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Início Ciência

Novo estudo de DNA revela que os humanos chegaram à Austrália há 60.000 anos

Gessika Cristiny Santos de Oliveira Por Gessika Cristiny Santos de Oliveira
11 abril 2026 19:05
Em Ciência
Novo estudo de DNA revela que os humanos chegaram à Austrália há 60.000 anos

Genética e arqueologia indicam que humanos chegaram à Austrália há cerca de sessenta mil anos

A primeira migração humana para a Austrália é um dos temas mais investigados da pré-história e ajuda a entender como grupos de Homo sapiens conseguiram chegar ao antigo supercontinente Sahul, que reunia Austrália, Nova Guiné e Tasmânia, há cerca de 60 mil anos, em um período em que o nível do mar era bem mais baixo e amplas faixas de terra estavam conectadas.

O que se sabe hoje sobre a primeira migração humana para a Austrália?

Pesquisas recentes em genética, arqueologia e ciências do mar indicam que a ocupação de Sahul começou por volta de 60 mil anos atrás. Esse cenário apoia a ideia de uma cronologia longa, com chegada mais antiga do que os 45 a 50 mil anos propostos em estudos anteriores.

Esses trabalhos analisam milhares de genomas, em especial o DNA mitocondrial, e mostram linhagens profundas e exclusivas entre aborígenes australianos e populações da Nova Guiné e da Tasmânia. A presença contínua desses grupos ao longo de dezenas de milênios indica uma ocupação estável e duradoura da região de Sahul.

Novo estudo de DNA revela que os humanos chegaram à Austrália há 60.000 anos
Evidências genéticas e arqueológicas situam a ocupação estável de Sahul há 60 mil anos.

Leia também: Cientistas descobrem que a tromba do elefante abriga um sistema sensorial único: 1.000 vibrissas com “inteligência material” que funcionam como um mapa tátil integrado

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Como a genética ajuda a entender a primeira chegada de humanos à Austrália?

A genética usa o chamado relógio molecular, que estima o tempo de separação entre populações com base na taxa média de mutações do DNA ao longo das gerações. Ao comparar essas mudanças em diferentes povos, é possível calcular quando eles se afastaram de um ancestral comum.

Grandes árvores genealógicas mostram ramos que deixam de ser compartilhados com o sudeste asiático e passam a existir apenas em australianos e papuas, com idade próxima a 60 mil anos. Antes de detalhar esses resultados, vale apontar os principais tipos de evidência usados pelos pesquisadores:

  • Coleta de dados genéticos análise de milhares de genomas mitocondriais e, mais recentemente, genomas completos
  • Estudos arqueológicos escavação de sítios, datação de camadas e identificação de artefatos humanos
  • Modelagem ambiental reconstrução de paisagens antigas, clima e nível do mar durante a última era glacial

Quais rotas podem ter levado a primeira migração humana para até a Austrália?

A rota da primeira migração humana para a Austrália ainda é tema de debate, mas muitos estudos apontam para múltiplos caminhos a partir do sudeste asiático. As linhagens genéticas mais antigas ligam a região de Sahul a áreas do norte e do sul da atual Indonésia, das Filipinas e da antiga porção continental do sudeste asiático.

Modelagens de paleogeografia e correntes oceânicas indicam viagens planejadas, não simples deriva ao acaso. Para organizar melhor as hipóteses sobre a jornada até Sahul, os cientistas descrevem dois grandes conjuntos de rotas principais:

  • Rota setentrional passagem por ilhas ao norte da Indonésia, com aproximação a Sahul pela região da Nova Guiné
  • Rota meridional deslocamento pelas ilhas do sul da Indonésia, como Timor, alcançando a porção norte da atual Austrália
Novo estudo de DNA revela que os humanos chegaram à Austrália há 60.000 anos
A migração para Sahul ocorreu por rotas planejadas ao norte e ao sul do Sudeste Asiático há dezenas de milhares de anos.

Leia também: Pesquisadores espanhóis demonstram que mamutes e dinossauros eram mais lentos do que se pensava anteriormente

Houve encontros entre Homo sapiens e Homo floresiensis em Flores?

Um ponto fascinante é a possível interação entre humanos modernos e o Homo floresiensis, apelidado de hobbit devido à baixa estatura. Fósseis dessa espécie foram encontrados na ilha de Flores, na Indonésia, e indicam que ela viveu até cerca de 50 mil anos atrás, período que coincide com a passagem de grupos de Homo sapiens pela região de Wallacea.

Até o momento não há prova direta de convivência, trocas culturais ou mistura genética entre Homo sapiens e Homo floresiensis. Mesmo assim, a sobreposição de datas e áreas ocupadas sugere que a migração rumo a Sahul ocorreu em um cenário complexo, possivelmente com diferentes espécies humanas compartilhando paisagens insulares pouco antes da consolidação do povoamento da Austrália e da Nova Guiné.

Tags: Ciênciahistóriamigração humana

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