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Início Ciência

Pesquisadores descobriram milhares de ovos gigantes vivos em um antigo vulcão subaquático

Yudi Soares Por Yudi Soares
07 junho 2026 23:00
Em Ciência
Esferas brancas semelhantes a ovos aparecem sobre rochas vulcânicas no fundo do oceano, iluminadas por equipamento submarino em ambiente escuro.

Imagem mostra formações esféricas claras sobre rochas no leito marinho, em cena associada à exploração submarina e aos mistérios das profundezas.

No fundo gelado e escuro do Oceano Pacífico, num vulcão que todos achavam morto, os cientistas esperavam encontrar pouca coisa viva. Em vez disso, depararam com um espetáculo: o leito coberto por uma quantidade absurda de ovos gigantes. E não eram fósseis. Estavam todos vivos.

A descoberta inesperada

A história começou como uma simples missão geológica. Uma equipe da agência de pesca e oceanos do Canadá, liderada pela bióloga marinha Cherisse Du Preez, foi explorar um vulcão submarino na costa da Ilha de Vancouver, no Pacífico.

Cena submarina mostra grandes raias camufladas entre rochas e organismos marinhos rosados no fundo do oceano.
Ovos de raias-de-águas-profundas cobrindo o topo do monte submarino NEPDEP 58, no Complexo Tuzo Wilson, no Pacífico canadense. Crédito: NEPDEP expedition partners / CSSF ROPOS.

A surpresa veio em dobro. Primeiro, descobriram que o vulcão, antes considerado extinto, ainda estava ativo, liberando água morna pelo fundo do mar. Depois, ao olhar o topo dele, encontraram o que ninguém esperava: um campo imenso de ovos espalhados por toda a superfície.

Quantos ovos havia ali

A quantidade é de impressionar. As estimativas falam em centenas de milhares de ovos, podendo chegar a cerca de um milhão. Como é impossível contar um por um no fundo do mar, os cientistas chegaram a esse número por mapeamento da área. De qualquer forma, é uma concentração jamais vista.

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Para comparar, um caso parecido descoberto perto das Ilhas Galápagos, em 2018, tinha apenas algumas dezenas de ovos. O berçário do vulcão canadense é gigantesco em relação a tudo que já se conhecia. Por isso a descoberta deixou os pesquisadores tão empolgados.

De quem são esses ovos

Os ovos pertencem a uma criatura rara e pouco conhecida: a raia-branca-do-Pacífico, cujo nome científico é Bathyraja spinosissima. É um animal aparentado dos tubarões e das raias, que vive nas profundezas frias do oceano e quase nunca é observado.

Os ovos chamam atenção pelo tamanho. Eles são enormes, podendo chegar a cerca de meio metro, com um formato que muitos compararam a um ravióli gigante. As fêmeas gastam muita energia para produzir esses ovos grandes, cheios de nutrientes, dando aos filhotes a melhor chance de sobreviver.

Como o vulcão virou uma incubadora

Aqui está a parte mais engenhosa da história. Por que tantas raias escolheriam justamente um vulcão para botar seus ovos? A resposta está no calor. O vulcão libera água morna por fontes no fundo do mar, e isso muda tudo para esses animais.

O vulcão que vira berçário

Toque nas setas e veja como o calor ajuda os filhotes

Etapa 1 de 4
🌋
Um vulcão “vivo”
O vulcão submarino, que parecia extinto, libera água morna pelo fundo do mar. Esse calor aquece a região gelada ao redor.
No frio do fundo do mar, um ovo leva até 4 anos para chocar. O calor do vulcão encurta essa espera.

No frio extremo das profundezas, o embrião de uma raia dessas pode levar até quatro anos para se desenvolver dentro do ovo. É um tempo enorme, em que o ovo fica vulnerável. O calor do vulcão funciona como uma incubadora natural, acelerando esse processo. Os benefícios são claros:

  • O calor encurta o longo tempo de gestação dos ovos
  • O desenvolvimento mais rápido aumenta a chance de sobrevivência
  • O topo do vulcão é um “jardim de coral”, com menos predadores
  • Os filhotes crescem num ambiente protegido antes de ir para o fundo

É uma estratégia de sobrevivência brilhante, aproveitando a geologia a favor da vida.

Uma cena nunca vista antes

A história ficou ainda melhor numa expedição posterior, em 2023, quando a equipe voltou ao local. Dessa vez, eles conseguiram registrar imagens de algo inédito: uma raia-branca-do-Pacífico botando um ovo ao vivo, no ambiente natural.

Nunca antes esse comportamento havia sido filmado na natureza. Foi a confirmação visual de que as raias usam mesmo o vulcão como maternidade. Como resumiu a pesquisadora, é um lugar muito especial em cima de outro lugar muito especial, juntando geologia rara e vida marinha num ponto só.

Por que isso é tão importante

Essa descoberta muda a forma como os cientistas entendem a vida nas profundezas. Ela mostra que ambientes considerados hostis, como vulcões submarinos, podem ser essenciais para a reprodução de certas espécies, funcionando como verdadeiros oásis de calor no frio do oceano.

Também acende um alerta de proteção. Como esse berçário é frágil e único, os pesquisadores pretendem monitorar a área de perto, protegendo o local de ameaças como a pesca excessiva. No fim, o achado é um lembrete de que o fundo do mar, longe de ser um deserto morto, guarda segredos vivos que ainda estamos só começando a entender.

Tags: descobertaOvosVulcão

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