Bélgica começa a desativar reatores, mesmo com falta de energia na Europa

Medida despertou reações contrárias de grupos que temem o desabastecimento
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Usina de Doel, Bélgica | Foto: Reprodução/Flickr
Usina de Doel, Bélgica | Foto: Reprodução/Flickr

Para cumprir o plano formulado em 2003 de desativar as usinas nucleares do país até 2025, a Bélgica programou para esta sexta-feira, 23, o desligamento do primeiro reator do país, na Usina Doel, localizada no Porto de Antuérpia, no norte. A medida suscitou polêmica e dúvidas, porque a Europa passa por uma crise de baixa disponibilidade energética e disparada nos preços.

O caos energético começou com a redução do fornecimento de gás pela Rússia, após as sanções pela invasão da Ucrânia, e se acentuou com a completa interrupção do fluxo de gás natural pelo gasoduto Nord Stream 1, no começo de setembro.

O governo belga, apesar de garantir o desligamento, tem manifestado dúvidas quanto a adotar a medida neste momento. Em março, autoridades já haviam discutido a possibilidade de estender até 2036 a operação de dois dos sete reatores nucleares.

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A ministra do Interior, Annelies Verlinden, na semana passada perguntou ao órgão belga de segurança nuclear (AFCN) se seria possível adiar a operação de desconexão do reator Doel 3. A vice-primeira-ministra do Ambiente, Petra de Sutter, se disse “chocada” com o questionamento do cronograma “alguns dias antes do encerramento das operações”.

A Engie, operadora do sistema de energia da Bélgica, responsável pelos reatores, afirmou que “o reator será encerrado permanentemente e, portanto, não se pretende reiniciar”. Segundo a Engie, nenhum pedido do governo para adiar a desconexão foi feito.

A AFCN não se posicionou especificamente sobre a prorrogação, mas respondeu a Annelies Verlinden que uma decisão “muito tardia” de estender o reator “não era um sinal de boa governança” e que uma decisão às pressas poderia representar um risco para a segurança nuclear.

Por questões técnicas, depois de desligado, o reinício do reator não será impossível. Porém, de acordo com o diretor da usina, Peter Moens, “nenhuma operação tecnicamente irreversível ocorre nesta primeira fase”. Ele disse, porém, que adiar ou reverter o processo não seria “nem sábio nem aconselhável”, por razões técnicas e operacionais, citando como exemplo a falta de combustível e pessoal.

O debate é semelhante ao da Alemanha, onde políticos conservadores e liberais estão pedindo a extensão dos três últimos reatores nucleares do país além do fim de 2022, data de seu desligamento programado. Por enquanto, Berlim simplesmente concordou em manter dois reatores até a primavera de 2023, para lidar com possíveis emergências.

Na Bélgica, o boom de energia renovável, solar e eólica, incluindo offshore (produzida a partir de geradores instalados no mar), permitiu que o país atingisse um recorde de exportações em 2021. As usinas a gás representaram um quarto da matriz energética.

Para o Greenpeace, “o fechamento do Doel 3 não representa nenhum problema para a segurança do abastecimento e não tem impacto significativo no preço da eletricidade”.

Líderes do Movimento Reformista (MR), no entanto, temem a escassez. “Com o risco de um apagão na França neste inverno, com a Alemanha deixando a energia nuclear e sem gás, sabemos que vamos ter grandes dificuldades”, alertou a ex-ministra da Energia Marie-Christine Marghem, que faz parte do MR.

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