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Início Ciência

Após 1.700 anos escondidas nas montanhas, antigas minas romanas voltaram a ver a luz do dia nos Pirenéus

Gessika Cristiny Santos de Oliveira Por Gessika Cristiny Santos de Oliveira
02 junho 2026 16:15
Em Ciência
Após 1.700 anos escondidas nas montanhas, antigas minas romanas voltaram a ver a luz do dia nos Pirenéus

Descoberta de antigas minas romanas nos Pirenéus revela complexo sistema de extração aurífera

As minas romanas nos Pirenéus voltaram a chamar a atenção do mundo após uma descoberta arqueológica que confirmou a existência de um complexo sistema de extração de ouro escondido por quase 1.700 anos. Localizadas na região da Cerdanya, no nordeste da Espanha, essas estruturas revelam o alto nível de engenharia desenvolvido pelos romanos e ajudam a compreender melhor a importância econômica da mineração durante a Antiguidade. A descoberta também oferece novas pistas sobre a ocupação romana nas áreas montanhosas dos Pirenéus.

Como os arqueólogos descobriram as antigas minas romanas?

Durante décadas, pesquisadores observaram formações incomuns na paisagem de Guilleteres d’All. O caso, documentado em um artigo recente do periódico científico MDPI, detalha que ravinas artificiais, cortes profundos no terreno e marcas de escavação sugeriam que a área havia sido modificada pela ação humana em grande escala.

Estudos recentes confirmaram que essas estruturas faziam parte de um sistema de mineração utilizado pelos romanos para extrair ouro. A descoberta encerrou um longo debate arqueológico sobre a origem dessas alterações na paisagem dos Pirenéus.

Após 1.700 anos escondidas nas montanhas, antigas minas romanas voltaram a ver a luz do dia nos Pirenéus
Formações em Guilleteres d’All foram confirmadas como antigas minas de ouro romanas.

Leia também: Novas imagens revelam corredores, câmaras e detalhes ocultos da tumba ligada ao período de Alexandre, o Grande

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Como funcionavam as minas romanas nos Pirenéus?

Os romanos utilizavam técnicas avançadas de mineração hidráulica, aproveitando a força da água para remover grandes quantidades de sedimentos que continham pequenas partículas de ouro.

Para tornar esse processo possível, eles construíram uma infraestrutura complexa composta por diversos elementos:

  • Canais artificiais para conduzir a água.
  • Reservatórios para armazenar e controlar o fluxo hídrico.
  • Escavações planejadas para alcançar depósitos auríferos.
  • Sistemas de separação para recuperar o ouro presente nos sedimentos.

Os pesquisadores estimam que cerca de dois milhões de metros cúbicos de terra foram movimentados, demonstrando a enorme dimensão dessa operação romana.

Como foi possível determinar a idade das minas?

Um dos maiores desafios era comprovar quando a exploração ocorreu. A resposta surgiu após a descoberta de um antigo reservatório hidráulico enterrado sob camadas de sedimentos acumuladas ao longo dos séculos.

Os cientistas aplicaram a técnica de luminescência opticamente estimulada, conhecida como OSL. O método permitiu analisar grãos de quartzo e identificar o período em que ficaram sem exposição à luz. Os resultados indicaram que o sistema foi abandonado entre o final do século II e o início do século III d.C.

Além da datação, outras evidências reforçam a ligação das minas com o período romano:

  • Textos antigos mencionando ouro nos Pirenéus.
  • Relatos de Plínio, o Velho, sobre depósitos auríferos na região.
  • Vestígios metalúrgicos encontrados em sítios arqueológicos próximos.
  • Objetos de ouro descobertos em necrópoles romanas locais.
Após 1.700 anos escondidas nas montanhas, antigas minas romanas voltaram a ver a luz do dia nos Pirenéus
Datação OSL e evidências arqueológicas confirmam a exploração das minas na era romana.

Leia também: O Homo erectus guardava um segredo genético que permaneceu oculto por centenas de milhares de anos

Qual é a importância dessa descoberta para a história romana?

A confirmação da existência dessas minas reforça o papel estratégico dos Pirenéus na economia do Império Romano. A proximidade com a antiga cidade de Iulia Libica, atual Llívia, sugere que a exploração do ouro era administrada de forma organizada e integrada às atividades comerciais da região.

Além de revelar uma impressionante obra de engenharia, a descoberta mostra como novas tecnologias científicas continuam transformando o conhecimento histórico. Graças à análise de sedimentos preservados durante séculos, foi possível recuperar a história de uma operação de mineração que permaneceu escondida por quase dois milênios nas montanhas dos Pirenéus.

Tags: antiguidadearqueologiaCuriosidadesdescoberta arqueológicahistória romana

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