O documentário Melania teve seu lançamento comercial nesta sexta-feira, 30. Dirigido por Brett Ratner e produzido sob controle direto da própria Melania Trump, a atual primeira-dama dos Estados Unidos (EUA), o filme registra os bastidores do retorno da família à Casa Branca, às vésperas da posse presidencial de janeiro de 2025.
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O presidente Donald Trump aparece poucas vezes. O documentário o coloca em um papel secundário. Isto em um momento no qual todos os holofotes estão em torno dele, desde a Groenlândia até a Venezuela. Trump parece ter lidado bem com a situação. O presidente participou de boa parte da produção, com sugestões. Sorridente, recebeu convidados para a pré-estreia, com ar orgulhoso.
Em conversas rápidas, nas cenas do documentário, ele elogia Melania, comenta o resultado da eleição e ironiza o fato de a posse coincidir com a final do campeonato universitário de futebol americano. As interações do casal são breves, controladas e cuidadosamente editadas. Mantêm o presidente fora do centro da narrativa.
O documentário se distancia do contexto político e opta por um retrato autocentrado, mais próximo de um ensaio estético do que de uma investigação sobre poder, conforme relatam o The Guardian e o USA Today. A obra foi produzida pela Amazon MGM Studios, que venceu a disputa com outros gigantes ao oferecer US$ 40 milhões, valor mais alto já pago em um documentário
Ao longo de 104 minutos, a câmera acompanha Melania em atividades rotineiras: provas de figurino, seleção de tecidos, entrevistas com candidatos a cargos administrativos e reuniões protocolares.
O registro visual é marcado pelo silêncio, por corredores amplos e por uma atmosfera controlada, quase asséptica. Assessores e funcionários surgem sempre em segundo plano, vestidos de maneira homogênea, como se integrassem a cenografia.
A construção da imagem ocupa papel central. As sequências de ajustes de roupas são longas e minuciosas. Melania orienta costureiros com precisão quase obsessiva, rejeitando qualquer peça larga ou mal ajustada. A estética não aparece como detalhe secundário. Cada dobra, costura e caimento parece carregar um significado simbólico.
Os eventos ligados à posse presidencial surgem de forma fragmentada. O filme mostra decisões sobre convites, decoração e logística, sem adentrar em aspectos emocionais. Em uma das raras referências à comida, um aperitivo dourado é aprovado pela aparência. Ao longo de toda a narrativa, Melania não é vista comendo nem bebendo.
O documentário também reforça a imagem da primeira-dama como alguém com forte senso decorativo. Ela supervisiona a reocupação da Casa Branca depois da saída da família Biden, acompanha a limpeza de tapetes, o reposicionamento de móveis e a preparação de salões para eventos oficiais. Obras de arte e elementos visuais são apresentados como extensão de sua identidade, ainda que nem sempre sejam originais.
Melania e a família
A relação com o filho Barron recebe um tratamento mais afetivo, embora igualmente contido. O jovem aparece em silêncio, quase sempre à distância. Melania o descreve como confiante e inteligente, enquanto Trump fala do filho com orgulho.
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Há encontros protocolares com lideranças internacionais, como a rainha Rania, da Jordânia, e Brigitte Macron, primeira-dama francesa, além de menções a causas humanitárias específicas. O filme evita discutir políticas públicas ou decisões concretas.
Os momentos de espontaneidade surgem quando Melania canta e dança ao som de Michael Jackson e do Village People ou quando se emociona ao assistir a reportagens sobre incêndios florestais na Califórnia. A morte de sua mãe, Amalija Knavs, é evocada como referência emocional recorrente. Os detalhes, no entanto, são preservados.
Há ainda aparições silenciosas de figuras como Elon Musk, Mark Zuckerberg e Jeff Bezos. Melania evita adentrar na intimidade da primeira-dama. Mas a mostra de uma maneira que não deixa de ser verdadeira, ao associar sua imagem a controle e força.
Lá nos EUA eles têm Melania; já aqui no Bananil temos a esbanja, brega, cafona e super ignorante.