Soberba chinesa - Revista Oeste

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Soberba chinesa

26 nov 2020, 11:10

Antes de nosso país se tornar ainda mais refém de Pequim, convém ao Brasil diversificar sua pauta e destino exportador

soberba chinesa

O presidente da China, Xi Jiping, em evento no Palácio do Planalto | Foto: Marcos Corrêa/PR

Por Márcio Coimbra*

Desde 2009, a China é o principal parceiro comercial do Brasil. Um movimento que começou a se desenhar também em outros países. A estratégia chinesa sempre foi muito clara: tornar-se essencial para a economia de diversas nações e a, partir de aí, migrar esta relação para o campo político. Em Brasília, esse movimento ocorreu durante os governos petistas, alinhados ideologicamente com Pequim.

Antes da China entrar em cena, o principal parceiro comercial do Brasil eram os Estados Unidos, uma relação que perdurou por décadas dessa forma. Fato é que o entendimento entre os países se dava de maneira natural, uma vez que os americanos comungam dos mesmos valores que o Brasil, dividindo o apreço pela democracia, liberdade e os pilares do Estado de Direito.

Naturalmente, a política externa, política de comércio exterior e política comercial andam coordenadas. A mudança de paradigma comercial brasileiro nos anos petistas esteve aliada a um forte componente de política externa, que acabou por afastar o Brasil dos Estados Unidos, alinhando-se com a China na mesma medida. Ao final do governo Lula, esse movimento estava completo e a política externa e comercial finalmente se encontraram.

Fato é que tornar a China a principal parceira no comércio internacional tornou nosso país vulnerável. Pequim não divide os mesmos valores, tampouco tem o mesmo apreço por instrumentos democráticos que temos no Brasil. Democracia, Direitos Humanos, Estado de Direito e um arcabouço de liberdades que começam nos direitos individuais e deságuam no respeito à diversidade e tolerância religiosa, que não são respeitados pela China.

Este conflito é um dos principais elementos desestabilizadores da relação entre os dois países e faz com que a temperatura suba recorrentemente. A liberdade de opinião brasileira não tem sido tolerada pelas autoridades governamentais chinesas que exercem pressão para que seus objetivos estratégicos político-comerciais internacionais sejam atendidos pelo Brasil. Um desacordo que remete a essência e aos valores defendidos pelas duas nações.

Leia também: “Jornais brasileiros receberam patrocínio da ditadura chinesa”

O Brasil, entretanto, não está sozinho diante da pressão chinesa. Países europeus têm reagido com veemência diante da maneira direta e incisiva da diplomacia oriental. Um movimento puxado por Suécia e França que cada vez mais ganha adeptos. A Austrália se tornou mais uma nação que sofreu retaliações do governo de Pequim por se negar a adotar o padrão de 5G da Huawei e ZTE, empresas que por lei dividem informações coletas nas redes com as autoridades chinesas.

O caso da Austrália é paradigmático. A estratégia é sempre a mesma: criar dependência econômica ao longo dos anos e, assim, obter formas especiais de pressão para forçar os parceiros comerciais a agir de acordo com os objetivos políticos chineses. Aqueles que tiverem a ousadia de se voltar contra seus interesses, sofrem o peso das retaliações.

A sino-dependência brasileira precisa ser repensada, assim como uma postura passiva diante das agressões desferidas pelas autoridades diplomáticas quando sentem seus planos rejeitados por governos estrangeiros. Ao dizer que o Brasil sofrerá consequências se calúnias (sic) perdurarem, o governo chinês está ameaçando nossa soberania por intermédio de seu corpo diplomático. Uma postura constrangedora.

Assim como na Austrália, a China está disposta a retaliar nações que desejam rejeitar seus planos. Ao domesticar nossa economia, Pequim não se constrange em agir de forma acintosa, pois sabe que setores importantes respiram pelos aparelhos chineses e estariam dispostos a pressionar o governo para manter seus negócios.

Devemos nos perguntar, porém, o custo real desta sociedade. Durante os anos em que os Estados Unidos eram o principal destino comercial do Brasil, jamais um embaixador norte-americano ousou constranger nosso país diante de declarações nada amistosas de parlamentares da esquerda. Contudo, os americanos entendem o que significa liberdade de expressão em um regime democrático, algo que os chineses, reféns de um governo autoritário e socialista, não conhecem.

Antes de nosso país se tornar ainda mais refém de Pequim, convém ao Brasil diversificar sua pauta e destino exportador. Nossa soberania não pode sofrer constrangimentos de diplomatas contrariados que discordam da opinião de nossos parlamentares. Devemos estar ao lado de nações que entendem e dividem nossos valores, que aceitam a liberdade, democracia e as leis de forma independente e soberana.


Márcio Coimbra é coordenador da pós-graduação em Relações Institucionais e Governamentais da Faculdade Presbiteriana Mackenzie Brasília, Cientista Político, mestre em Ação Política pela Universidad Rey Juan Carlos (2007). Ex-Diretor da Apex-Brasil. Diretor-Executivo do Interlegis no Senado Federal

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4 Comentários

  1. Brilhante artigo.se não comprarem comodites do Brasil, esses comedores de rato vão comprar de quem? Tem que falar duro com esses facínoras.Não a vacina Ching ling ,e não ao 5G Ching ling.Se achar ruim,até logo.Para comemorar faz uma sopa de morcego ,com cachorro a alho e óleo.

  2. Os comedores de sopas de morcegos depende de nos, nos conseguimos ficar sem produtos de baixas qualidade, mas eles precisam de minério de ferro e de comida para sustentar um povo escravo que vive um sistema sanguinário comunista.

  3. É muito constrangedor que um diplomata venha dar “pitacos” em nossos problemas internos. Parabenizo, portanto, nosso Itamaraty ( 0 Governo brasileiro) em não aceitar passivamente esse tipo de atitude. Vivemos e queremos viver num País livre e independente. Negociar com a China, sim, aceitar ingerência não.

  4. Olá …
    Eu me chamo China, fiquei por anos trabalhando muito duro e acumulando riquezas.

    Eu tenho um fornecedor chamado Brasil, o qual tem terras mais férteis que a minha e produz alimentos, minérios e outras commodities que eu preciso comprar.

    Eu tenho um rival chamado EUA, o qual tem uma potencia militar muito maior que a minha e pretende colocar sanções ao meu comercio, me ameaçando no ranking mundial.

    Lanço um vírus, me preparo primeiro (já estou a anos acumulando riquezas para esse golpe), infecto uma pequena região, isolo, trato e perco 0,01% da minha população (perda muito menor do que em uma guerra tradicional e um custo muito menor).

    Nesse meu vírus, preservo a população mais jovem que futuramente será escravizada e elimino a população idosa, que detém conhecimento, riquezas e lideram muitos governos e empresas mundiais.

    Paro todas as minhas fábricas e produção, gerando um caos na economia mundial e digo que esse é o exemplo certo a ser feito.

    Espalho o vírus no mundo … e todo o mundo, desesperado, começa o pânico: governos gastando recursos, exércitos voltados a área de saúde, desemprego, fome, perdas astronômicas nas maiores empresas do mundo, enfraqueço toda a economia mundial.

    O mundo para, e nesse momento, nosso território começa a produzir e gerar riqueza novamente.

    Governantes não sabem o que fazer e começa a briga interna em todos os países; a população fica procurando culpados entre si e cada vez mais dá tempo para finalizar o meu golpe.

    As bolsas de valores caem.

    Começamos então, com todo o dinheiro que guardamos por anos, a comprar essas empresas as quais precisamos ter controle, a preço de banana.

    Inevitavelmente, assim como numa guerra, milhares de pessoas morrem; algum tempo depois, os ‘sobreviventes’ juntam os fatos e percebem o golpe sofrido.

    Governantes desesperados pedem para a população voltar a trabalhar, mas essa está em pânico devido às notícias e acabam gerando um conflito interno, pois o povo está desacreditado e confuso, o que dificulta o aquecimento da economia.

    Com o poder acionário de várias empresas produtivas, começo a enviar novos líderes para o exterior com o intuito de “escravizar” todo esse povo.

    A recessão nesses países vai estar muito forte e os trabalhadores irão aceitar trabalhar somente para não passarem fome.

    Tenho uma produção mundial com trabalho escravo e com produção direcionada aos meus interesses.

    Vendo um frango produzido no Brasil por apenas 1 real para o meu país, e vendo a 10 reais para o mercado interno brasileiro, os tornando cada vez mais pobres e dependentes.

    Consigo manipular a economia mundial; mando meu povo assumir cidades que sejam interessantes e tenham cadeias produtivas.

    Vocês entenderam agora o que está acontecendo?

    Para todos que ainda não enxergaram essa guerra: Vocês serão escravizados por várias gerações!

    Muitos se perguntam porque existiram guerras.

    Algumas existiram, pois, pessoas e governantes preferiram perder a vida a ver o seu povo escravizado.

    Temos que enxergar lá na frente … quando seu filho for forçado a trabalhar 12 horas por dia em uma fábrica comandada por chineses e recebendo meio salário mínimo.

    Quando ele for no mercado e não conseguir comprar comida com qualidade e preços que temos hoje.

    Para os que reclamam que o arroz está R$ 3,00 o quilo (R$ 15,00 pacote com 5kg), ele provavelmente será quase todo exportado a China e custará R$ 30,00 o pacote de 1 Kg.

    No golpe que estamos levando, pensem num jogo de estratégia, o inimigo está várias jogadas à frente.

    Fechem as bolsas, não permitam que eles comprem nossas empresas (já estão comprando, a bolsa hoje, subiu quase 10%).

    Parem de brigar entre si, vejam quem é o verdadeiro inimigo.

    Eu não sei vocês, mas prefiro morrer lutando do que ser e ver meu povo ser escravizado.

    Precisamos urgentemente dar um contragolpe ou seremos eternos escravos.

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