O ator Robert Duval morreu, aos 95 anos, neste domingo, 15, em Connecticut, nos Estados Unidos. Ao longo de sua trajetória, acumulou interpretações que o levaram a ser um dos maiores da história de Hollywood. Tornou-se um mestre em transitar pelo universo masculino, em personagens marcados pela simplicidade, pelo autoritarismo ou pelo equilíbrio.
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No clássico Um Dia de Fúria, dirigido por Joel Schumacher, fez o papel do policial prestes a se aposentar, Martin Prendergast. O filme, de 1993, não lhe valeu o Oscar, mas ficou marcado por uma interpretação tão profunda quanto atual. No enredo, William Foster (Michael Douglas), chega à conclusão de que a realidade da vida é a culpada dele ter se tornado um homem sem posses e sem perspectivas. Ele vai provocando uma série de catástrofes, embaladas por suas frustrações com o cotidiano.
Foster se cansou de sua sensação de solidão em um mundo insano, em que cada um se volta aos seus próprios interesses. Ninguém o ouve, ninguém o vê. Em tese, tem suas razões. Sente-se explorado, injustiçado. Sua mulher, Beth Travino (Barbara Hershey) buscou o divórcio. Sem um motivo concreto, pelo menos na visão dele, o afastou da filha.
A cena inicial do filme traz justamente o momento em que, irritado com tudo e com todos, Foster deixa o seu carro. Ele estava indo ver a filha. Mas entra em um surto. Sai em meio a um congestionamento em Los Angeles. Vestido com uma camisa social de manga curta, várias canetas no bolso, gravata e cabelos em ordem. É o retrato cidadão de classe média norte-americano.
Está desempregado, o que é mais um gatilho para colocar seu ódio para fora. Ele vai perdendo os limites. Mata um dono de loja coreano que o recebe mal, jovens de uma gangue de latinos que tentam assaltá-lo, um vendedor nazista que tenta intimidá-lo.
A cada ato, vai se rearmando. E se justificando. Ameaça os atendentes no balcão da lanchonete. Ficou irado ao ver que o retrato, acima da chapa, mostra um sanduíche muito maior do que na realidade. À esta altura, já está com uma metralhadora. Foi se armando a cada agressão. Começa com um taco de basebol na loja do coreano e chega a um armamento pesado.
O seu contraponto, no filme, é o policial Prendergast, interpretado por Duvall. Este é outro que tem motivos para odiar o mundo. Está em seu último dia de trabalho, antes de se aposentar. Não é reconhecido por seu trabalho eficiente e leal. Tem problemas com a mulher, frustrada e dominadora por sentir que sua beleza foi se perdendo com o tempo.
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Sua última missão é parar Foster. Vai no rastro da destruição. Ambos se encontram em um píer, com os ruídos da cidade se misturando ao diálogo e ao vento. Uma discussão filosófica, urbana e moderna. Prendergast entende o sentimento de Foster, mas não aceita sua reação.
Foi apenas um dos trabalhos notáveis de Duvall no cinema. Ao longo de mais de seis décadas de carreira, ele deixou personagens decisivos em O Poderoso Chefão, Apocalypse Now, A Força do Carinho (filme que lhe rendeu o Oscar de Melhor Ator, em 1983) e em várias obras que marcaram diferentes épocas.
Mais um grande ator que nos deixa! Personagens fantásticos que sempre estarão conosco.
Coincidência – ontem mesmo estava vendo na TV “O Juiz”, com Duvall e Robert Downey Jr.