O futuro é definitivamente onde se encaixa o Grupo BBF – Brasil BioFuels. Prestes a completar 15 anos, a companhia consolidou um modelo de negócio disruptivo, que envolve de forma sustentável o agronegócio, a produção de biocombustíveis e a geração de energia renovável – tudo isso na Amazônia, preservando o ecossistema e estimulando o desenvolvimento socioeconômico em comunidades isoladas da região.
Quando falamos do Itaú, sabemos que se trata de uma empresa financeira. Da Natura, logo nos vem à mente uma empresa de cosméticos. E como definir uma empresa que tem por objetivo mudar a matriz energética e descarbonizar a Floresta Amazônica? Sim, é de dar um nó na nossa cabeça que, não raro, funciona de forma binária para facilitar os afazeres do cotidiano. A verdade é que, entre os extremos, existe uma série de variáveis. E é nessas entrelinhas que a BBF tem se consolidado como uma das empresas mais inovadoras do mercado nacional, sem a preocupação de se definir como “empresa de que”, e sim de colocar em prática um modelo de negócio sustentável, que está moldando o futuro, a partir de sementes plantadas hoje. Ou melhor, em 2008.
Seis anos antes de firmar a pedra fundamental em São João da Baliza, município do Estado de Roraima, o CEO e fundador da BBF, Milton Steagall, fez uma viagem à capital Boa Vista, a convite de um amigo, para conhecer de perto o que seria a nova fronteira do agronegócio no Brasil. “Roraima e aquela visita ficaram na minha alma”, relembra Steagall, que naquele momento teve um insight de empreendedorismo. Com a sua larga experiência no setor de biocombustíveis, nos anos seguintes, investiu em pesquisa e desenvolvimento e trabalhou para a implantação de normas ambientais que permitissem a cultura de palma de óleo em áreas degradadas da Amazônia.

Não entenda que plantar semente, citada no parágrafo acima, seja uma metáfora. É a semente da palma de óleo o catalizador para esta empresa que, em 2021, somou em ativos mais de R$ 1,5 bilhão em investimentos e gera mais de 6 mil empregos diretos e 18 mil indiretos.
O ecossistema do negócio da BBF é verticalizado e integrado em três frentes, que tem início no agronegócio, com o cultivo sustentável da palma de óleo em mais de 68 mil hectares na região Norte, que alimenta a produção de biocombustíveis utilizados nas 25 usinas termelétricas próprias para geração de energia elétrica limpa, e que atendem mais de 140 mil clientes moradores de localidades atendidas pelos Sistemas Isolados. Neste ciclo integrado, o cultivo da palma de óleo, em áreas degradadas, captura, anualmente, mais de 421 mil toneladas de carbono da atmosfera amazônica, e a geração de energia elétrica renovável biocombustíveis produzidos a partir do óleo de palma retira mais de 106 milhões de litros de diesel fóssil da região todos os anos. “A Amazônia está intoxicada pela queima do diesel fóssil usado no transporte e na geração de energia elétrica para as comunidades isoladas. A missão da BBF é limpar o pulmão da Amazônia com energia limpa e renovável, gerando emprego e renda para as comunidades locais”, explica Steagall.

Fruto dourado
O cultivo sustentável da palma de óleo em áreas degradadas da região Amazônica estimula a recomposição do solo e reflorestamento, a geração de emprego e renda e o desenvolvimento socioeconômico.
Espécie exótica no Brasil, a palma de óleo (Elaeis guineensis), como é chamada no segmento do agronegócio, tem sua origem na região Oeste do continente africano e chegou em solo brasileiro trazido nos navios escravagistas. A planta se adaptou principalmente na Bahia, onde é conhecida como dendezeiro e seu óleo é ingrediente indispensável para vários pratos da culinária baiana.

O cultivo sustentável em larga escala só foi possível com o estabelecimento de uma legislação específica, prevista no Zoneamento Agroecológico da Palma de Óleo para as Áreas Desmatadas da Amazônia Legal, de 2010, com a publicação do Decreto Federal no. 7.172. A inciativa da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) contou com a parceria de outras instituições, apoio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), empresa pública brasileira de fomento à ciência, tecnologia e inovação, e é parte do Programa de Produção Sustentável de Palma de Óleo no Brasil, do Ministério do Meio Ambiente.
Por se tratar da Amazônia, todos os olhos estão voltados para qualquer tipo de intervenção nesse ecossistema. O manejo sustentável da palma de óleo é feito em áreas degradadas até 2007 e segue os indicadores estabelecidos pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama).
Frente a outras culturas destinadas à produção de óleos, a da palma de óleo se destaca pelo alto rendimento por tonelada, que chega ser até 10 vezes superior ao da soja. A BBF produz mais de 200 mil toneladas de óleo de palma anualmente em suas próprias usinas extratoras instaladas nos Estados de Roraima e do Pará, e se consolidou como a maior produtora de óleo de palma da América Latina.
O fruto dourado rende mais que números invejáveis. Ele permite que o propósito da BBF em mudar a matriz energética da região Norte, se concretize, beneficiando pessoas moradoras de lugares isolados, como as da comunidade indígena Tikuna, que utiliza a energia produzida a partir do biodiesel no vilarejo do Feijoal, localizado no município de Benjamin Constant, na região do Vale do Javari, no Estado do Amazonas.

No nosso próximo capítulo desta série de conteúdos, vamos saber mais sobre a segunda etapa deste modelo de negócio disruptivo da BBF: a produção dos biocombustíveis e como eles têm contribuído para a descarbonização da Amazônia e do Brasil.