O desaparecimento dos tigres-da-tasmânia ainda gera fascínio e busca incessante por respostas na biologia moderna. Uma descoberta geológica na costa sul da Austrália acaba de revelar como esses predadores dominavam a paisagem australiana milênios antes de sua extinção, por meio de pegadas preservadas em dunas de areia petrificadas há 120.000 anos.
Como os paleontólogos encontraram as pegadas dos tigres-da-tasmânia?
A equipe liderada pelo paleontólogo Aaron Camens, da Universidade de Adelaide, localizou as marcas em dunas de areia petrificadas conhecidas como Formação Bridgewater, um arquivo fóssil a céu aberto na costa sul da Austrália. Segundo a ABC News, a expedição focou na região de Coffin Bay, na Península de Eyre, onde o sedimento oceânico se solidificou em arenito ao longo dos milênios.
O sucesso da missão contou com a contribuição indispensável de Ross Allen, guarda-parque aposentado que mapeou esses sítios por mais de vinte anos consecutivos.

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Como os cientistas identificaram que as pegadas pertencem aos tigres-da-tasmânia?
Diferenciar marcas milenares exige um olhar altamente treinado, pois a erosão contínua disfarça facilmente os contornos originais da pedra. As impressões dos tigres-da-tasmânia possuem formato perfeitamente circular e indicam a anatomia de um animal com patas de morfologia canina.
A cronologia resolveu o mistério: como a chegada do dingo ao continente australiano ocorreu há apenas quatro milênios, o único grande predador com essa anatomia capaz de pisar na areia molhada há mais de 100 mil anos era o lendário Thylacinus cynocephalus.

Quais outras espécies extintas deixaram pegadas na mesma região?
As camadas de arenito da Península de Eyre documentaram pegadas de diversas outras criaturas que dividiam o mesmo território litorâneo durante o Pleistoceno. O local funcionava como um verdadeiro corredor de biodiversidade no período glacial:
- Diabos-da-tasmânia: pequenos marsupiais necrófagos que ainda sobrevivem ilhados na Tasmânia
- Cangurus gigantes: enormes herbívoros da era pré-histórica que já estão totalmente extintos
- Diprotodon: catalogado como o maior mamífero marsupial que já caminhou sobre a Terra
O que a biologia revela sobre a extinção dos tigres-da-tasmânia?
Apesar do nome remeter aos felinos asiáticos, os tigres-da-tasmânia eram o maior marsupial carnívoro do planeta, com aparência física de um cão de porte médio. Sua anatomia exibia listras escuras marcantes nas costas, uma cauda muito rígida e a bolsa abdominal típica da sua classe reprodutiva.
A espécie desapareceu do continente principal devido à intensa caça humana e à enorme competição por alimentos. O último exemplar registrado oficialmente pereceu em 1936 no Zoológico de Hobart, na Tasmânia, encerrando uma linhagem genética com milhões de anos de história.

As dunas petrificadas provam que a geologia guarda mais respostas do que imaginamos
Encontrar pegadas preservadas após 120.000 anos prova a resiliência assombrosa dos registros geológicos do planeta. O trabalho minucioso de Aaron Camens e sua equipe transforma grãos de areia solidificados em janelas nítidas para um passado que a ciência ainda está aprendendo a ler.
Preservar a costa litorânea australiana garante que as futuras gerações de pesquisadores continuem desvendando os segredos do ecossistema global. E enquanto o avanço da biotecnologia avança lado a lado com a paleontologia, a tristeza da extinção dos tigres-da-tasmânia começa a ganhar contornos de uma esperança científica real.









