Felipe Belli, Oeste Esporte
O Seattle Seahawks foi vendido por um valor recorde na história da NFL. A franquia acertou sua venda por US$ 9,612 bilhões (cerca de R$ 49 bilhões) para um grupo liderado pelo bilionário Vinod Khosla, cofundador da Sun Microsystems e fundador da Khosla Ventures. O negócio supera com folga o antigo recorde da liga, estabelecido em 2023 com a venda do Washington Commanders por US$ 6,05 bilhões, e agora é a segunda maior venda de uma franquia esportiva da América do Norte, atrás apenas do Los Angeles Lakers, negociado por US$ 10 bilhões em 2025. A operação ainda depende da aprovação dos demais proprietários da NFL.
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A venda acontece conforme o desejo do falecido Paul Allen, cofundador da Microsoft e proprietário dos Seahawks desde 1997. Depois de sua morte, em 2018, o controle da franquia passou para sua irmã, Jody Allen, responsável por administrar o time até que a venda fosse concluída. O dinheiro arrecadado será destinado às iniciativas filantrópicas previstas pelo espólio de Allen.
O que mais chamou atenção, porém, foi a identidade do comprador. Vinod Khosla era proprietário de uma participação minoritária no San Francisco 49ers, maior rival dos Seahawks nas últimas duas décadas. Para concluir a compra, ele será obrigado pelas regras da NFL a vender integralmente sua participação na franquia californiana antes da aprovação definitiva do negócio.
Uma rivalidade que marcou a NFL moderna
A ligação entre Seahawks e 49ers vai muito além da divisão NFC Oeste. A rivalidade ganhou força no início da década de 2010, quando as duas equipes passaram a disputar o domínio da conferência.
De um lado, Pete Carroll comandava uma defesa histórica, conhecida como Legion of Boom, formada por Richard Sherman, Earl Thomas, Kam Chancellor e Bobby Wagner. Do outro, Jim Harbaugh liderava os 49ers de Colin Kaepernick, Patrick Willis, NaVorro Bowman e Frank Gore.
O auge aconteceu na final da NFC da temporada 2013. Em um jogo considerado um dos maiores da história dos playoffs, Seattle venceu por 23 a 17 graças à interceptação de Richard Sherman sobre Colin Kaepernick nos segundos finais. A vitória colocou os Seahawks no Super Bowl XLVIII, onde conquistaram seu primeiro título ao atropelar o Denver Broncos por 43 a 8.
A rivalidade extrapolou o campo. Pete Carroll e Jim Harbaugh já acumulavam desentendimentos desde os tempos do futebol universitário, quando comandavam USC e Stanford, respectivamente. As provocações entre jogadores e treinadores ajudaram a transformar o confronto em um dos mais aguardados da NFL durante toda a década.
Valor histórico mostra crescimento da NFL
Quando Paul Allen comprou os Seahawks, em 1997, pagou US$ 194 milhões pela franquia. Quase 30 anos depois, o clube foi vendido por US$ 9,612 bilhões, uma valorização superior a 4.800%, refletindo o crescimento da NFL como principal liga esportiva dos Estados Unidos.
O novo valor também coloca os Seahawks entre as franquias esportivas mais valiosas do mundo. Nos últimos anos, os direitos de transmissão da NFL bateram recordes, enquanto receitas com patrocínio, marketing e estádios elevaram significativamente o preço das equipes.
O que muda para os Seahawks?
Apesar da troca de comando, a expectativa é de que pouca coisa mude no curto prazo. A família Khosla afirmou que pretende manter o compromisso com Seattle e preservar o legado construído por Paul Allen. O clube seguirá mandando seus jogos no Lumen Field, onde possui contrato de longo prazo, e a prioridade será manter a equipe entre as protagonistas da NFL.
A curiosidade é que o negócio une, ainda que de forma indireta, os dois maiores rivais da NFC Oeste. Vinod Khosla precisará abrir mão de qualquer vínculo com o San Francisco 49ers para assumir oficialmente o controle dos Seahawks, encerrando uma situação inédita na história recente da liga e colocando um novo capítulo em uma das rivalidades mais intensas do futebol americano.