O ouro que batizou Ouro Preto saía da terra coberto por uma camada escura de óxido de ferro, com tom acinzentado. Foi esse metal que ergueu, no século XVIII, a antiga Vila Rica, hoje um museu a céu aberto a 100 km de Belo Horizonte, na Serra do Espinhaço.
Por que Ouro Preto entrou na lista da UNESCO antes de qualquer cidade brasileira?
Ouro Preto foi a primeira cidade do país inscrita na Lista do Patrimônio Mundial, em 5 de setembro de 1980. O reconhecimento da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) veio por se tratar de um sítio urbano completo e pouco alterado, formado de modo espontâneo a partir da mineração.
Antes disso, a cidade já era Monumento Nacional desde 1933 e foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 1938. Em 1789, a antiga capital mineira foi palco da Inconfidência Mineira, movimento cujo mártir, Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, virou patrono cívico do Brasil. A herança rendeu nota máxima à cidade no programa ICMS Turismo do Governo de Minas.

O que ver no centro histórico tombado pela UNESCO
O coração da cidade é a Praça Tiradentes, cercada por dois marcos da arquitetura civil colonial. As atrações principais ficam a curtas distâncias umas das outras, entre ladeiras íngremes de paralelepípedo.
- Praça Tiradentes: ponto de partida de qualquer visita, com a estátua do mártir da Inconfidência e os casarões mais imponentes ao redor.
- Igreja de São Francisco de Assis: obra-prima do barroco brasileiro, com projeto, esculturas e talha do próprio Aleijadinho e teto pintado por Mestre Ataíde.
- Museu da Inconfidência: instalado na antiga Casa de Câmara e Cadeia, reúne documentos e peças do Brasil colônia e da Inconfidência Mineira.
- Casa da Ópera: inaugurada em 1770, é considerada a mais antiga casa de espetáculos em funcionamento das Américas.
- Basílica de Nossa Senhora do Pilar: conhecida pela talha dourada exuberante, um dos interiores mais ricos do barroco mineiro.

Como é descer 120 metros na maior mina de ouro aberta à visitação?
A descida acontece a bordo de um trolley, o mesmo carrinho usado pelos antigos mineradores, num trilho de 315 metros que chega a 120 metros de profundidade. A Mina da Passagem se autodeclara a maior mina de ouro aberta à visitação pública do mundo e fica no município vizinho de Mariana, a cerca de 11 km do centro de Ouro Preto.
Fundada por volta de 1719, estima-se que dela tenham saído mais de 35 toneladas de ouro até o fim da extração, em 1976. No ponto mais fundo, um lago de águas cristalinas se formou quando os túneis deixaram de ser bombeados e foram tomados pelos aquíferos. A temperatura permanece estável entre 17°C e 20°C o ano inteiro.
Quem quer conhecer as ladeiras históricas e descobrir atrações além do óbvio no berço da Inconfidência, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Traz o Passaporte, que conta com mais de 132 mil visualizações, onde os apresentadores mostram a gastronomia, os museus e as igrejas de Ouro Preto:
Quando o clima favorece a visita à cidade barroca?
O inverno seco, entre junho e agosto, é a melhor época para subir e descer as ladeiras sem chuva. No verão, as tardes costumam ter pancadas fortes, mas as manhãs ficam abertas.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Suba a serra e conheça Vila Rica
Ouro Preto guarda o maior conjunto barroco preservado do país, com igrejas douradas, minas históricas e ladeiras que contam três séculos de Brasil. Poucos lugares reúnem essa densidade de arte, história e aventura subterrânea no mesmo destino.
Você precisa subir a Serra do Espinhaço e caminhar por Ouro Preto, a cidade onde o Brasil ainda tem cheiro de ouro e de barroco.









