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Início Ciência

Esqueleto de filhote de anta com 4 milhões de anos é o mais completo já encontrado na Europa e revela um mundo perdido.

Gessika Cristiny Santos de Oliveira Por Gessika Cristiny Santos de Oliveira
05 junho 2026 00:05
Em Ciência
Esqueleto de filhote de anta com 4 milhões de anos é o mais completo já encontrado na Europa e revela um mundo perdido.

Esqueleto juvenil de anta completo é descoberto em sítio arqueológico na Espanha

Uma descoberta extraordinária realizada no sítio arqueológico Camp dels Ninots, na Espanha, está ajudando cientistas a compreender melhor a vida de uma espécie extinta que habitou a Europa durante o Plioceno. Pesquisadores encontraram o esqueleto de um filhote de anta com cerca de 12 meses de idade que viveu há aproximadamente 4 milhões de anos. O fóssil é considerado o esqueleto juvenil de anta mais completo já descoberto no continente e oferece uma oportunidade rara para estudar o crescimento e o desenvolvimento desses antigos mamíferos.

Por que essa descoberta é tão importante?

Fósseis de animais jovens são extremamente raros no registro paleontológico. Na maioria dos casos, os pesquisadores encontram apenas ossos fragmentados ou indivíduos adultos, o que dificulta a reconstrução completa do ciclo de vida de espécies extintas.

O novo exemplar foi preservado quase integralmente em conexão anatômica, permitindo aos cientistas analisar detalhes do desenvolvimento esquelético que normalmente permanecem desconhecidos.

Esqueleto de filhote de anta com 4 milhões de anos é o mais completo já encontrado na Europa e revela um mundo perdido.
Fósseis juvenis completos são raros, tornando este novo exemplar articulado essencial para entender o desenvolvimento esquelético da espécie.

Onde o filhote de anta viveu há milhões de anos?

Durante o Plioceno, a região onde hoje está localizada a cidade de Caldes de Malavella era muito diferente da paisagem atual. No local existia um grande lago vulcânico cercado por uma floresta subtropical úmida, habitat ideal para grandes herbívoros como as antas.

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Os estudos paleobotânicos indicam que a vegetação abundante fornecia alimento e abrigo para diversas espécies que habitavam a região há milhões de anos.

Entre os animais já encontrados no local estão:

  • Antas da espécie Tapirus arvernensis.
  • Rinocerontes pré-históricos.
  • Aves aquáticas.
  • Tartarugas, anfíbios, peixes e répteis.

Leia também: Perdido por mais de 70 anos, sítio arqueológico revela 31 pegadas de dinossauros preservadas por 120 milhões de anos

O que os cientistas descobriram sobre essas antas?

Até a descoberta do filhote, os pesquisadores já haviam encontrado outros seis exemplares de antas de diferentes idades e sexos no mesmo sítio. Todos pertencem à espécie Tapirus arvernensis, uma das últimas representantes desse grupo a habitar a Europa.

As análises indicam que esses animais possuíam porte semelhante ao das antas modernas encontradas atualmente na América do Sul e em partes da Ásia, apresentando corpos robustos e hábitos herbívoros.

Esqueleto de filhote de anta com 4 milhões de anos é o mais completo já encontrado na Europa e revela um mundo perdido.
O sítio revelou sete fósseis da anta europeia extinta Tapirus arvernensis, similar às espécies atuais.

Como os esqueletos foram preservados tão bem?

Uma das características mais impressionantes do Camp dels Ninots é o estado excepcional de conservação dos fósseis. Diferentemente de muitos sítios europeus, onde os restos costumam aparecer fragmentados, os esqueletos encontrados ali frequentemente estão completos ou quase completos.

Os cientistas acreditam que isso ocorreu graças às condições geológicas únicas do antigo lago vulcânico, que funcionou como uma verdadeira cápsula do tempo ao preservar os restos em sedimentos extremamente favoráveis à fossilização.

Entre os fatores que contribuíram para essa preservação estão:

  • Acúmulo gradual de sedimentos no lago.
  • Baixa ação de animais necrófagos.
  • Condições químicas favoráveis à fossilização.
  • Possíveis mortes súbitas relacionadas à atividade vulcânica.

Leia também: Micróbios descobertos a 1.250 metros de profundidade podem transformar CO₂ em rocha em poucas semanas

O que essa descoberta sobre o filhote de anta pode revelar sobre o passado?

Ao reunir fósseis de filhotes, juvenis e adultos da mesma espécie, os pesquisadores passam a ter uma oportunidade extremamente rara de reconstruir o ciclo completo de vida dessas antas extintas. Isso permitirá compreender aspectos como crescimento, desenvolvimento ósseo, diferenças entre faixas etárias e até características comportamentais da população que viveu naquela região há milhões de anos.

Mais do que uma simples descoberta isolada, o novo fóssil reforça a importância do Camp dels Ninots como um dos mais relevantes sítios paleontológicos da Europa para o estudo dos ecossistemas continentais do Plioceno. Cada novo achado ajuda a revelar detalhes de um mundo desaparecido há milhões de anos e amplia o conhecimento sobre a evolução da vida no planeta.

Tags: antasevolução animalfósseispaleontologia

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