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Início Ciência

A formação viva de Shark Bay que sobreviveu onde poucas espécies resistem e revela como micróbios mudaram a Terra

Laila Por Laila
02 junho 2026 02:35
Em Ciência
Estromatólitos vivos emergem das águas rasas de Shark Bay

Estromatólitos vivos emergem das águas rasas de Shark Bay

A história da Terra também está escrita em estruturas que parecem simples rochas à beira-mar. Em Shark Bay, na Austrália, os estromatólitos preservam micróbios capazes de produzir oxigênio e ajudam a entender como a vida primitiva alterou a atmosfera do planeta.

Como a formação viva de Shark Bay ajuda a contar a história da Terra?

Na Baía Shark, na costa oeste da Austrália, formações calcárias irregulares aparecem em águas rasas e hipersalinas. Elas são conhecidas como estromatólitos, estruturas criadas por colônias de cianobactérias fotossintetizantes.

Esses micróbios prendem grãos de sedimento em uma espécie de cola biológica, favorecem a precipitação de carbonato de cálcio e constroem camadas ao longo de séculos. Por isso, a formação parece rocha, mas funciona como um registro vivo de processos antigos.

Camadas minerais mostram como a rocha viva cresce na água

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Por que a Terra mudou quando esses micróbios liberaram oxigênio?

A importância dos estromatólitos vai além da paisagem costeira. Durante bilhões de anos, a atmosfera terrestre foi dominada por gases como metano e dióxido de carbono, até que as cianobactérias passaram a liberar oxigênio como subproduto da fotossíntese.

Esse acúmulo chegou a um ponto decisivo há cerca de 2,4 bilhões de anos, no Grande Evento de Oxigenação. A mudança prejudicou muitos organismos anaeróbios, mas abriu caminho para a camada de ozônio e para formas de vida mais complexas.

Na prática, essa virada atmosférica passou por etapas ligadas ao metabolismo desses micróbios:

  • Cianobactérias fazem fotossíntese usando água e luz solar.
  • Oxigênio molecular começa a se acumular primeiro nos oceanos e depois no ar.
  • Organismos anaeróbios perdem espaço em ambientes antes favoráveis.
  • Vida complexa encontra condições mais estáveis para evoluir.

O que existe nas camadas que ajudam a explicar a Terra antiga?

Os estromatólitos modernos de Hamelin Pool não são blocos comuns de calcário. Eles abrigam ecossistemas em miniatura, organizados em zonas verticais que variam conforme a presença de luz, oxigênio e nutrientes.

Essa divisão interna ajuda a entender por que a estrutura consegue sobreviver em condições tão específicas:

Nível da estruturaOrganismo dominanteFunção principal
Camada superiorCianobactérias fotossintetizantesProdução ativa de oxigênio
Camada intermediáriaBactérias heterotróficas aeróbiasCiclagem de nutrientes
Camada profundaBactérias sulfato-redutorasMetabolismo sem oxigênio

Pesquisas publicadas pelos National Institutes of Health registram a identificação de uma cepa de Acaryochloris nesses ambientes, adaptada a viver sob luz infravermelha próxima.

Como a Terra passou por uma revolução química invisível?

A fotossíntese feita por esses micróbios parece pequena quando observada em uma única colônia. Em escala planetária, porém, ela ajuda a explicar uma das maiores mudanças químicas já registradas na história da Terra.

Arquivos do PubMed Central associam o aumento do oxigênio a transformações profundas nos oceanos, na atmosfera e na trajetória evolutiva dos seres vivos.

Para visualizar a magnitude dessa revolução atmosférica, selecionamos o conteúdo do canal Ciência Todo Dia, que educa mais de 7,65 milhões de inscritos. No vídeo a seguir, entenda como o oxigênio quase aniquilou formas de vida primitivas antes de permitir uma nova etapa da evolução:

Por que essa formação viva ainda resiste na Austrália?

A abundância global dos estromatólitos diminuiu há cerca de 600 milhões de anos, quando animais pastadores passaram a consumir tapetes microbianos em ambientes marinhos. Em águas comuns, essas formações ficaram muito mais vulneráveis.

Em Shark Bay, a sobrevivência ocorre porque a hipersalinidade dificulta a presença de muitos predadores. Segundo o texto-base, a água da região pode ter aproximadamente o dobro do sal do oceano aberto, ajudando a proteger essas colônias raras.

Os principais fatores que explicam essa resistência são estes:

  • Água hipersalina, que limita a ação de organismos pastadores.
  • Crescimento lento, capaz de formar camadas ao longo de séculos.
  • Ambiente raso, favorável à entrada de luz solar.
  • Reconhecimento científico, reforçado pela inscrição de Shark Bay como Patrimônio Mundial da UNESCO em 1991.

Estudos internacionais sobre microbialitos, como os reunidos no PubMed Central, apontam que mudanças no pH e na química dos oceanos podem afetar organismos calcificadores e ecossistemas microbianos.

O que a Terra perde se essas formações desaparecerem?

Mesmo depois de resistir a mudanças profundas na história do planeta, essa formação viva depende de condições muito específicas. Alterações na salinidade, na qualidade da água e no equilíbrio costeiro podem comprometer um ambiente que levou séculos para sustentar suas camadas.

Proteger Shark Bay significa preservar mais do que uma curiosidade geológica da Austrália. Os estromatólitos funcionam como uma biblioteca viva sobre a origem do oxigênio que tornou a vida complexa possível na Terra.

Tags: Ciênciageologiarochas

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