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Início Ciência

O polo magnético da Terra mudou de posição e obrigou celulares, aviões e navios a atualizarem suas rotas

Laila Por Laila
06 junho 2026 06:55
Em Ciência
Corte da Terra mostra núcleo líquido movendo o polo magnético rumo à Sibéria

Corte da Terra mostra núcleo líquido movendo o polo magnético rumo à Sibéria

Você não vê a Terra mudando por dentro, mas sente os efeitos quando usa mapas, bússolas digitais ou sistemas de navegação. O deslocamento do polo magnético obrigou a atualização de modelos usados por celulares, aviões, navios e rotas guiadas por GPS.

Por que a Terra tem um polo magnético móvel?

O polo magnético não é fixo como o polo norte geográfico. Ele se move porque o campo magnético terrestre nasce do movimento de ferro líquido e níquel no núcleo externo da Terra.

Esse movimento interno funciona como um grande dínamo natural. Ao gerar correntes elétricas no interior do planeta, ele mantém o campo magnético terrestre, que ajuda a proteger a atmosfera contra partículas solares e orienta bússolas usadas há séculos na navegação.

Corte da Terra mostra núcleo líquido gerando o campo magnético

Leia também: Sapatos gigantes encontrados perto da Muralha de Adriano despertam mistério em torno dos soldados da Roma antiga.

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Como o norte magnético da Terra difere do polo geográfico?

O polo norte geográfico marca o eixo de rotação do planeta e permanece como referência fixa nos mapas. Já o polo magnético é o ponto para onde as bússolas apontam, e sua posição muda com o comportamento do campo magnético.

Essa diferença explica por que mapas, sistemas de rota e bússolas digitais precisam de correção constante. Segundo a Revista Pesquisa FAPESP, o norte magnético se afastou do Canadá em direção à Sibéria, enquanto o polo geográfico segue ligado ao eixo de rotação.

Mapa polar mostra norte magnético se afastando do Canadá rumo à Sibéria

O que muda com o World Magnetic Model 2025?

O World Magnetic Model 2025, também chamado de WMM2025, foi lançado em 17 de dezembro de 2024 para atualizar a referência oficial do campo magnético terrestre. De acordo com a NOAA, o modelo fornece dados mais precisos para aviões, navios, submarinos e unidades de GPS.

A atualização é necessária porque o campo magnético muda de forma contínua e nem sempre previsível. A versão atual terá validade até 31 de dezembro de 2029, salvo alguma alteração abrupta que exija revisão antes desse prazo.

Na prática, o modelo orienta sistemas usados em diferentes escalas de navegação e localização:

  • Aviação civil, especialmente em rotas longas e operações próximas aos polos.
  • Navegação marítima, incluindo navios comerciais e militares.
  • Sistemas submarinos, que dependem de orientação precisa em ambientes sem referência visual.
  • Celulares e automóveis, que usam bússolas digitais em mapas e aplicativos de localização.

Por que o polo magnético da Terra desacelerou rumo à Sibéria?

O polo magnético já percorreu mais de 2.200 quilômetros desde sua primeira identificação oficial, em 1831. Nas últimas décadas, ele avançou rapidamente do Ártico canadense em direção à Sibéria, mas esse ritmo mudou.

Depois de se deslocar entre 50 e 60 quilômetros por ano, o norte magnético reduziu sua velocidade para cerca de 35 quilômetros por ano. A mudança foi descrita por William Brown, do British Geological Survey, como a maior desaceleração já observada nos registros disponíveis.

Como celulares, aviões e navios ajustam rotas?

Para quem usa o celular no caminho do trabalho, o deslocamento do polo magnético quase não aparece. O impacto cotidiano é discreto porque aplicativos e sistemas operacionais recebem correções automáticas nos bastidores.

O problema cresce em trajetos longos, rotas oceânicas, navegação polar e ambientes onde pequenos erros de direção podem se acumular. O World Magnetic Model é usado como referência por órgãos de defesa, aviação, navegação internacional e sistemas civis que precisam corrigir a declinação magnética.

As áreas mais sensíveis são justamente aquelas em que a bússola precisa de maior precisão para evitar desvios acumulados:

  • Rotas aéreas polares, onde a orientação magnética pode ficar menos confiável.
  • Travessias oceânicas, em que desvios pequenos podem crescer ao longo de muitas horas.
  • Operações militares e científicas, que dependem de coordenadas estáveis em regiões remotas.
  • Mapas digitais embarcados, usados por carros, celulares e equipamentos de navegação.

Para visualizar melhor por que a atualização chamou atenção, o canal Ciência News, com 131 mil inscritos, explica como o campo magnético nasce no núcleo externo e por que a mudança do norte magnético exige revisão dos modelos usados na navegação:

O que a Terra revela quando seu campo magnético muda?

Uma das novidades é o WMMHR2025, versão de alta resolução do modelo. A melhoria reduz a escala espacial de referência de cerca de 3.300 quilômetros para aproximadamente 300 quilômetros no equador, aumentando a precisão direcional em cálculos mais sensíveis.

A mudança do polo magnético não significa que celulares, aviões ou navios deixarão de funcionar. Ela mostra que a tecnologia moderna depende de modelos invisíveis, atualizados regularmente para acompanhar um planeta que continua mudando por dentro.

Tags: CiênciageologiaTerra

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