O vírus da imaginação

Não embarquem nas teorias conspiratórias que foram divulgadas nos últimos dias.
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Não embarquem nas teorias conspiratórias que foram divulgadas nos últimos dias

O fim de semana mal começou e, após dias intensos devido ao anúncio feito pela Organização Mundial de Saúde (OMS) de que o coronavírus se transformou em uma pandemia, agora temos uma triste notícia que vai colaborar ainda mais para o clima estranho em que já vivemos: o súbito falecimento de Gustavo Bebianno, o ex-secretário-geral da Presidência da República no governo Jair Bolsonaro.

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A morte do ex-ministro e a repercussão em torno do coronavírus estão ligadas por um fator que não pode ser ignorado na  sociedade contemporânea: o fascínio pelas teorias conspiratórias.

Não à toa, nossos ouvidos e nossos olhos foram agredidos nos últimos dias por afirmações peremptórias a respeito da doença: ela foi classificada como uma “trama para abafar os protestos do dia 15 de março”, que seriam a favor do Executivo e de oposição ao Legislativo; como uma “conspiração para destruir Trump em relação à guerra comercial contra a China”; e como uma “manobra do capitalismo para acentuar ainda mais o estado de exceção”.

A morte de Bebianno, apesar de ter ocorrido há poucas horas, ganhou também divagações semelhantes: vários comentaristas de redes sociais pouco conhecidos afirmaram que talvez o ex-ministro tenha sido envenenado, em um método que teria sido inventado pelo Mossad; e também insinuaram que outros opositores do governo Bolsonaro – entre eles, o deputado Alexandre Frota e o presidente do PSL, Luciano Bivar – deveriam preparar seu testamento.

O encanto pelas teorias conspiratórias faz parte dos fascinantes labirintos da mente humana. Por um lado, elas dão sentido a um mundo caótico; por outro, colaboram para o “ruído do tempo”, cujo intento é prejudicar o debate público, o que, de toda forma, dificulta ainda mais a compreensão da sociedade para o homem comum.

Em um artigo acadêmico já considerado clássico, de autoria de Richard Landes (scholar americano sobre o assunto de mentalidades apocalípticas e do pensamento medieval), explica-se que, apesar de suas bizarrices, as conspirações devem ser esclarecidas e denunciadas constantemente, pelo simples motivo de que elas são uma espécie de vírus da imaginação.

Uma imaginação delirante, é claro, mas ainda assim uma imaginação que contagia a quem estiver disposto a abraçá-la como se fosse a única explicação da realidade.

Que as tragédias de Gustavo Bebianno e das mortes provocadas pelo coronavírus não nos façam cair nessa armadilha – que deve ser desmascarada para que as notícias falsas (fake news) não contaminem nossa consciência.

 

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