Em artigo publicado nesta quinta-feira, 27, o coordenador da editoria de Política do jornal Estadão, Ricardo Corrêa, fez uma análise do que estaria por trás da histórica impopularidade de Lula da Silva em seu terceiro mandato como presidente da República.
Na opinião do jornalista, Lula colhe resultados não apenas em razão do mau desempenho em áreas importantes da estrutura governamental, como a economia, a saúde e a segurança. A insatisfação do brasileiro vem, também, da percepção acerca principalmente da reedição de métodos insustentáveis.
Lula e seus balões de ensaio
Corrêa reforça que os dados capturados pelas principais pesquisas de opinião refletem a decepção generalizada no Brasil com o tema inflação associado ao preço dos alimentos. Recorta, da mesma forma, o impacto da violência em Estados como Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia e Pernambuco. E ainda destaca os efeitos de reputação em Minas Gerais, Paraná e Goiás devido à gestão na saúde.
Tudo isso tem um peso que, contudo, nem de longe encontraria respaldo na suposta justificativa de falha de comunicação, opina Corrêa. Para o jornalista, o que Lula fez e continua fazendo é uma espécie de jogo de cena. “Lula sempre foi conhecido por produzir balões de ensaio e adiar decisões para que sejam tomadas a seu próprio tempo. É assim com o anúncio de medidas de impacto ou com a troca de ministros”.
Conforme o jornalista, “entrega-se uma responsabilidade a um burocrata de segundo ou terceiro escalão para depois condená-la nos escalões superiores quando se percebe que vai pegar mal. Assim, o que não agradou nunca foi intenção de ministro ou presidente, foi ideia de um voluntarioso qualquer, e o que pareceu funcionar é implementado”.
Corrêa observa, no entanto, que os tempos mudaram. “Quando o governo vai desmentir a existência de determinada proposta, ela já se tornou verdade. E o anúncio de que aquilo não será implementado não é identificado como um desmentido, mas um recuo. O que mina a credibilidade da gestão”.
Um governo sem ideias
O artigo recomenda, contudo, cautela na avaliação quanto à capacidade de recuperação de Lula, mas reconhece que está próxima a constatação de que “há no País um governo sem ideias para resolver os dramas diários do brasileiro e sem capacidade de dialogar”.
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