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Início Ciência

Vista do espaço, uma imagem capturada por um astronauta mostra um oásis improvável no deserto da Arábia Saudita

Gessika Cristiny Santos de Oliveira Por Gessika Cristiny Santos de Oliveira
18 abril 2026 19:05
Em Ciência
O fenômeno da "faixa marrom" de sargaço está avançando pelo Oceano Atlântico em uma escala gigantesca, tornando-se visível do espaço 

Oásis de Jubbah preserva aquíferos e arte rupestre em antigo leito de lago

Em meio ao deserto de Nafud, no norte da Arábia Saudita, Jubbah aparece como um oásis moderno que ocupa o antigo leito de um lago extinto, combinando agricultura irrigada, presença de aquíferos subterrâneos e um vasto patrimônio arqueológico em formações rochosas, o que faz da cidade um laboratório natural para entender mudanças climáticas passadas, uso da água no deserto e conexões com desafios ambientais atuais em outras regiões do planeta.

O que é Jubbah e por que esse oásis é tão especial?

Jubbah é um oásis instalado em uma depressão topográfica, interpretada como o antigo leito de um grande lago conhecido como paleolago de Jubbah. Estimativas indicam que esse corpo d água ancestral chegou a ter cerca de 20 quilômetros de comprimento por 4 quilômetros de largura antes de desaparecer com o avanço da aridez.

Essa drástica mudança ambiental, que transformou um ecossistema aquático em uma imensidão de areia, é capturada com imagens cinematográficas pelo canal @TheDesertPhoenix. No vídeo abaixo, é possível visualizar a vastidão da depressão que outrora abrigou as águas do paleolago:

Leia também: A maior cachoeira do mundo está escondida nas profundezas do oceano

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Como a geografia de Jubbah influencia a agricultura e o uso da água?

A geografia de Jubbah é marcada pela interação entre o paleolago, as dunas do deserto de Nafud e o maciço rochoso Jabal Umm Sinman. Esse relevo montanhoso, situado a oeste da depressão, cria uma espécie de sombra de vento que reduz o transporte intenso de areia para a área urbana e agrícola, permitindo solos mais estáveis.

Ao redor da cidade surgem círculos verdes bem definidos, vistos em imagens de satélite como agricultura circular de pivô central alimentada por um aquífero subterrâneo. Para entender melhor essa interação entre relevo, água e produção agrícola, vale observar alguns elementos centrais que estruturam o oásis:

  • Relevo: bacia rebaixada ocupando o antigo leito de um lago, protegida por dunas ao redor.
  • Maciço rochoso: Jabal Umm Sinman atuando como barreira física ao avanço das areias.
  • Água subterrânea: aquífero profundo que abastece poços, casas e sistemas de irrigação.
  • Uso atual: agricultura de pivô central, expansão urbana planejada e estradas de acesso.

Por que o oásis de Jubbah é importante para a arqueologia e a história humana?

Além da geografia singular, Jubbah abriga um grande conjunto de arte rupestre e sítios arqueológicos, sobretudo em Jabal Umm Sinman. Nas encostas e blocos rochosos existem painéis com petroglifos e inscrições que registram figuras humanas, animais e sinais gráficos associados a diferentes fases de ocupação, quando a região ainda tinha fontes de água doce na superfície.

O local faz parte do bem Rock Art in the Hail Region of Saudi Arabia, inscrito na Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO em 2015. Esses vestígios permitem documentar modos de vida em períodos mais úmidos, identificar mudanças na fauna e relacionar fases de ocupação humana à disponibilidade de água, em diálogo com dados geológicos do antigo lago e dos sedimentos acumulados na bacia.

Vista do espaço, uma imagem capturada por um astronauta mostra um oásis improvável no deserto da Arábia Saudita
Jubbah preserva arte rupestre da UNESCO que documenta a história humana e as transformações climáticas da região.

Leia também: Os cientistas acreditam ter identificado com muito mais precisão o local de origem do Homo sapiens. A descoberta combina fósseis, clima e evolução para reconstruir a origem da nossa espécie

O que Jubbah revela sobre clima global e desafios ambientais atuais?

Embora Jubbah esteja no interior de um grande deserto, as mudanças climáticas que transformaram antigos lagos em bacias secas fazem parte de um quadro global que hoje também afeta outras zonas áridas, regiões semiáridas e áreas costeiras vulneráveis. A mesma tendência de aquecimento que influencia a disponibilidade de água na Península Arábica está ligada à intensificação de ondas de calor, mudanças nos regimes de chuvas e maior frequência de secas prolongadas em vários continentes.

Ao comparar um oásis como Jubbah, que registra ciclos antigos de umidade e secas, com paisagens atuais ameaçadas pela desertificação e pela escassez hídrica, as imagens orbitais e os estudos de campo ajudam a entender como a gestão da água em desertos, a preservação de arquivos climáticos naturais e o planejamento de adaptação às mudanças climáticas fazem parte da mesma discussão sobre equilíbrio ambiental e futuro dos ecossistemas. 

Tags: CiênciaNatureza

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