Quando Juergen Esser, diretor financeiro da Danone, anunciou um boicote à soja do Brasil, a empresa correu para desmentir o executivo. O caixa da companhia mostra os motivos dessa agilidade. O país é o maior mercado da companhia na América Latina, região onde o grupo aumentou o faturamento em 8% ao longo de 2024.
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As operações da empresa na América Latina em 2024 renderam € 3 bilhões (R$ 18 bilhões na cotação atual. O grupo divulgou os resultados nesta quarta-feira, 26. As operações da Danone nesse mercado se estendem por quatro países: Uruguai, Argentina, México e Brasil. Juntas, essas nações abrigam quase 400 milhões de habitantes — e mais da metade deles são brasileiros.
Danone no Brasil
A empresa atua no mercado brasileiro há 50 anos. É um desses casos em que a marca se tornou sinônimo do produto quando o assunto é iogurte. Além da linha de produtos com o próprio nome, a empresa é dona das marcas Danette, Corpus, Silk, YoPro, Actimel e Danoninho. O mix envolve centenas de produtos. Ao todo, ela opera duas fábricas no país.
Soja brasileira
Um dos insumos para a produção de leite é a soja. Ela é uma fonte importante para a nutrição das vacas que geram a bebida. O Brasil tem a maior safra desse grão em todo o planeta, sendo responsável por 40% da oferta mundial. Assim, onde houver gado, é bem provável que também exista soja brasileira para alimentar o animal — sobretudo se a criação ocorrer em sistema de confinamento.
Ainda assim, no fim de outubro de 2024, Esser afirmou que a Danone não usava soja do Brasil em sua cadeia produtiva. A declaração ocorreu em uma entrevista à Reuters. “Garantimos que só levamos ingredientes sustentáveis”, disse, logo depois de afirmar que o abastecimento da empresa provinha da Ásia.
O episódio levou a uma reação em massa entre os agricultores. Diante da repercussão, a Danone emitiu uma nota em que admite que continuaria comprando o grão do Brasil. No texto, classificou-o como um “produto sustentável”.