Às margens do Rio Paraguai, na fronteira oeste do Brasil com a Bolívia, Corumbá foi erguida há quase 250 anos para defender o território português. Hoje a cidade do Mato Grosso do Sul concentra 60% do Pantanal sul-mato-grossense e 37% do bioma brasileiro, segundo a Câmara dos Deputados.
A cidade branca que defendia a fronteira da Coroa Portuguesa
O Arraial de Nossa Senhora da Conceição de Albuquerque, primeira denominação do município, foi fundado em 21 de setembro de 1778 pelo sargento-mor Marcelino Rois Camponês, sob ordens do capitão-general Luiz de Albuquerque. A missão era barrar o avanço dos espanhóis que subiam o Rio Paraguai em busca de ouro, conforme registros da Prefeitura de Corumbá.
O apelido de cidade branca vem da cor clara do solo, rico em calcário, mineral que ainda sustenta uma das principais atividades econômicas locais. No século XIX, o porto fluvial chegou a receber embarcações de toda a Bacia do Prata e até da Europa, transformando Corumbá no principal entreposto comercial do interior sul-americano.

Vale a pena conhecer a Capital do Pantanal?
Sim, e a combinação entre patrimônio histórico tombado e biodiversidade reconhecida internacionalmente ajuda a explicar o porquê. A cidade reúne os casarões do século XIX preservados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e a entrada terrestre para o maior sistema inundável de água doce do mundo.
O ritmo é o do rio. Os pantaneiros vivem do gado, da pesca e do turismo, com fortes traços de fronteira misturados aos costumes da Bolívia e do Paraguai. Festas como o Banho de São João, em que o santo padroeiro é levado de barco até as águas do Rio Paraguai, e o Festival América do Sul ajudam a construir a identidade que diferencia a cidade dos outros destinos pantaneiros.

Reconhecimento nacional e internacional na fronteira do Pantanal
O Conjunto Histórico, Arquitetônico e Paisagístico de Corumbá, conhecido como Casario do Porto Geral, foi tombado pelo IPHAN em 1993, com inscrição nos livros Histórico, Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico e de Belas Artes. O Forte Coimbra, erguido em 1775 às margens do rio, foi tombado pelo mesmo instituto em 1974.
O reconhecimento internacional veio com a inscrição do Complexo de Áreas Protegidas do Pantanal na Lista do Patrimônio Natural Mundial e Reserva da Biosfera da UNESCO em 2000. O bioma é o mais preservado do Brasil, com mais de 80% de sua cobertura original, segundo o Ministério do Meio Ambiente. O título de Capital do Pantanal foi conferido pela Câmara dos Deputados em projeto de lei que reconhece a posição estratégica da cidade dentro do bioma.
O que fazer na Capital do Pantanal?
A cidade distribui atrativos entre o centro histórico tombado, o rio e a planície alagável. Entre os principais destaques:
- Casario do Porto Geral: conjunto de casarões neoclássicos do século XIX tombados pelo IPHAN, com pôr do sol às margens do Rio Paraguai.
- Cristo Rei do Pantanal: estátua no Morro do Cruzeiro com vista de 360° sobre a cidade e a planície alagada.
- Forte Coimbra: fortificação militar de 1775 administrada pelo Exército, com canhões da Guerra do Paraguai e a Gruta Buraco do Suturno.
- Estrada Parque Pantanal: rota de terra para safári fotográfico com jacarés, tuiuiús, capivaras e araras-azuis.
- Museu de História do Pantanal (Muhpan): acervo interativo instalado em construção de 1876, à beira do porto.
- Memorial do Homem Pantaneiro: funciona no prédio da antiga Casa Vasquez & Filhos, ao lado do Instituto Homem Pantaneiro.
Na mesa, a gastronomia mistura a tradição ribeirinha com a influência fronteiriça. Os destaques incluem:
- Pintado à urucum: peixe do Rio Paraguai temperado com o tempero vermelho dos antigos pantaneiros.
- Caldo de piranha: preparo tradicional servido nas pousadas pantaneiras durante a temporada de pesca.
- Saltenha: salgado de origem boliviana, herança da convivência com o país vizinho na fronteira.
- Sopa paraguaia: bolo salgado de fubá e queijo, vendido em padarias e feiras da cidade.
Quem sonha em descobrir a “Capital do Pantanal” e suas belezas coloniais, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal DEVA NO AR, que conta com mais de 55 mil visualizações, onde o apresentador mostra a história, os mirantes e um pôr do sol inesquecível no rio Paraguai em Corumbá, Mato Grosso do Sul:
Quando visitar uma das cidades mais quentes do Brasil?
Corumbá disputa todos os anos o topo do ranking de calor no país. Em novembro de 2023, o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) registrou 43,3°C na cidade, a maior temperatura do Brasil naquele dia. Em 2024, segundo levantamento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o município registrou 150 dias com temperatura acima de 40°C. Veja como aproveitar cada estação na cidade pantaneira:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
De Campo Grande, são cerca de 420 km até Corumbá pela BR-262. A cidade também tem aeroporto regional com voos diretos da capital sul-mato-grossense e ligação rodoviária com a Bolívia, pela vizinha Puerto Quijarro.
Conheça a cidade que abre as portas do Pantanal
A fronteira oeste guarda em uma só cidade quase 250 anos de história, casarões neoclássicos tombados pelo IPHAN e a entrada terrestre para a maior reserva de água doce alagável do planeta. Há onças-pintadas a poucos km do centro, peixes-pintados na mesa e festas que misturam santo padroeiro com saltenha boliviana.
Você precisa atravessar o Mato Grosso do Sul e conhecer Corumbá, a cidade que defendia o ouro da Coroa e hoje abre as portas do santuário pantaneiro.








