No primeiro jogo da Croácia, contra a Inglaterra, nesta Copa do Mundo, Modric sentiu na pele o que é ser Cristiano Ronaldo neste momento. Mesmo com uma personalidade diferente. À esta altura, quando os 40 anos chegam para um jogador, não importa se ele é discreto, tímido até, como Modric, ou demonstre uma autoconfiança de uma forma mais expansiva, como CR7.
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Qualquer atuação um pouco menos empolgante e já surge a máxima: “tá velho, ultrapassado.” Quem brada, pelas redes sociais, tais frases repletas de veneno e preconceito muitas vezes pensa saber mais do que os próprios jogadores, que construíram uma carreira sólida justamente por que tinham noção do que faziam e do que queriam. E se não pararam é porque consideram que têm condições de prosseguir.
Cristiano deu o ar da graça depois de ser massacrado por parte da mídia na estreia, contra Congo. No jogo seguinte, fez dois gols e foi se recuperando a ponto de, contra a Croácia, ter tido uma atuação razoável, mas nada de catastrófica que justificasse a ira de seus críticos. Mesmo tipo de atuação ele teve contra a Colòmbia.
Contra a Inglaterra, Modric foi substituído no primeiro tempo, o que abriu brecha para a desconfiança padronizada. Diante de Gana, já deu a resposta com uma boa atuação. Depois, contra o Panamá voltou a não ter a grande atuação de outros tempos. Aí entra outra questão, mobilizada até por um grau de ingratidão dos que fazem cobranças excessivas aos craques veteranos, com a falsa justificativa de imparcialidade.
A exigência, em relação a eles, é a de que joguem sempre no mesmo nível de anos anteriores. Mas, quando jogadores como Cristiano Ronaldo ou Modric têm atuações medianas, inerentes a qualquer jogador, a cobrança é insana a ponto de acusá-los, sim, acusá-los, de acabados. Porque foram heróis outrora, precisam carregar essa aura em qualquer atuação.
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Modric, no entanto, resolveu responder mesmo assim. Jogando. E, ao lado de outros veteranos, como Kovacic e Perisic, deu uma verdadeira aula de futebol no segundo tempo contra Portugal. Se deslocou, criou jogadas, regeu o time. Kovacic, por sua vez, foi dinâmico. Desarmou e atacou com perigo. Perisic, da esquerda, esbanjava talento e sobriedade. Quando a bola chegava aos seus pés, alguma jogada lúcida ocorreria.
Modric já se preparava até para a prorrogação. Mas não deu. Nos acréscimos, Portugal fez o gol da vitória. Cristiano Ronaldo, pelo menos, não se despediu das Copas do Mundo. Modric, a princípio sim. Mas tudo pode acontecer. Quem sabe, ele e o próprio Cristiano Ronaldo não estarão na Copa de 2030, desafiando as críticas e fazendo o que melhor sabem. Grandes vencedores, afinal, podem sempre surpreender. Em qualquer idade.