Mulheres se destacam como influenciadoras de política, economia e agro

Influenciadoras digitais mostram que rotina de beleza, academia e maternidade são apenas uma parte do dia a dia de quem pode e deve ajudar na construção de um país melhor.
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Renata Barreto: beleza e conteúdo para influenciar os seguidores de um país melhor
Renata Barreto: beleza e conteúdo para influenciar os seguidores de um país melhor | Foto: Arquivo pessoal

Atualmente, 70% dos brasileiros acessam a internet e 92% dos domicílios no país possuem ao menos um smartphone, de acordo com uma pesquisa realizada pelo Ibope. No total, são 230 milhões de aparelhos — ou seja, já existe mais celular que gente no Brasil. Em 2013, enquanto apenas 78,3 milhões de habitantes usavam seu telefone para conectar-se a redes sociais, em 2019 esse número disparou para 140 milhões.

Com esses dados, é possível entender por que a influência digital se tornou um componente cada vez mais forte no Brasil. E não apenas na questão de compras.

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Em 2018, uma pesquisa da Qualibest assinalava que 27% dos brasileiros acima de 19 anos seguiam algum influenciador político. Um número relevante quando se pensa que 33% também seguiam comediantes e 32% acompanhavam influenciadores de beleza — as duas categorias mais procuradas pelos internautas.

“Podemos entender que a força de um influenciador digital está na capacidade de se comunicar com seu público de forma eficaz e também de induzi-lo a propagar seu conteúdo pelas redes sociais, conquistando, assim, um alto índice de visualizações”, explica Anderson Lima, especialista em Mídia, Informação e Cultura pela Universidade de São Paulo.

Outro levantamento, realizado pelo grupo Cosmoteca, registrou que 84% dos internautas querem que os influencers se posicionem politicamente e 19% fazem questão de seguir pessoas que falam sobre economia.

Ou seja, cada vez mais, muito além de buscar indicações para compras, quem acessa a internet deseja saber mais sobre os destinos da política, da economia e dos rumos do país.

As mulheres tomam a frente

Na última terça-feira, 27 de outubro, durante toda a manhã, o nome Renata Barreto foi destaque nos Trending Topics do Twitter. Com uma busca desatenta no Google, a bela mulher loura, de olhos claros, bem que poderia ser confundida com uma musa fitness ou instagramer de beleza.

Nada poderia estar mais longe da verdade. Apesar de realmente muito bonita, Renata apareceu nos TTs da rede social por sua participação intensa na entrevista a João Doria no programa Direto ao Ponto, do colunista de Oeste Augusto Nunes, no canal do YouTube da rádio Jovem Pan. Junto ao apresentador, vieram dela as perguntas que mais incomodaram o governador de São Paulo.

Renata, aliás, está cada vez mais presente em emissoras de rádio e televisão, depois de ganhar fama como influenciadora digital. Contudo, a jovem economista conta que tudo aconteceu sem que ela pudesse prever. Renata começou a trabalhar com apenas 15 anos, para poder comprar suas próprias coisas depois que o pai passou por problemas econômicos. Aos 17 anos, no final do primeiro ano da faculdade, foi para o mercado financeiro.

“Geralmente não existe diferença de tratamento entre homens e mulheres no mercado financeiro”, afirma Renata. “É um universo mais masculino, mas vi muitas mulheres chefes e bastante respeitadas.”

Depois de 11 anos, ela deixou o banco em que trabalhou, montou consultoria própria e começou a escrever para diversos veículos de comunicação. Mas foi com uma resposta a um post no Facebook de Tico Santa Cruz, cantor e “comentarista político”, que Renata viu seu nome realmente se espalhar, dentro e fora das mídias sociais.

Dentro das redes, ela formou um público que hoje ultrapassa 300 mil seguidores no Instagram. Mesmo que tenha ficado assustada num primeiro momento com o repentino sucesso de seus posts e análises, ela admite: fica feliz em poder falar com tanta gente. “Gosto muito da interação com o público, aprendo com isso e hoje é uma ferramenta poderosa para fazer negócios, networking e conhecer pessoas.”

Pela via inversa

Já Ana Paula Henkel, colunista de Oeste, fez uma espécie de caminho contrário. Medalhista olímpica de vôlei, esporte a que se dedicou desde os 12 anos de idade, ela confessa que, durante anos, não conseguia ler tudo o que desejava, ainda que sempre tenha estado cercada de livros. Filha de pais professores, foi incentivada desde muito cedo a buscar conhecimento. Os treinos pesados e a rotina de atleta, entretanto, a obrigavam a dormir cedo e deixar as leituras para momentos mais tranquilos.

Após a vitoriosa carreira, já nos Estados Unidos, Ana resolveu se dedicar a outra paixão: a arquitetura. Durante o curso na Universidade da Califórnia, em Los Angeles (Ucla), teve aulas de História da Arte e passou a entender ainda mais a importância da política no que era construído ou destruído no mundo.

Muitos outros cursos depois, Ana relembra: “Aconteceu uma coisa que meu pai sempre disse que aconteceria: ‘Cerque-se sempre de pessoas e amigos que vão tirar o melhor de você e do que você ama fazer’.” E assim nasceram as amizades da agora influenciadora com nomes como Augusto Nunes e J. R. Guzzo, também colunistas de Oeste.

A ex-jogadora, que poderia ter optado por ganhar pontos fáceis nas redes sociais apenas falando de esporte, resolveu sacar seus argumentos e se posicionar sobre temas espinhosos, como os transexuais nas quadras e o Black Lives Matter.

“Já aconteceu antes de a minha pessoa virar alvo, não meus argumentos”, diz a campeã olímpica. “Obviamente você fica triste quando é atacado. O momento inicial é um baque. Mas, quando o tempo passa e você percebe que conseguiu quebrar uma espiral de silêncio e que o ataque que sofreu covardemente acaba se dissipando e trazendo uma colheita boa muito maior, é ótimo.”

Quem também rompeu barreiras internacionais e de falsas ideologias foi a cubana Zoe Martinez. Naturalizada brasileira, ela usa as redes sociais para desmistificar a Cuba comunista dos sonhos, imagem com a qual a esquerda ainda tenta iludir parte da população mais desavisada. “As coisas que as pessoas falavam sobre Cuba não faziam sentido com o que eu vivenciava.”

No vídeo abaixo, por exemplo, Zoe dá um exemplo da “famosa” medicina cubana.

Além de mostrar o que realmente acontece em seu país natal, Zoe não mede palavras quando o assunto é ser contra o que considera um “empoderamento feminino” forçado.

“Não preciso me intitular feminista para ter liderança sobre a minha vida”, enfatiza.

Agro, educação e autoridade

Não só de experiências internacionais e assuntos político-econômicos urbanos vivem as influenciadoras digitais que fogem do circuito “beleza-fitness-maternidade” no país.

Recentemente, uma nova geração de mulheres vem chamando a atenção para uma questão importante e que movimenta a economia brasileira: o agronegócio.

Cristiane Steinmetz é uma delas. Ao lado da irmã, Adriane, ela dirige a Fazenda Boa Vista e foi idealizadora da União das Mulheres do Agro (UMA), instituição que alavanca o tema entre o público feminino em seis países e já promoveu cinco congressos no Brasil sobre o assunto.

“Nós, mulheres do agro, queremos aprender, ensinar, agregar, atualizar e tornar nosso agronegócio mais forte”, afirma. A UMA conta com um portal que, além de reunir as informações sobre o congresso anual, dispõe de podcasts, conteúdos de capacitação e notícias sobre a área.

A escolha do símbolo da entidade foi certeira. “Escolhemos o girassol no sentido de sermos luz e energia umas para as outras”, explicou Cristiane.

“O que percebo agora é que uma janela para outros públicos começa a se abrir”, comemora Marina Piccini, criadora do Canal Agro School, outro ponto de educação agro, que também se considera uma espécie de “professora” do setor. Ela afirma que a questão da alta do preço do arroz, por exemplo, fez com que muitas pessoas que nunca haviam entrado em seu perfil a procurassem para tentar entender o que acontecia. “Isso me faz ver também a necessidade de criar outros conteúdos, que não sejam limitados ao agronegócio.”

Além de Marina e Cristiane, Renata e Ana Paula dão cursos em que falam sobre economia, política e História.

Em comum, todas essas influenciadoras possuem um mesmo instrumento: a autoridade. Conhecem a fundo o universo sobre o qual discorrem, posicionam-se claramente sobre ele e contribuem com a discussão para um país melhor.

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6 comments

  1. Prezada Roberta Ramos. Parabéns pelo artigo. Não obstante – e infelizmente- é preciso ressaltar que são de raríssimas exceções que estamos falando. A grande – grande mesmo- maioria das mulheres está na jornada tripla: trabalho, casa e filhos e marido. Mal possuem tempo para cuidarem de si próprias e têm seus sonhos postergados pela atenção aos filhos, marido, trabalho e o exaustivo laborar diário para fazer as refeições, cuidar da casa, lavar as roupas de todos e por aí vai. Também é fato que as mulheres (maioria do eleitorado) não vota em suas candidatas e também não se interessam pela política pela exclusiva falta de tempo. Acordam muito cedo, pois precisam deixar as refeições do dia pré-preparadas e retornam ao fim do dia exaustas. As professoras então nem se diga: além de tudo ainda vão, preparar suas aulas, corrigir tarefas e agora elaborar sem ajuda alguma do estado suas vídeo aulas decorrentes do isolamento social imposto à todos, menos à elas. Neste país machista de “M” ainda precisam se submeter à todo tipo de assédio profissional, terrorismo psicológicos , metas inatingíveis e violência doméstica para completar o cardápio de terror. Nesse universo de milhões de cidadãs esquecidas pelo Estado e exploradas pela sociedade patriarcal ainda há um longo e tenebroso caminho à percorrer e infelizmente não se vê nenhum alento que possa traduzir alguma esperança de mudança neste estado de coisas. Que bom que existem estas “influenciadoras” no mundo digital enquanto vivemos essa tragédia social no mundo real.

    1. Quanto ao comentário acima, qual o motivo de mulheres esquerdistas no geral são tão feias? Deve ser falta de rhola só pode! Mulher mal amada se resulta nisso mesmo! Taca le phau!

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