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ABEL FERREIRA, O INJUSTIÇADO?

Eugenio Goussinsky Eugenio Goussinsky
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ABEL FERREIRA, O INJUSTIÇADO?

Abel Ferreira chutou o microfone de captação | Foto: César Greco/Palmeiras

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O técnico Abel Ferreira, do Palmeiras, pode estar se sentindo injustiçado e perseguido por árbitros e autoridades esportivas no Brasil. Mas deve, se não pagou, no mínimo, R$ 8 mil por, novamente, ter chutado o microfone de captação. Pelo menos, nesta quinta-feira, 9, pegou oito jogos de suspensão (dois já cumpridos) por causa de seu comportamento à beira do gramado.

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Nos jogos contra o São Paulo e contra o Fluminense, ele esbravejou, xingou e gesticulou de forma agressiva. E chutou o microfone na lateral do campo. Foi, mais uma vez, um símbolo da intolerância, da falta de respeito e do egocentrismo que têm prevalecido no futebol brasileiro. Abel só não cerca o juiz, como fazem praticamente todos os jogadores, porque está do lado de fora.

Nestes tempos de guerra, o futebol é um alívio ainda maior. Nada mais acolhedor do que, depois de manchetes sobre bombardeios e mortes, se deparar com uma notícia de seu clube. Ou da Seleção. “Palmeiras jogará completo nesta quinta-feira.” Ao ler esse tipo de frase, prevalece a sensação de que o mundo não é apenas mesquinhez, corrupção e insensatez. O lúdico, por meio do esporte, é algo vital em nosso cotidiano. Assim como a cultura.

Uma forma de aproximar o futebol da guerra foi incorporar ao esporte termos militares. Vieram expressões como blitz e artilheiro. Não é o ideal, mas trata-se apenas de uma metáfora. Mesmo assim, aspectos deste mundo violento têm respingado no esporte. Jogadores comemoram gols como se disparassem metralhadoras do Comando Vermelho. Simulam faltas como se fossem influencers divulgando fake news. Ficam contrariados como crianças mimadas derrotadas no PlayStation 5.

O potencial integrador do futebol deveria ser muito mais bem utilizado. Comportamentos como o de Abel, ao contrário, aproximam o esporte do lado insano da sociedade. A situação é desigual: jogadores e membros de comissões técnicas da Série A recebem salários milionários, que fazem R$ 8 mil ser troco. Os árbitros nem sequer são profissionais. A eles resta apenas uma coisa: ter a coragem de mostrar o cartão vermelho.