Grande SP comprova o ‘nanismo’ eleitoral do PT

Partido só conquistou duas prefeituras na região
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Parte da capa do livro A esperança estilhaçada, de Augusto Nunes | Foto: Divulgação
Parte da capa do livro A esperança estilhaçada, de Augusto Nunes | Foto: Divulgação | pt - esperança estilhaçada - resultados na grande sp - nanismo eleitoral

Partido saiu do primeiro turno sem nenhuma prefeitura na região; no segundo, conquistou apenas duas

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Parte da capa do livro A esperança estilhaçada, de Augusto Nunes | Foto: Divulgação
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Zero. Esse é o número total de prefeituras conquistadas no primeiro turno das eleições 2020 pelo Partido dos Trabalhadores na Região Metropolitana de São Paulo. Outrora reconhecida como principal legenda local, chegando a formar um “cinturão vermelho”, o PT se tornou nanico. Em nove dos 39 municípios que compõem a Grande SP, os candidatos da sigla tiveram desempenho pífio, com menos de 4% dos votos.

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O candidato petista à prefeitura de Cotia é um exemplo do nanismo eleitoral do partido na região — caminhando na direção da “ruína do lulopetismo” em todo o país, com perda de força em grandes centros e drástica diminuição de prefeituras conquistadas. Na cidade com mais de 250 mil habitantes, o partido tentou alçar Zé do Boné ao cargo de comando do Poder Executivo, mas ele só contou com 1,11% do total de votos válidos.

Zé do Boné não foi o único petista a passar vergonha nas urnas

Zé do Boné, no entanto, não foi o único candidato do PT a passar vergonha na Região Metropolitana de São Paulo. Em São Caetano do Sul, município com o maior IDH do Brasil, João Moraes conquistou 1,81% dos votos válidos. Ramon Velasquez (2%), Derli Dourado (3,38%), Professora Dirce (1,49%), Dona Francisca (2,15%), Baltasar Rosa (2,39%), Professor Elias (3,63%) e Professor Oderlan (2,11%) tiveram desempenhos similares. Respectivamente, tentaram se tornar prefeitos em Rio Grande da Serra, Suzano, Cajamar, Mairiporã, Barueri, Itapecerica da Serra e Taboão da Serra.

Maior cidade não capital do país, com população estimada em mais de 1,3 milhão de habitantes, Guarulhos foge — um pouco — à regra do encolhimento eleitoral do PT. O ex-prefeito Elói Pietá representou a sigla na disputa pela prefeitura e foi ao segundo turno, mas não voltou ao poder. Isso porque o atual ocupante do cargo, Guti (PSD), ficou à frente no segundo turno, sendo a escolha de 58% do eleitorado.

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Zé do Boné foi um dos petistas derrotados nas urnas em 2020 | Foto: Divulgação

2º turno — duas vitórias

O petista Marcelo Oliveira venceu a eleição em Mauá. No acirrado segundo turno, ele registrou 51% dos votos válidos, enquanto que Atila (PSB) ficou com 49%. Dessa forma, o PT fechou as eleições 2020 com apenas duas prefeituras em toda a Grande SP. Em Diadema, Filippi (PT) por pouco não foi declarado prefeito eleito já em 15 de novembro. Com 46%, ele seguiu em campanha contra Taka Yamauchi (PSD). E confirmou a vitória. Na parte derradeira do embate, Filippi ficou com 51% dos votos válidos.

Maior metrópole brasileira

Os resultados na Região Metropolitana vão além dos indicadores de cidades não conquistadas pela turma do Partido dos Trabalhadores. O fraco desempenho nas urnas representa falta de acesso a importante braço da máquina pública. A Grande SP representa o “maior polo de riqueza nacional”, ressalta a Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano. Em 2016, por exemplo, a soma do Produto Interno Bruto dos 39 municípios foi responsável por mais da metade do PIB de todo o Estado de São Paulo e representou 17% de toda a economia produzida no Brasil.

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Foto: Arte no Canva

Seguidas derrotas na capital

Maior colégio eleitoral do país e sede da região metropolitana que leva o seu nome, a cidade de São Paulo é reflexo do fraco desempenho do PT no pleito deste ano. Jilmar Tatto não conseguiu se destacar nem diante de fiéis eleitores. Com menos de 9% dos votos válidos, foi apenas o sexto mais bem votado entre todos os candidatos à prefeitura paulistana. Ficou atrás do deputado estadual Mamãe Falei (Patriota) e viu Guilherme Boulos (Psol) emergir como representante da esquerda no segundo turno.

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O resultado de Tatto não foi caso isolado entre o público paulistano. Em 2016, o então prefeito Fernando Haddad conseguiu perder a disputa logo no primeiro turno. Rejeitado, não obteve nem um milhão de votos. Acabou em segundo lugar, mas com somente 16% dos votos válidos. Na ocasião, um tucano então estreante na política venceu. Apadrinhado por Geraldo Alckmin, João Doria superou o petista e registrou 53% no pleito.

Rejeição no domicílio de Lula

Assim como na cidade de São Paulo, o PT tem acumulado rejeições em São Bernardo do Campo. No município do ABC Paulista considerado o berço do partido a partir de movimentos grevistas de metalúrgicos e que até hoje é o domicílio eleitoral do ex-presidente Lula, a sigla tentou voltar ao poder. Sem sucesso. Com o ex-prefeito Luiz Marinho, a coligação dos petistas foi derrotada por Orlando Morando (PSDB). O tucano foi eleito em primeiro turno, com mais de 67% dos votos válidos.

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Reeleito, Morando aproveitou o clima eleitoral para destacar a missão de se administrar uma cidade que havia permanecido por oito anos sob controle do Partido dos Trabalhadores. Em entrevista à rádio Jovem Pan nesta semana, ele acusou o time de Marinho de ter inchado o volume de funcionários comissionados, além de promover gastos excessivos ainda com transporte particular. “Eliminei 346 cargos e não fez falta. Eles gastavam R$ 5 milhões com frota para servir o primeiro escalão”, comentou o tucano de São Bernardo do Campo.

Mais do que um candidato, Luiz Marinho é um dos líderes do PT, sendo o seu atual presidente no Estado de São Paulo. Ele, contudo, não foi o único cacique do partido a se dar mal nas eleições 2020. Ex-presidente do mesmo diretório, Emídio de Souza passou longe da vitória na tentativa de voltar a ser prefeito de Osasco. Acabou na terceira colocação, com 13%, e assim seguirá no mandato como deputado estadual.

Derrotas de aliados e aliança com tucanos

Em quatro cidades da Região Metropolitana de São Paulo, o PT “nem ganhou e nem perdeu” — para lembrar da icônica análise feita por Dilma Rousseff nos tempos de presidência da República. A sigla ficou de fora das disputas pelo Poder Executivo de Guararema, Santa Isabel, Santana de Parnaíba e Vargem Grande Paulista. Ou seja: nessas localidades, o partido não teve candidato a prefeito, não registrou nenhum vice e, por fim, não se coligou oficialmente com ninguém.

Ferraz de Vasconcelos, Poá, Juquitiba e São Lourenço da Serra foram os exemplos de derrotas indiretas do PT na Grande SP. A legenda não figurou em cabeças de chapas, mas apoiou candidatos que não conseguiram se eleger. Filiado ao Cidadania de Poá, Naco foi mais um caso de derrota nas urnas. Com pouco mais de 300 votos recebidos, o aliado dos petistas encerrou a eleição com 0,61% dos votos válidos — com esse resultado, não conseguiria se eleger nem como vereador.

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Mapa da Grande SP: região que transformou o PT em partido nanico | Foto: Divulgação/Emplasa

Apesar de Naco, o Partido dos Trabalhadores apoiou alguns vencedores na Grande SP. A sigla participou das campanhas de Vanderlon (PL), Renata Sene (Republicanos), Dr. Nivaldo (PTB) e Dany Floresti (PSD). Eles foram eleitos prefeitos de Salesópolis, Francisco Morato, Franco da Rocha e Pirapora do Bom Jesus, respectivamente. Conforme dados divulgados ao Tribunal Superior Eleitoral, todos contaram com apoio formal dos petistas.

Prefeito de Itapevi reeleito com 98% dos votos válidos, Igor Soares (Podemos), anteriormente conhecido por “Pompom”, chegou à disputa eleitoral de 2020 com apoio do PT. Mais do que sinalizar a vitória de um aliado petista, o caso chama a atenção para o fato de, aparentemente, o Partido dos Trabalhadores rever algumas de suas ideologias. Afinal, a coligação de “Pompom” contou com as participações de PSDB e PSL — siglas tão criticadas pelo PT que, conforme registrado, se tornou nanico na Grande SP.

Leia “Dinastias políticas”, reportagem de capa da Edição 35 da Revista Oeste.

E também: “Vereadópolis — Os vereadores e seu universo paralelo”

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Conteúdo atualizado em 29/11/2020, às 22h13, para acréscimo de informações, com dados a respeito do desempenho do PT segundo turno das eleições 2020. 

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