A derrota da Seleção Brasileira de 1982 foi um marco. Desde então, a identidade do futebol brasileiro entrou em crise. Jogar bonito passou a ser visto como risco iminente de derrota. Naquele ano, a “escola” de Telê Santana, com gênios da bola como Sócrates, Zico, Paulo Roberto Falcão e Toninho Cerezo, se contrapôs à “escola” de Enzo Bearzot, de forte marcação.
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Mas nunca foi uma coisa ou outra. Telê Santana tinha preocupações defensivas, embora elas, diante do ímpeto criativo da equipe, não tenham prevalecido naquela Copa da Espanha. E a Itália estava longe de ser um time limitado tecnicamente. Tinha talentos como Bruno Conti, Alessandro Altobelli, Marco Tardelli e, quem não se lembra… Paolo Rossi.
Fernando Diniz fez renascer no futebol brasileiro um modelo semelhante ao de Telê, ao valorizar o toque de bola e a busca constante do ataque. Também tem aprendido a não descuidar da marcação, principalmente pela forma como organiza seus jogadores em campo. Ele levará para o Sport Club Corinthians Paulista o mesmo debate. O torcedor do clube se apegou, ao longo da história, a uma falsa ideia: a de que seu time deve fazer a garra prevalecer até mesmo sobre a técnica.
Mas a própria história corintiana desmente isso. Times com craques como Cláudio Christovam de Pinho, Luizinho, Baltazar, Sócrates, Zenon, Freddy Rincón, Edílson e Marcelinho Carioca escreveram algumas das mais belas páginas do clube.
A garra é fundamental. Desde que a torcida, em seu apego a certa obsessão cultural, não deixe de exigir também a técnica. Com Diniz, jogadores de extremo talento, como Breno Bidon, André, Rodrigo Garro e Memphis Depay terão ainda mais estímulo para mostrar que o futebol não precisa ser apenas um esporte de guerreiros.
Ele provocará também um exercício de imaginação em quem viveu o futebol dos anos 1970, 1980 e 1990. Telê Santana, afinal, nunca dirigiu o Corinthians.