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Início Curiosidades Históricas

Ovo com embrião de 250 milhões de anos encontrado na África do Sul responde pergunta que intrigava a ciência há 150 anos

Laila Por Laila
24 abril 2026 21:15
Em Curiosidades Históricas
Há mais de 150 anos, paleontólogos se perguntavam se os ancestrais dos mamíferos botavam ovo

Há mais de 150 anos, paleontólogos se perguntavam se os ancestrais dos mamíferos botavam ovo

Há mais de 150 anos, paleontólogos se perguntavam se os ancestrais dos mamíferos botavam ovo. Um fóssil com aproximadamente 250 milhões de anos encontrado na Bacia do Karoo, na África do Sul, pertencente ao Lystrosaurus, encerrou o debate definitivamente: sim, eles botavam.

Qual ovo fóssil respondeu à pergunta que a ciência carregava há 150 anos?

O ovo pertence ao Lystrosaurus, um terapsídeo herbívoro do tamanho de um porco, com bico semelhante ao de uma tartaruga e presas. O animal é famoso por sobreviver à Grande Mortandade, o evento de extinção do fim do Permiano, há cerca de 252 milhões de anos, considerada a maior extinção em massa da história da Terra.

A descoberta foi publicada em abril de 2026 na revista científica PLOS ONE e relatada pela revista norueguesa Illustrert Vitenskap. Segundo o Science Daily, é o primeiro ovo com embrião já encontrado de um ancestral de mamífero.

O ovo pertence ao Lystrosaurus, um terapsídeo herbívoro do tamanho de um porco, com bico semelhante ao de uma tartaruga e presas

Leia também: Monstro marinho da era dos dinossauros foi descoberto no México: “Era o predador supremo”

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Como o embrião foi identificado no nódulo rochoso?

O fóssil havia sido coletado em 2008 perto de Oviston, na África do Sul, mas ficou 16 anos sem revelar o que guardava. Somente com tomografia computadorizada por síncrotron de alta resolução, tecnologia disponível no ESRF — Síncrotron Europeu, na França, foi possível identificar o embrião no nódulo rochoso sem destruir a peça.

A pesquisa foi liderada pelo Prof. Julien Benoit e pela Dr.ᵃ Jennifer Botha, do Instituto de Estudos Evolutivos da Universidade de Witwatersrand, em parceria com o Dr. Vincent Fernandez, do ESRF.

O que o esqueleto do embrião revelou sobre o ovo do Lystrosaurus?

O esqueleto minúsculo apresenta a mandíbula não completamente fundida, característica encontrada em filhotes de aves e tartarugas modernas, confirmando que o animal pereceu antes de eclodir. Os pesquisadores concluíram que o ovo do Lystrosaurus provavelmente tinha casca mole.

Essa característica explica por que o registro fóssil de ancestrais de mamíferos é tão escasso nessa área:

  • O ovo de casca mole se decompõe antes de se fossilizar
  • O ovo de casca dura e mineralizada, como o dos dinossauros, preserva com muito mais facilidade
  • A ausência de fósseis não significava ausência da prática, apenas ausência de preservação

Para entender a dimensão dessa descoberta, o canal Um Evolucionista Cansado, com mais de 6,85 mil inscritos especializados em paleontologia e evolução, detalhou o achado com análise científica aprofundada no vídeo a seguir:

Por que o Lystrosaurus é um dos animais mais importantes da história evolutiva?

O Lystrosaurus pertence aos terapsídeos, grupo que existiu entre aproximadamente 280 e 200 milhões de anos atrás e que eventualmente deu origem aos mamíferos, incluindo os humanos. Após a Grande Mortandade, o animal dominou os ecossistemas devastados, beneficiado por uma estratégia reprodutiva de crescimento rápido e reprodução precoce que o ovo de casca mole possibilitava.

Depositar um ovo com casca mole exigia menos energia e tempo do que estruturas reprodutivas mais complexas, o que pode ter sido decisivo para a sobrevivência da espécie após a extinção.

O que a descoberta do ovo muda para a compreensão da evolução dos mamíferos?

A descoberta confirma que a oviparidade era o modo reprodutivo ancestral de todos os sinapsídeos. Isso descarta a hipótese alternativa de que a postura de ovo teria sido perdida antes da divergência dos répteis e depois reemergido convergentemente na linhagem dos monotremos, como ornitorrincos e equidnas.

Um ovo coletado em 2008 e esquecido por 16 anos numa prateleira de pesquisa acabou respondendo a uma das perguntas mais antigas da paleontologia. A Bacia do Karoo guarda camadas de tempo que a ciência ainda está aprendendo a ler.

Tags: arqueologiaCuriosidadeshistória

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