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Cinema sul-coreano explode no Brasil e triplica presença nas salas em 2025

Com 33 estreias no ano, produções da Coreia do Sul ampliam público, diversificam formatos e consolidam a ‘onda coreana’ nas telonas brasileiras

A Criada
Poster do filme coreano 'A Criada' | Foto: Divulgação/Redes Sociais

O cinema sul-coreano viveu em 2025 seu maior momento no Brasil, segundo levantamento da Folha de S.Paulo. Ao longo do ano, 33 produções — entre longas-metragens, documentários musicais e exibições especiais de shows de k-pop — chegaram às salas nacionais, número que representa um crescimento de 200% em relação ao ano anterior. 

O avanço consolida a presença da cultura coreana no circuito comercial e amplia o perfil do público que frequenta as sessões. O fenômeno acompanha a expansão da chamada hallyu, a onda cultural sul-coreana que já havia conquistado o país por meio de séries, música e produções audiovisuais nas plataformas digitais. Em 2025, esse movimento se refletiu de forma inédita no cinema, tanto em volume quanto em diversidade de títulos.

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Durante anos, o cinema coreano chegou ao Brasil de forma pontual, restrito a festivais ou a lançamentos de diretores consagrados voltados ao público cinéfilo. Obras como “A Criada”, “Mother – A Busca pela Verdade” e “Em Chamas” circulavam em poucas salas e tinham alcance limitado.

Esse cenário começou a mudar com “Parasita”, vencedor do Oscar em 2020. O filme atraiu cerca de 1 milhão de espectadores no Brasil e arrecadou R$ 18,8 milhões, recorde absoluto para uma produção sul-coreana no país. 

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“Parasita foi um divisor de águas”, afirmou André Sturm, fundador da distribuidora Pandora. “Depois dele, o interesse por filmes coreanos cresceu de forma consistente.”

A pandemia também desempenhou papel decisivo. Com o aumento do consumo de k-dramas e filmes asiáticos no streaming, formou-se uma nova base de espectadores, que passou a acompanhar os lançamentos nas salas físicas.

K-pop e novos formatos dominam as telas

Em 2025, a maior parte das estreias esteve ligada à música. Vinte títulos foram dedicados a shows, bastidores e documentários de artistas de k-pop, formato que se consolidou durante a pandemia e atualmente supera, em número de lançamentos, os filmes de ficção tradicionais.

O documentário “RM: Right People, Wrong Place”, sobre o líder do BTS, foi o maior sucesso do ano, com 47 mil espectadores e R$ 1,5 milhão em bilheteria, desempenho considerado o melhor do mundo para esse título. 

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Segundo Nelson Sato, fundador da Sato Company, informou a Folha de S.Paulo, “trazer shows e documentários dos ídolos se tornou uma forma eficiente de conectar fãs e atrair público para os cinemas”.

Produções de ficção também ampliaram espaço. Comédias românticas e filmes de apelo comercial, como “A Menina dos Meus Olhos” e “12.12: O Dia”, dividiram a programação com obras autorais de cineastas como Hong Sang-soo e Kim Jee-woon, refletindo a diversidade do cinema sul-coreano contemporâneo.

Dados, critérios e expansão cultural

Os números foram apurados com base em dados da Ancine e do Filme B, considerando lançamentos entre 2009 e dezembro de 2025. Entraram no levantamento apenas produções feitas ou coproduzidas pela Coreia do Sul, excluindo filmes de diretores coreanos produzidos integralmente em Hollywood.

Apesar do crescimento, o setor ainda enfrenta desafios. A disputa por salas com produções hollywoodianas e a resistência inicial de exibidores seguem como obstáculos. Ainda assim, títulos coreanos alcançaram números expressivos de exibição: o documentário do BTS chegou a 315 salas, enquanto “A Menina dos Meus Olhos” foi exibido em 268.

Além do circuito comercial, festivais especializados ganharam força. A Mostra de Cinema Coreano chegou à 14ª edição, o Korean Film Fest expandiu sua presença por seis Estados, e instituições como o MIS e a Cinemateca exibiram retrospectivas gratuitas, ampliando o alcance cultural das produções.

Com público crescente, diversidade de formatos e maior atenção do mercado, o cinema sul-coreano deixou de ser nicho e passou a ocupar espaço relevante nas telas brasileiras — tendência que deve se consolidar nos próximos anos.

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