O jovem Endrick ainda tem 19 anos, mas se comporta como um veterano diante da pressão. Desde que atuou pela primeira vez no profissional do Palmeiras, mantém o olhar firme, às vezes até bravo, quando necessário. Para depois, passada a tensão, liberar o sorriso de menino. Compenetração e leveza o acompanham, nos momentos fáceis e difíceis. Nesta curta trajetória, já são muitos. Nestes altos e baixos, ele tem algo inato. Fazer bem feito aquilo que tem controle. Poucos, no futebol brasileiro, já tiveram tanta confiança em estreias.
Desde o dia 6 de outubro de 2022, esta é uma constante em Endrick. Ele sabe encantar quando estreia, rompendo defesas, mostrando explosão e rapidez de raciocínio acima da média. Naquela primeira vez em que atuou na equipe palmeirense, contra o Coritiba, esbanjou personalidade. E prosseguiu sendo participativo. No primeiro jogo como titular da Seleção Brasileira, não se intimidou com a Inglaterra e fez o gol da vitória por 1 a 0 em Wembley.
Estreou como titular da Seleção, na era Ancelotti, nesta terça-feira, 31, contra a Croácia. O técnico italiano já começava a despertar a irritação da opinião pública por não colocá-lo em campo. “Ele está queimando o Endrick”. “Como vai levá-lo para a Copa?” “Por que o convocou?”
Ancelotti, no entanto, sabia o que estava fazendo. Cinco minutos para Endrick podem ser uma eternidade. Entrou aos 40. Cheio de vigor, ele sofreu o pênalti aos 42 minutos do segundo tempo, convertido por Igor Thiago. Com arranque, deu a trivela para Gabriel Martinelli marcar nos acréscimos, fechando o placar em 3 a 1 para o Brasil. Pela trajetória do jogador, seria conveniente ele ir para a Copa. Será sua estreia em Mundiais. E não haverá outro resultado, senão o título, se Endrick estrear no primeiro jogo, estrear no segundo jogo, até fazer sua estreia em finais de Copa. Essa, pelo menos, é a sua sina.