Uma das posições em que o treinador Carlo Ancelotti tem menos ingerência na Seleção Brasileira é a de goleiro. A palavra final é dele. Mas a orientação é sempre de Taffarel. O ex-goleiro, tetracampeão mundial em 1994, tem autonomia para indicar nomes, na função de preparador de goleiros da equipe. E sua sugestão tem sido sempre aceita. Foi ele quem decidiu, por exemplo, pela convocação do experiente Weverton para a Copa do Mundo de 2026, em lugar de Hugo Souza e de Bento, que vinham sendo chamados. No mesmo dia em que Ancelotti anunciou os convocados, Taffarel chamou para si a responsabilidade de explicar o porquê da escolha. Disse que, em função de questões físicas dos outros goleiros, Alisson e Ederson, optou pela experiência de Weverton para completar o trio de convocados para a posição.
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Poucos meses antes, em declarações a Oeste, ele tinha demonstrado muita confiança na atual geração de goleiros brasileiros. Depois do jogo contra o Chile, em setembro, no Maracanã, ele concordou com a afirmação de que, no momento, não seria considerado absurdo a convocação de qualquer goleiro de um time da Série A, ou até de alguns da Série B do Brasil. Todos, em função da evolução dos treinamentos, estão em alto nível, segundo Taffarel. Sua função, explicou, não é, portanto, colocar ninguém em forma.
“Temos uma boa escola brasileira de goleiros”, afirmou Taffarel. “Também temos bons treinadores para a função. Isso é uma coisa que o Brasil tem: bons treinadores de goleiros, uma escola ótima, muito técnica, mesmo com uma cobrança excessiva aqui no Brasil, principalmente com os jovens, que acabam tendo pouco espaço.”
Segundo Taffarel, apesar dele mesmo ter optado pela experiência, ao chamar o campeão olímpico e integrante do elenco na última Copa, Weverton, há sempre espaço para os jovens crescerem. “É compreensível o fato de às vezes o treinador querer arriscar menos e colocar um goleiro mais experiente, mas eu acho que tem goleiros jovens também, já prontos para jogar”, admite o preparador. “O mais importante é estar bem. Como você disse, a nossa lista é ampla.”
Foi neste momento que ele descreveu sua função muito mais como uma atividade de manutenção. Claro que, por sua experiência, ele sempre costuma dar uma ou outra dica para o aperfeiçoamento. “Meu objetivo maior é o de manter o alto nível dos goleiros, porque a gente sabe de onde eles estão vindo”, prossegue Taffarel. “Sabemos quem são os treinadores deles, que tipo de trabalho eles fazem.”
Orientações de Taffarel
Isso não quer dizer, prossegue ele, que não haja espaço para algumas orientações. “Aqui é só um palpite de um ex-goleiro que tem uma experiência, de repente, que possa ajudá-los”, diz Taffarel. “Mas nada assim de querer mudar, até porque quando o goleiro chega aqui na Seleção Brasileira, é muito difícil querer mudar alguma coisa. O goleiro tem que estar muito bem preparado. Fazemos o nosso trabalho diário, alguns exercícios diferentes, mas quase todos aí são da mesma linha. Mesmo assim, acredito que algo daqui ajuda eles nos clubes também, com certeza.”
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Uma das maneiras de Taffarel se manter atualizado em relação à preparação dos goleiros é, conforme ele diz, manter o contato permanente. Isso é tão ou mais importante do que assistir aos jogos, segundo ele. “Lógico, a gente sempre está em contato”, garante Taffarel. “Acho muito boa essa relação que a gente tem. Quando estou aqui, sou visto como o melhor treinador do mundo. Porque me aproprio de todos os melhores recursos, humanos e de treinamento. E isso se deve também ao fato de a gente ouvir outros treinadores.”