O atacante loiro, alto, Daníel Gudjohnsen, 20 anos, se aproximou de Lionel Messi, 38 anos, no final do amistoso entre Argentina e Islândia. Dá para imaginar como foi a conversa. “Messi, sou filho do Gudjohnsen, que jogou com você no Barcelona”. Messi, então, trocou o ar de enfado no fim de cada partida por um olhar de interesse. Percebeu no semblante que o observava o rosto de um menino conhecido.
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A vida e a saudade costumam falar mais alto do que as exigências e a glória no futebol. “Ah, é você?”, disse Messi, que prosseguiu. “Me lembro de você, era um garoto, vinha ver nossos treinos.” “Como está o seu pai? Mande um abraço a ele.”
Naquele momento, não era o astro, oito vezes eleito o melhor do mundo, em mais uma de suas rotineiras declarações para manter as aparências ou para agradar patrocinadores. Era um homem comum, sentindo o correr da vida, sem camisa, suado, relembrando momentos simples que constroem uma história.
O breve, e por que não, eterno, diálogo de Messi e Daníel poderia ser um entre muitos outros nesta Copa do Mundo. A Islândia não estará no Mundial. Mas são vários os jogadores que irão atuar e que são filhos de nomes que marcaram época em suas seleções.
Na França, Marcus Thuram, 28 anos (atacante), é filho de Lilian Thuram (ex-lateral-direito), campeão mundial em 1998 e ídolo da seleção francesa.
Na Holanda, Justin Kluivert, 27 anos (atacante), tem como referência o pai Patrick Kluivert (ex-atacante), um dos principais goleadores da história do futebol holandês.
Timothy Weah, 26 anos (atacante), dos Estados Unidos, joga em uma seleção diferente da de seu pai, George Weah (ex-atacante), liberiano e melhor do mundo em 1995. Giovanni Reyna, 23 anos (meia), filho do clássico Claudio Reyna (ex-meia), e Sebastian Berhalter, 25 anos (meia), filho de Gregg Berhalter (ex-zagueiro), completam a geração norte-americana.
Na Argentina, Giuliano Simeone, 23 anos (atacante), filho do técnico Diego Simeone (ex-meia), e Nico Paz, 21 anos (meia), filho de Pablo Paz (ex-zagueiro), prata olímpica em 1996.
Em Portugal, Francisco Conceição, 23 anos (atacante), é herdeiro de Sérgio Conceição (ex-atacante). Ambos têm na velocidade uma grande característica.
Na Noruega, o artilheiro Erling Haaland, 25 anos (atacante), preferiu não ter a obrigação defensiva de seu pai, Alf-Inge Haaland (ex-lateral-direito e ex-volante); Kristian Thorstvedt, 26 anos (meia), filho de Erik Thorstvedt (ex-goleiro) seguiu por outro caminho na mesma seleção. Já Alexander Sørloth, 28 anos (atacante), foi atrás de seu pai, Gøran Sørloth (ex-atacante).
Luca Zidane, 28 anos (goleiro), atua pela Argélia, filho de Zinedine Zidane (ex-meia), campeão mundial pela França em 1998 e um dos maiores jogadores da história do futebol francês. Posições e nacionalidades diferentes, em uma mesma família.
Na Escócia e na Coreia do Sul, Angus Gunn, 30 anos (goleiro), filho de Bryan Gunn (ex-goleiro); Tyler Fletcher, 22 anos (meia), filho de Darren Fletcher (ex-meia); George Hirst, 27 anos (atacante), filho de David Hirst (ex-atacante); e Lee Tae-seok, 24 anos (lateral), filho de Lee Eul-yong (ex-meia).
Filhos de ex-jogadores fora da Copa de 2026
Fora da Copa, seguem outras dinastias: o francês Khéphren Thuram, 25 anos (meia), também é filho de Lilian Thuram e já atuou na seleção.
O italiano Daniel Maldini, 24 anos (meia), filho de Paolo Maldini (ex-zagueiro) e neto de Cesare Maldini (ex-zagueiro). São três gerações que defenderam a camisa da Azzurra. Federico Chiesa, 28 anos (atacante), filho de Enrico Chiesa (ex-atacante) já é experiente. Conquistou a Eurocopa em 2020.
Outros filhos de Simeone, Giovanni,30 anos, e Gianluca, 27 anos, também são futebolistas. Giovanni já atuou pela seleção argentina em amistosos e em jogos de Eliminatórias.
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Na Islândia, Daniel, Eiður Gudjohnsen – o amigo de Messi – e Arnor Gudjohnsen, o avô, também formam uma linhagem de três gerações. Daniel ainda tem dois irmãos futebolistas: Andri Gudjohnsen, 23 anos (atacante), e Sveinn Arnor Gudjohnsen, 27 anos (atacante).
Na Holanda, estão nesta situação o grande Arjen Robben (ex-ponta), e seu filho Luka Robben, 18 anos (atacante) das seleções de base. Luka era aquele menino que, nas cadeiras da Arena Corinthians, foi filmado chorando depois da eliminação da Holanda na Copa de 2014. Robin van Persie (ex-atacante) também tem em seu filho Shaqueel van Persie, 19 anos (atacante) o seu seguidor no futebol. E o ídolo Ruud Gullit (ex-meia) vê Maxim Gullit, 24 anos (meia), seguir a mesma trilha.
Mas antes dos cumprimentos no fim do jogo, a comemoração da vitória ou o lamento pela derrota não serão o resumo de tudo. Poderão ficar menores se, em algum momento, estes jovens se encontrarem para trocar camisas com algum veterano e ouvirem dele a pergunta que conta uma história: “Como está o seu pai?”
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