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Início Ciência

Pesquisas da universidade do Arizona indicam que cinzas vulcânicas liberam dióxido de carbono que contribuem para a fertilização dos oceanos

Gessika Cristiny Santos de Oliveira Por Gessika Cristiny Santos de Oliveira
01 maio 2026 17:05
Em Ciência
Pesquisas da universidade do Arizona indicam que cinzas vulcânicas liberam dióxido de carbono que contribuem para a fertilização dos oceanos

Cinza vulcânica fertiliza oceanos impulsionando a bomba biológica de carbono marinha

A influência das erupções vulcânicas no clima costuma ser associada apenas à liberação de gases e partículas que resfriam temporariamente a atmosfera, mas pesquisas mostram que a cinza vulcânica também pode promover a fertilização do Oceano Austral, estimular a bomba biológica de carbono e modificar o ciclo global do CO2 em escalas de milhares de anos, funcionando como um moderador natural do clima.

Como a cinza vulcânica fertiliza o Oceano Austral?

A cinza vulcânica é rica em nutrientes essenciais para o crescimento do fitoplâncton. Ela carrega principalmente ferro, fósforo e silício, que atuam como fertilizantes em regiões marinhas com baixa disponibilidade desses elementos.

Esse fenômeno de fertilização é especialmente vital em ecossistemas isolados e produtivos, como o Oceano Antártico. Para entender melhor as características desse ambiente único e como ele sustenta uma biodiversidade imensa, vale conferir este vídeo da Dra. Fran, do canal @GelonaBagagem, que explica por que este oceano é considerado o ‘refrigerador do mundo’:

Leia também: O fenômeno hipnotizante da “lava azul” em vulcões que intriga a ciência

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O que são erupções freatomagmáticas e por que elas geram tanta cinza?

Entre os diferentes tipos de erupções capazes de produzir cinza fina, destacam se as erupções freatomagmáticas. Elas ocorrem quando o magma em ascensão entra em contato direto com água de lagos, do mar ou de aquíferos subterrâneos, causando vaporização explosiva.

Essa interação fragmenta o magma em partículas muito pequenas, aumentando bastante a produção de cinza vulcânica e a altura da coluna eruptiva. Para visualizar melhor esse processo e seus efeitos, vale observar alguns pontos principais:

  • Contato rápido entre magma quente e água externa gera explosões intensas de vapor.
  • A fragmentação extrema do magma produz cinza muito fina, facilmente transportada pelo vento.
  • As partículas podem viajar milhares de quilômetros até áreas remotas do Oceano Austral.
  • Esse transporte favorece a fertilização de grandes superfícies oceânicas ao longo do tempo.

Como a fertilização do Oceano Austral afeta o CO₂ e a cadeia alimentar?

A fertilização do Oceano Austral é o mecanismo essencial que impulsiona a bomba biológica de carbono. Quando o fitoplâncton se prolifera, ocorre um aumento na fotossíntese, transformando o CO₂ da água em biomassa. Esse material orgânico acaba afundando para camadas abissais, onde o carbono fica estocado e longe da atmosfera por períodos que podem durar milênios.

Esse aumento de produtividade gera um efeito em cascata na cadeia alimentar marinha. Para entender como essa fertilização se espalha pelos diferentes níveis tróficos, é útil organizar os principais efeitos em sequência:

  • Mais fitoplâncton significa mais alimento para pequenos crustáceos, como o krill.
  • Maiores estoques de krill sustentam populações mais abundantes de peixes e lulas.
  • Aves marinhas, focas e baleias filtradoras se beneficiam de cardumes mais densos.
  • Carcaças de grandes animais que afundam ajudam a transportar carbono para o fundo do mar.
Pesquisas da universidade do Arizona indicam que cinzas vulcânicas liberam dióxido de carbono que contribuem para a fertilização dos oceanos
A fertilização do Oceano Austral impulsiona a bomba biológica de carbono, sequestrando CO2 e fortalecendo a produtividade de toda a teia alimentar marinha.

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Qual o papel dos Andes na fertilização natural do Oceano Austral?

No fim do Mioceno, grandes sistemas vulcânicos andinos funcionaram como importantes fornecedores de cinza vulcânica rica em nutrientes. Em períodos de maior atividade, enormes volumes de material piroclástico foram lançados na atmosfera e transportados pelos ventos de oeste para leste, alcançando o Atlântico Sul e amplas áreas do Oceano Austral.

Registros em sedimentos marinhos mostram camadas de cinza associadas a picos de abundância de microfósseis de diatomáceas, coincidindo com fases de vulcanismo intenso nos Andes. Esses dados, combinados a modelos climáticos, indicam que a fertilização natural ajudou a intensificar a bomba biológica de carbono, reduziu alguns ppm de CO₂ atmosférico em escalas de milhares de anos e contribuiu para mudanças ecológicas duradouras sem, no entanto, compensar o ritmo acelerado das atuais emissões antrópicas.

Tags: CiênciaCuriosidadesNaturezaOceano Austral

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