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Início Ciência

Um novo estudo descobriu que a amônia liberada pelas fezes dos pinguins na Antártida contribui significativamente para a formação de nuvens

Gessika Cristiny Santos de Oliveira Por Gessika Cristiny Santos de Oliveira
05 abril 2026 07:05
Em Ciência
Um novo estudo descobriu que a amônia liberada pelas fezes dos pinguins na Antártida contribui significativamente para a formação de nuvens

Emissões de amônia do guano de pinguins favorecem a formação de nuvens na Antártida

Entre glaciares, ventos fortes e temperaturas extremas, a Antártida costuma ser descrita como um imenso deserto gelado, quase imutável, mas pesquisas recentes mostram que processos biológicos, em especial o papel do guano de pinguim e amônia, influenciam a atmosfera, a formação de nuvens e até o clima regional, revelando como a interação entre fauna, gelo e oceano pode alterar o balanço de energia sobre o continente.

O que é o guano de pinguim e por que ele importa para o clima?

O excremento das aves marinhas, conhecido como guano, não se limita a acumular no solo gelado. Ao entrar em contato com o ar, esse material libera compostos químicos que interagem com a atmosfera quase livre de poluição da Antártida.

Em uma região com pouca poeira e baixas concentrações de partículas em suspensão, qualquer nova fonte de substâncias voláteis pode alterar o comportamento das nuvens e o balanço de energia sobre o gelo. Por isso o guano passou a ser visto como um componente importante da química atmosférica polar.

Um novo estudo descobriu que a amônia liberada pelas fezes dos pinguins na Antártida contribui significativamente para a formação de nuvens
O guano de aves altera a química das nuvens polares.

Como o guano de pinguim e amônia formam aerossóis e nuvens?

Para compreender esse fenômeno, deve-se observar a amônia ($NH_3$). O guano possui altas concentrações de nitrogênio que, durante a decomposição, libera amônia em estado gasoso. Esse efeito é especialmente marcante no verão antártico, época de grandes aglomerações de colônias.

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Estudos de 2024 e 2025 mostram que as concentrações de amônia perto de algumas colônias podem superar em milhares de vezes os níveis médios da atmosfera antártica. Esse gás reage com ácido sulfúrico e vapores orgânicos, favorecendo a formação de aerossóis atmosféricos que funcionam como núcleos de condensação de nuvens.

Leia também: Dezenas de espécies desconhecidas foram descobertas em uma grande expedição de pesquisa no Oceano Pacífico

Qual é o papel da amônia do guano na química da atmosfera?

Medições recentes revelam que as emissões de amônia não cessam quando os pinguins migram para outras áreas. Mesmo após o fim da temporada de reprodução, o solo encharcado de guano continua liberando o gás por mais de um mês, mantendo ativa a produção de aerossóis.

De forma simplificada, o fitoplâncton do oceano emite dimetilsulfeto que na atmosfera forma ácido sulfúrico. Quando essa névoa ácida encontra plumas de amônia e dimetilamina do guano ocorrem reações ácido base que geram sais estáveis como sulfato de amônio, originando partículas ultrafinas que crescem até virar núcleos de condensação de nuvens.

Um novo estudo descobriu que a amônia liberada pelas fezes dos pinguins na Antártida contribui significativamente para a formação de nuvens
Guano e plâncton formam as nuvens polares.

Como os pinguins e o guano de pinguim e amônia podem afetar o aquecimento da Antártida?

Massas de ar que passam sobre colônias densas de pinguins mostram aumento no número e no tamanho das partículas em suspensão, atingindo valores próximos de regiões mais poluídas, porém gerados de forma natural. Esses aerossóis se tornam sementes de gotas de nuvem e podem formar neblina densa e nuvens baixas.

As nuvens produzidas a partir da amônia do guano tendem a ser mais numerosas e brilhantes, aumentando a refletividade da atmosfera e favorecendo um leve resfriamento local em muitas áreas costeiras. Em um cenário de aquecimento global crescente, esse efeito funciona como uma retroalimentação climática, mas depende da conservação das colônias de pinguins, do gelo marinho e da biodiversidade polar para se manter ativo e ajudar a estabilizar o clima regional.

Tags: AntártidaCiênciaNatureza

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