWF, Rede de ONGs da Mata Atlântica (RMA), SOS Mata Atlântica, The Nature Conservancy e Kanindé. JP Morgan, Intel e Ford são algumas das empresas envolvidas nessa rede.

Publicado na revista Biological Conservation, vinculada à empresa holandesa Elsevier, o artigo procura alvejar a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e um de seus mais respeitados membros: Evaristo de Miranda. Doutor em Ecologia e chefe-geral da Embrapa Territorial até dezembro do ano passado, Miranda é um dos mais respeitados especialistas em meio ambiente e agronegócio.

Para tentar desqualificar Miranda, que colaborou com todos os governos desde o presidido por José Sarney, o artigo começa por referir-se a ele como “guru ambiental de Bolsonaro”. A expressão foi usada pela revista Piauí em março de 2021. O conteúdo dos dois textos sugere que seus autores trocaram ideias intensamente. Na contramão das acusações, Miranda faz uma revelação surpreendente quando lhe perguntam qual foi, aos olhos da Embrapa, o melhor presidente da República desde a redemocratização. “Lula”, responde. “Ele interferiu muito pouco e teve a sorte de encontrar uma situação econômica mundial bastante favorável.”

Para Maurício Palma, CEO da consultoria Athenagro, o artigo nem de longe pode ser considerado ciência. “São acusações levianas e infundadas”, diz. “Quando perguntei ao Raoni Rajão que parte do texto provava cientificamente que o Evaristo tem o tamanho da influência que lhe atribuíram, ele respondeu que o editor e o revisor da revista concordam com ele. Isso é blefe.”

Ficção e realidade

Entre as acusações infundadas a Miranda, está a de que sua influência contribuiu para o “afrouxamento de normas ambientais”. Outra crítica mira o novo Código Florestal, considerado pelo mundo inteiro — com exceção dos autores da Biological Conservation — o mais rigoroso do planeta.

“O Código Florestal foi uma tentativa bem-sucedida de proteger o meio ambiente e, ao mesmo tempo, garantir segurança jurídica aos agricultores”, resumiu Aldo Rebelo, relator do código e ex-ministro dos governos Lula e Dilma Rousseff. “Ele é extremamente severo com os agricultores. É só pesquisar o tamanho da reserva legal que um proprietário sueco, por exemplo, destina ao meio ambiente. No Brasil, são em média 50%.”

A Embrapa contribuiu para que o Brasil, importador de alimentos na década de 1970, se transformasse num dos maiores exportadores de produtos agrícolas

Para Gustavo Spadotti, chefe da Embrapa Territorial, uma das provas do sucesso do código é que nem ambientalistas nem produtores rurais ficaram totalmente satisfeitos. “Talvez tenha sido a lei mais debatida da história”, observa. “Foram cerca de 200 audiências públicas até se atingir o equilíbrio entre produção e preservação.” Nesta quinta-feira, 10, a Embrapa soltou uma nota em que divulga as mais de 15 manifestações de apoio que recebeu das principais entidades agropecuárias do país desde a publicação do artigo.

O currículo de Miranda mostra que é possível conciliar o agro com a preservação ambiental. “Existe o agro antes e depois do livro Tons de Verde”, conta Lunardelli. “Escrito por Miranda, a publicação comprova que somos muito melhores do ponto de vista ambiental do que qualquer outro produtor rural do mundo. Podemos falar com orgulho que, para cada metro quadrado que o brasileiro planta, outro é dedicado à conservação.”

Agronegócio próximo ao Rio Canoas, em Santa Catarina | Foto: Paulo de Abreu/Shutterstock

Essa realidade ajuda a entender a fúria de governos estrangeiros: os fatos desmontam a falácia que responsabiliza o agronegócio pelo desmatamento no Brasil. Lunardelli registra que o Brasil possui a maior reserva de água potável, terras agricultáveis não exploradas, biodiversidade e jazidas de minério do planeta. “Para os países desenvolvidos, sempre foi interessante articular estratégias para impedir a ocupação territorial do Brasil, que é basicamente uma reserva global”, diz. “Se um dia faltar minério no mundo, haverá na Amazônia. Se acabar água, a Amazônia terá de sobra. Especialista em análise de uso e ocupação territorial, Miranda provou que dois terços do território nacional são cobertos por vegetação nativa — e que 50% dessas áreas estão dentro dos imóveis rurais. A verdade é que ninguém quer salvar o planeta. Tudo é 100% interesse econômico.”

O país que alimenta o mundo

A Embrapa contribuiu para que o Brasil, importador de alimentos na década de 1970, se transformasse num dos maiores exportadores de produtos agrícolas. Projeções feitas por Elisio Contini e Adalberto Aragão, pesquisadores da Embrapa, atestam que o país alimentou, só com grãos, cerca de 800 milhões de terráqueos em 2020 — quase 10% da população mundial. Somente em grãos, foram 31 quilos de comida por habitante da Terra.

Campos de soja, girassol e milho | Foto: Shutterstock

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os frangos existentes no país somaram 1,5 bilhão de cabeças em 2020. Em segundo lugar aparecem os 220 milhões de bovinos. O terceiro lugar fica com os mais de 40 milhões de suínos. Essa trinca gerou 30 milhões de toneladas de carnes, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Caso fosse consumido exclusivamente em hambúrgueres, esse colosso abasteceria 500 bilhões de sanduíches — 65 por habitante no planeta. O Brasil também é o maior fornecedor mundial de açúcar, soja, café e suco de laranja.

Produção com preservação

Paralelamente a essas cifras superlativas, o país preserva quase 67% do seu território: 10% desse total são unidades de conservação. Outros 14% são terras indígenas e outros 10%, “terras devolutas e não cadastradas”. Mais de 33% — ou seja, um terço do país — de áreas dedicadas à preservação da vegetação nativa estão em propriedades rurais, em terras privadas. Estudos da Embrapa revelam que fazendas e sítios brasileiros preservam uma área de floresta equivalente à soma de dez países europeus: Irlanda, Reino Unido, Portugal, Espanha, França, Bélgica, Luxemburgo, Alemanha, Áustria e Itália.

O agronegócio utiliza menos de 30% das terras brasileiras (250 milhões de hectares). Desse total, pouco mais de 21% são ocupados por pastagens. As lavouras não chegam a 8% do território brasileiro. O 1% restante são florestas plantadas, sobretudo eucalipto. Nos Estados Unidos, quase 75% do território é destinado à agropecuária. Os agricultores brasileiros sabem explorar a terra como poucos: em 2022, enquanto a média mundial alcança menos de 3 toneladas de soja por hectare, a brasileira atinge incríveis 3,5 toneladas colhidas por hectare.

Não é surpreendente que esses números atrapalhem o sono de dezenas de países incapazes de competir com o Brasil. O que lhes resta é o jogo sujo. Para reduzir a pujança do agro brasileiro, no entanto, será preciso muito mais que manifestos publicados na Biological Conservation. Ou na revista Piauí.

Com reportagem de Artur Piva

Leia também “Agricultura lidera a preservação ambiental”

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55 comentários Ver comentários

  1. Estes grupos que atacam o agro tenho certeza que não estão preocupados com o almoço de amanhã. Só querem continuar mamando nas tetas das lacerações.

  2. O Brasil tem muito que fazer para informar corretamente o mundo, em particular a Europa. A Europa desconhece, no mau sentido, esta realidade Brasileira e é preciso alterar, com urgência, esta situação.

  3. “Narrativa mitopoética dos que querem a política da “terra arrasada”. Acusações mal disfarçadas, para justificar a desconstrução de instituições que garantem a paz, pela produção de alimentos, e a liberdade. Lamentável que organizações, supostamente sérias, agora adotem esta posição contrária ao Brasil. Fechem suas contas no Bradesco. Não consumam produtos de empresas que usam a produção do agro, mas falam mal do agro (cervejaria holandesa).
    Parabéns pela reportagem Branca Nunes.

  4. Os estrangeiros terem interesses em nos prejudicar economicamente e ambientalmente, até entendo, competição. Agora, brasileiros jogarem sujos contra seu próprio país me faz pensar que deveria uma maneira de expatriar tal gente, que vivem a rotular nosso país no exterior com rótulos que não é real em sua totalidade.

  5. Incrivelmente há brasileiros sabotando o próprio país, gente que, sabe-se lá por que diabos, gostaria de nos vê importando, em dólar, produtos básicos da nossa dieta. Pense por um estante o tamanho do problema alimentar que estaríamos vivendo, em especial os mais pobres.

  6. Querida Branca. Eu e a esposa Sandra assistimos ontem a noite o Brasil Paralelo – Cortina de Fumaça. São esclarecedores os fatos ali narrados e levantados. Vou te contar algo que não é para espalhar. Na semana passada um amigo facebuqueiro gaúcho, mas que mora há muito tempo no RJ postou uma crítica sobre os preços abusivos de verduras e frutas. Aproveitou para falar mal do governo que não sabe administrar a economia e o preço dos produtos é tudo culpa do agronegócio e que a crise hídrica é causada pelos produtores rurais (!) Eu disse para ele que então aqui no RS é diferente do que o RJ, pois enfrentamos uma seca de meses e afetou profundamente a produção e produtivade das lavouras de todos os tipos. Aí ele respondeu novamente que a culpa é do agro. Aí voltei a perguntar se ele sabe a origem do repolho, pepino, couve-flor, tomate, alface, moranga, etc. Nós sabemos que apenas 10% das propriedades rurais no Brasil utilizam a irrigação e os produtores de verduras e frutas (90%) são de pequenos e médios proprietários que possuem de 10 a 20 hectares, o que não poderiam ser chamados de exploradores capitalistas… Toda a tecnologia desenvolvida nos últimos ano no setor primário é totalmente desconhecida de muita gente de esquerda que mora nas grandes cidades. Ou eles querem que o agricultor volte a produzir com enxada.

  7. Submeti à Câmara dos Deputados, na Medida Provisória 1098 de 2022, Emenda que trata da retaliação que nos é imposta, a pretexto de desmatamento.
    COMISSÃO MISTA DA MEDIDA PROVISÓRIA
    MEDIDA PROVISÓRIA Nº 1.098, DE 2022
    Dispõe sobre procedimentos de
    suspensão de concessões ou de outras
    obrigações na hipótese de descumprimento
    de obrigações multilaterais por membro da
    Organização Mundial do Comércio e altera a
    Lei nº 12.270, de 24 de junho de 2010.
    EMENDA Nº
    Acrescente-se o seguinte artigo à Medida Provisória nº 1.098,
    de 2022:
    “Art. Quaisquer restrições por parte de país ou território
    aduaneiro às exportações brasileiras sob a alegação de
    desrespeito a normas de desmatamento serão
    obrigatoriamente objeto de investigação pela Câmara de
    Comércio Exterior – Camex e de imposição de medidas
    equivalentes de restrições às importações desse país ou
    território aduaneiro.
    § 1º A Camex instituirá órgão especializado para avaliar a
    ocorrência de restrições às exportações brasileiras e
    determinar imediatamente, caso verificadas as referidas
    restrições, a imposição de medidas para fins do disposto no
    caput deste artigo.
    § 2º A Camex poderá iniciar a investigação de que trata o
    caput deste artigo por iniciativa própria ou por solicitação
    formalmente protocolizada de pessoa física ou jurídica
    brasileira.
    § 3º As restrições às importações de dispõe o caput deste
    artigo:
    I – serão aplicadas:
    a) aos mesmos produtos que sejam objeto de restrições às
    exportações brasileiras por parte de país ou território
    aduaneiro; ou
    b) a produtos que sejam importados pelo Brasil com origem no
    país ou território aduaneiro que impuser as restrições às
    exportações brasileiras; e
    II – serão adotadas de maneira que seja compensada em igual
    montante a desvantagem comercial imposta às exportações
    brasileiras.
    § 4º As restrições às importações de país ou território
    aduaneiro determinadas em conformidade com o caput deste
    artigo serão imediatamente retiradas se o país ou território
    aduaneiro vier a adotar as mesmas regras sobre
    desmatamento vigentes no Brasil.”
    JUSTIFICAÇÃO
    O Brasil dispõe de normas severas com relação ao
    desmatamento impostas pelo Código Florestal, a Lei nº 12.651, de 25 de maio
    de 2012. Restrições a que não se igualam Nações que nos censuram. Não
    obstante a avançada legislação pátria, alguns países pretendem interferir
    indevidamente em nossa gestão ambiental e tornar o Brasil totalmente
    engessado.
    Por exemplo, se um proprietário de terras que disponha de
    50% de área ainda não explorada – e onde a reserva legal seja de 20% e não
    haja área de preservação permanente – teria de ficar impedido de abater os
    30% que a lei lhe permite, porque estaria “desmatando”.
    Reiteradamente temos notícias de ameaças de retaliações e da
    discussão sobre a imposição de normas para restringir exportações brasileiras
    advindas de países do “primeiro mundo”. Não importa se, no mínimo, já fomos
    tolhidos em 20% (vinte por cento) de nossa área produtiva, em total
    desequilíbrio com os produtores de outros países. Pretende-se a obstrução
    total a qualquer avanço, dentro da lei, na exploração da potencialidade de
    nossa produção agropecuária.
    Em homenagem ao um grande patriota, EVARISTO DE
    MIRANDA, autoridade reconhecida no assunto, reproduzimos registros seus:
    “A área dedicada à vegetação nativa no Brasil equivale à superfície de 48
    países e territórios da Europa”.
    Enfatiza que “o mundo rural preserva um terço do Brasil. E
    utiliza, em média, 49,4% da área dos imóveis rurais. Caso único no planeta, o
    agricultor brasileiro usa, em média, apenas 50% de suas terras. O resto é
    dedicado à preservação.”
    Ainda assenta: “A área total preservada pelos produtores rurais
    no Brasil supera a superfície individual de 185 dos 195 países existentes.”
    Indica quem são os verdadeiros campeões do desmatamento: “A Europa
    detinha mais de 7% das florestas do planeta e hoje tem apenas 0,1%.”
    E como as críticas advém do local menos autorizado para isso,
    DR. EVARISTO alerta: “O paradoxo é que, ao invés de ser reconhecido pelo
    seu histórico de manutenção da cobertura florestal, o País é severamente
    criticado pelos campeões do desmatamento”.
    Ainda uma última observação do premiado cientista brasileiro:
    A imensa maioria dessas terras preservadas são privadas. Elas
    foram compradas e têm valor. A Embrapa Territorial estimou o
    valor do patrimônio fundiário imobilizado pelos produtores em
    prol do meio ambiente em cada município, em função de
    preços da terra. O valor total dessas terras, contabilizadas uma
    a uma, ultrapassa R$ 2 trilhões. Qual categoria profissional no
    Brasil imobilizou mais de R$ 2 trilhões de seu patrimônio
    privado para preservar a vegetação nativa? Quem no setor
    público ou privado? Quem no mundo urbano? Ninguém. Só o
    agricultor.
    Essa a razão do inconformismo do agricultor brasileiro, diante
    de “restrições” a importações de produtos brasileiros, até de titulares máximos
    de Governos estrangeiros.
    Acreditamos que essas medidas devem ser respondidas com a
    devida reciprocidade.
    A discussão sobre a necessidade de responder na mesma
    proporção – em que se exija dos países que nos censuram a submissão às
    mesmas ou assemelhadas normas ambientais – fará com que, a cada eventual
    restrição ou ameaça, seja aferida sua procedência e tomadas as providências
    cabíveis para o necessário equilíbrio dos interesses em apreço.
    A par disso, conhecidas as injunções pretendidas, a opinião
    pública internacional tomará ciência da isonomia que o Brasil exige.
    Diante do exposto, solicitamos o apoio dos nobres pares para a
    aprovação desta importante Emenda à Medida Provisória nº 1.098, de 2022.
    Sala da Comissão, fevereiro de 2022.
    Deputado OSMAR SERRAGLIO

    1. Parabéns deputado Serraglio por ser leitor desta importante revista e comentar esse seu trabalho legislativo. Lembro de outros que aprendemos a admira-lo quando foi relator da CPMI dos Correios e na abertura do processo de impeachment da presidente Dilma. Lembro ainda que foi perseguido pela PF naquela fajuta e desmoralizada operação Carne Fraca, que sequer sabia distinguir matéria prima de material de embalagem.

  8. É obvio que os chamados paises desenvolvidos estão de olho na Amazonia e outras regiões há muito tempo. Entra ai o papel preponderante das Forças Armadas: não deixar que os piratas modernos sabotem a imagem e as reservas naturais do Brasil!

  9. Excelente matéria! Parabéns, Branca. Só um detalhe precisa ser corrigido: o nome do livro do Dr. Evaristo é “Tons de Verde” e não “50 Tons de Verde”, como consta do seu artigo.

  10. Vejo como a maior ameaça ao agronegócio brasileiro a curto prazo, o STF, que julgará ainda em 2022 (junho ou julho) a questão do marco temporal de terras indígenas!
    Se a Suprema Corte decidir “flexibilizar” que o marco temporal não seja a Constituicao Federal de 1988 (o ministro Fachin e a PGR já se manifestaram favoráveis) eles criarão uma enorme insegurança jurídica, as reservas indigenas poderão chegar a mais de 30% do território nacional, o que seria equivalente aos estados do sudeste (hoje é de 15%), o que prejudicará sobremaneira o nosso agronegócio!
    Além disso, temo que o Brasil transforme-se numa espécie de “velho oeste”, pois os representantes do agronegócio não aceitarão esse verdadeiro confisco de terras passivamente! Haverá muito derramamento de sangue, sangue dos pobres indígenas, não das malditas ONG’s!

    1. Vale a pena ler o artigo do aldo rebelo, político de raizes comunistas e defensor da língua portuguesa , que foi o relator do código florestal, considerado pelas pessoas honestas, o mais rígido planeta. No artigo, ele é completamente contrário à alteração ou flexibilização do marco temporal das terras indígenas! Se o STF decidir flexibilizar, até as cidades e grandes capitais estarão ameaçadas pela enorme insegurança jurídica que será criada!

  11. Parabéns pela reportagem e pelas informações sobre este setor que muitas vezes não tomamos conhecimento e da importancia que é conhecer a realidade deste que querem de alguma maneira impedir que possamos alimentar um grande parte do mundo.Extraordinario o desempenho deste Governo e das pessoas que se decdicam a isto.Precisamos divulgar mais esta materia para sabermos um pouco da realidade escondida por más pessoa com interesses escusos. Obrigado pela informações e continuem com este proposito. Parabéns.

  12. Show de reportagem. Parabéns. O Brasil devia expulsar todas das ongs estrangeiras e acabar com as nacionais, além de procurar outros mercados para os seus produtos agrícolas fora da Europa para que os europeus sintam na pele o que é bom para tosse.

  13. Essa revista tem que parar de defender bandidos, eles não são bonzinhos. A prova disso é que os preços e a contaminação por agrotóxicos estão nas alturas, tudo pela ganância. Pare, eles são grileiros, essa é a verdade, se vcs não gostam, me tire daqui.

    1. Os preços estão altos por conta da Pandemia e por excesso do fique em casa.
      Quantas pessoas vc conhece que morreram por conta de agrotóxicos? Deixa de ser gado e procura se informar melhor

  14. Bianca excelente abordagem!
    Agora, falar mentiras sobre o agro brasileiro não é fakenews aos olhos de nossa corte maior, mas as notícias que o apoiam estão sob suspeita.
    Esses caras foram aparelhados para destruir o Brasil.

  15. Excelente matéria Branca, só não da para entender esse questionamento feito a Evaristo de Miranda que na contramão das acusações que lhe fizeram, quando lhe perguntaram qual o melhor presidente aos olhos da Embrapa desde a redemocratização, teria dito LULA porque interferiu muito pouco e teve a sorte de encontrar uma solução mundial econômica favorável.
    Evaristo de Miranda, esqueceu de dizer que o camaleão Lula, tinha no seu governo Roberto Rodrigues como ministro da agricultura, Jose de Alencar como vice, Luis Furlan (SADIA) ministro do desenvolvimento e Henrique Meirelles no Banco Central, todos seguramente centro direita, e Palloci no ministério da Fazenda seguindo rigorosamente as recomendações de Malan. Com o céu de brigadeiro internacional que governou nos primeiros 4 anos, podia sim ter feito muito mais e não inchado a maquina pública.
    Parabéns Branca

  16. Então!!!
    Veremos nesta próxima semana o Braga Neto com os questionamentos dos Técnicos das FFAA- COMPLICADAS DE SEREM RESPONDIDAS- solicitadas há mais de 30 dias ao TSE?
    Será que pelo menos uma caixa preta destes aviões caídos será encontrada?

  17. Que país fantastico, só precisa ser mais divulgado, tem muitos querendo a volta da esquerda no poder. Estão fazendo de tudo, jogo sujo vinte quatro horas.

  18. O pior é que o agro brasileiro tem que sustentar, inclusive, esses parasitas. Por quê esse sujeito não dá o exemplo e passe a viver do que plantar no seu quintal?

  19. Excelente texto. É uma questão de soberania brasileira. Contrapõe globalismo com nacionalismo. Como Pesquisador Aposentado da Embrapa e Produtor Rural tenho orgulho de ver os resultados do nosso trabalho. Entretanto, nossa luta persiste.

  20. Parabéns pelo o edital, foi fantástico, uma aula para o mundo, de como preservar o meio ambiente e, produzir para alimentar o mundo sem devastar a floresta, coisa que os países da Europa já devastaram, são uns invejosos e incompetentes, sem o agronegócio brasileiro, o resto do mundo morre de fome!

  21. É muito preocupante ver que brasileiros e, por incrível que pareça, até colegas da própria Embrapa, estejam referendando essa patuscada feita neste pseudo “artigo científico” da Biological Conservation. Uma vergonha!

  22. Parabéns, excelente reportagem! O Brasil nas mãos de pessoas competentes e honestas, inclua-se nesta lista o Dr. Evaristo de Miranda, está sendo transformado numa grande potência global, apesar do estrago causado pela esquerda marxista no passado. Agora temos esperança de dias melhores!

  23. Essa reportagem mexeu comigo… Sinceramente, todo brasileiro deveria lê-la para entender o real potencial do Brasil e porque somos tão atacados quando se fala em proteção ambiental!! É tudo interesse para travar nosso crescimento, pq acredito que NENHUM pais do mundo tem o potencial do Brasil… somos o celeiro do mundo e isso atinge os interesses de mundo países “desenvolvidos”! Fico triste e preocupado, pq precisamos que a verdade apareça e que estejamos unidos para defender nosso país

  24. Triste saber que há brasileiros (???) envolvidos em tramoias e trapaças para prejudicar a Pátria. O nome disso é “traição”. Aos traidores da Pátria se reserva o pior.
    Deus é brasileiro e haveremos de vencer essa batalha. São os falsos brasileiros a soldo de um bando que, nem de longe, quer ver a potência e a pujança do agro!!!!!!!!
    Que morram enforcados nas próprias palavras!!!!!!!

  25. Matéria sensacional.” Nos Estados Unidos, quase 75% do território é destinado à agropecuária.” Imagina o Brasil destinando metade do seu território à agropecuária!

  26. AGORA VOCÊS ENTENDEM DO PORQUÊ POVOS DO ORIENTE MÉDIO CORTAVAM A GARGANTA DE OCIDENTAIS em rede mundial.. NÉ?!
    Católicos Faziam com o ISLÂ a mesma coisa que fazem com o Brasil/Floresta Amazônica. MENTIRAS, DISSIMULAÇÕES, FAKE NEWS etc etc etc…

    E NÃO APRENDEM ESSE EUROPEUS E NORTE AMERICANOS……NÃO APRENDEM!

  27. Eu acredito que os defensores do agronegócio brasileiro deveriam investir em parceiros estratégicos como setores da imprensa, de algumas universidades e escolas da educação básica. Todas as informações que foram repassadas precisam de alguma maneira chegar ao cidadão comum.

  28. Parabéns a repórter Branca Nunes. O artigo ficou espetacular. Tocou nos pontos chave sem apelar para a baixaria. Em breve vou publicar o livro Ecologia Liberal que analisa os últimos 200 anos da gestão ambiental no Brasil. Um dos capítulos trata da relação entre a ciência , cientistas e a elaboração de políticas públicas. O artigo da Biological Conservation mostra uma posição pessoal dos autores travestida de argumentação científica. O mais grave não é eles defenderem uma posição, mas sim não deixarem isto claro. Não explicitar que se trata de valores pessoais deles e não de ciência e achar que só a posição deles é válida. É autoritarismo puro!!

  29. O Brasil precisa acordar e fazer uma limpeza nessas ONGs. Auditá-las, checá-las e colocá-las, se for o caso, na ilegalidade. Estão trabalhando intensamente contra o desenvolvimento do Brasil, e são financiadas por países, bancos, fundações e políticos, do brasil e do exterior.

  30. Excelente resumo! Vamos acrescentar o que o ex-ministro Ricardo Salles sempre disse: os maiores problemas ambientais do Brasil (e do mundo) estão nas cidades, com o lixo jogado em córregos, com a falta de saneamento, etc. ONGs e outros picaretas sabem muito bem disso mas esses fatos não lhes rendem o $$$ que desejam…

  31. Orgulho-me, como Engenheiro agrônomo há 41 anos e comerciante de insumos agrícolas, contribuir com este mercado e nos números do Brasil. O Agro é top mesmo.

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