Temperaturas elevadas podem afetar o comportamento sexual das abelhas de forma silenciosa, sem necessariamente matar os insetos de imediato. Novas pesquisas indicam que ondas de calor durante o desenvolvimento das larvas podem prejudicar fertilidade, reprodução e, no longo prazo, a polinização de plantas importantes.
Por que o calor preocupa os cientistas?
As abelhas são essenciais para ecossistemas naturais e lavouras, pois transportam pólen entre flores e ajudam na formação de frutos e sementes. Quando sua reprodução é afetada, o problema pode aparecer meses depois, com menos indivíduos adultos nas populações.
O calor extremo preocupa porque atua em uma fase vulnerável do ciclo de vida. Larvas expostas a temperaturas altas podem chegar à fase adulta aparentemente normais, mas com danos internos que reduzem sua capacidade reprodutiva.

O que a pesquisa observou nas abelhas?
Em testes com abelhas solitárias, cientistas simularam uma onda de calor de três dias, com temperaturas chegando a 40 graus. Depois, acompanharam o desenvolvimento dos insetos até a fase adulta e analisaram sua saúde reprodutiva.
Os resultados da pesquisa mostraram alterações importantes ligadas à fertilidade:
- Machos tiveram queda na atividade dos espermatozoides;
- A contagem de espermatozoides também diminuiu;
- Fêmeas apresentaram redução no tamanho dos ovos em desenvolvimento;
- Também houve queda no número de ovos;
- Os danos apareceram mesmo sem morte imediata dos insetos.
Por que as abelhas solitárias são mais vulneráveis?
Diferentemente das abelhas sociais, como abelhas-do-mel e algumas mamangavas, as abelhas solitárias não contam com uma colônia inteira para regular a temperatura do ninho. Cada fêmea cuida do próprio espaço e das próprias crias.
Isso deixa os ninhos mais expostos ao ambiente. Se uma onda de calor atinge o local onde as larvas estão se desenvolvendo, não há operárias ventilando, resfriando ou reorganizando tarefas para proteger a próxima geração.

Como isso pode afetar a polinização?
Quando a fertilidade das abelhas cai, a consequência pode surgir na estação seguinte. Menos machos férteis e menos ovos viáveis significam menos abelhas adultas, reduzindo a presença desses polinizadores em jardins, pomares e áreas agrícolas.
Essa perda pode atingir culturas que dependem de polinização eficiente:
- Macieiras e outras árvores frutíferas;
- Cerejeiras e pequenas frutas;
- Plantas oleaginosas cultivadas em grande escala;
- Hortas que dependem de insetos polinizadores;
- Flores silvestres que sustentam a biodiversidade local.
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O que essa descoberta revela sobre o clima?
A pesquisa mostra que os impactos do aquecimento global nem sempre aparecem como mortalidade imediata. Às vezes, o dano é mais discreto, afetando fertilidade, desenvolvimento e equilíbrio das populações ao longo do tempo.
Proteger abelhas exige reduzir pesticidas, preservar habitats, manter flores disponíveis e considerar o calor extremo como ameaça real à reprodução. Se as ondas de calor continuarem mais frequentes, a vida sexual das abelhas pode se tornar um sinal de alerta para a segurança alimentar e para a saúde dos ecossistemas.









