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Início Animais de Estimação

Este passarinho dorme voando e passa dias no céu sem quase tocar o chão

Laila Por Laila
14 março 2026 17:15
Em Animais de Estimação
O andorinhão-preto detém o recorde biológico mais impressionante do reino animal ao realizar todas as suas funções vitais em pleno voo, desafiando os limites da resistência física

O andorinhão-preto detém o recorde biológico mais impressionante do reino animal ao realizar todas as suas funções vitais em pleno voo, desafiando os limites da resistência física

Você já imaginou um passarinho capaz de passar quase um ano inteiro no ar sem nunca pousar? O andorinhão-preto detém o recorde biológico mais impressionante do reino animal ao realizar todas as suas funções vitais em pleno voo, desafiando os limites da resistência física.

O estudo científico que monitorou este passarinho por dez meses

Durante décadas, a biologia suspeitava dessa façanha, mas a prova definitiva surgiu apenas recentemente através de tecnologia avançada. Pesquisadores da Universidade de Lund publicaram no PubMed os resultados de geolocalizadores fixados em aves selvagens europeias, comprovando que o andorinhão permanece voando por mais de 99% do tempo.

A pesquisa revelou que alguns indivíduos nunca tocaram o solo durante todo o monitoramento de dez meses fora da temporada reprodutiva. Confira na tabela abaixo os recordes de voo ininterrupto documentados pela ciência em diferentes espécies de andorinhão:

Espécie observadaTempo de voo contínuo registradoReferência científica da descoberta
Andorinhão-preto (Apus apus)10 meses (mais de 300 dias)Universidade de Lund (2016)
Andorinhão-alpino (Apus melba)200 dias consecutivosNature Communications (2013)
Esse fenômeno permite que a ave desligue apenas metade do cérebro por vez, mantendo a outra parte ativa para controlar a estabilidade e a navegação em pleno movimento nas alturas

Leia também: Epicteto, filósofo grego, disse: “Primeiro diga a si mesmo quem você quer ser; depois, faça o que precisa ser feito”

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Como este passarinho consegue dormir durante o voo?

A resposta para esse mistério reside em um mecanismo neurológico fascinante conhecido como sono uni-hemisférico. Esse fenômeno permite que a ave desligue apenas metade do cérebro por vez, mantendo a outra parte ativa para controlar a estabilidade e a navegação em pleno movimento nas alturas.

Ao anoitecer, esses animais sobem a altitudes de até 2.000 metros para realizar voos em espiral lenta. Nesse período de repouso intermitente, a velocidade de cruzeiro cai para 20 km/h e os batimentos de asa são reduzidos, permitindo que o organismo recupere energias sem precisar de um ninho ou galho para pousar.

Coleta de materiais: apanha penas e palhas levadas pelo vento para estruturar o ninho no período de reprodução

A rotina completa que este passarinho realiza no ar

A especialização aérea do andorinhão-preto é tão profunda que a sua anatomia se adaptou para que quase nada exija o contato com a terra firme. A enciclopédia virtual Wikipedia explica que o nome do gênero Apus significa literalmente sem pés, devido às suas patas extremamente curtas.

Veja a lista de atividades vitais que o andorinhão executa enquanto navega pelas correntes de ar:

  • Alimentação contínua: captura insetos e pequenas aranhas suspensas no ar, mantendo uma dieta 100% aérea.
  • Hidratação rápida: coleta água da chuva ou faz rasantes em lagos para beber sem interromper o voo.
  • Coleta de materiais: apanha penas e palhas levadas pelo vento para estruturar o ninho no período de reprodução.
  • Migração extrema: percorre até 10.000 km da Europa ao sul da África quase sem realizar paradas técnicas.

A velocidade sustentada dessa ave é uma das maiores do mundo, atingindo até 110 km/h durante os deslocamentos migratórios. Para observar a incrível precisão desse caçador aéreo capturando presas em pleno movimento, selecionamos o conteúdo do canal Saber Atualizado, que educa quase 10 mil inscritos. No vídeo abaixo, você confere a dinâmica de captura em uma colônia urbana na França:

Por que o solo representa um grande perigo para este passarinho?

O preço da perfeição aerodinâmica foi a atrofia quase total dos membros inferiores, tornando a ave incapaz de caminhar ou saltar para decolar a partir de superfícies planas. Se um andorinhão-preto cai no chão acidentalmente, ele enfrenta uma dificuldade extrema para alçar voo novamente, ficando vulnerável a predadores.

A decolagem só é segura a partir de superfícies verticais, como troncos de árvores ou fendas em prédios históricos, onde a ave pode utilizar a queda livre para ganhar velocidade. Essa limitação física explica por que o animal evita o solo com tanta consistência, mantendo a sua vida protegida nas alturas do céu.

As ameaças climáticas que afetam a sobrevivência deste passarinho

Embora seja classificado globalmente como pouco preocupante, as populações europeias enfrentam um declínio visível nas últimas décadas. A redução drástica na disponibilidade de insetos voadores e as reformas em edifícios que eliminam locais de nidificação são os principais desafios para a conservação da espécie.

As mudanças climáticas também alteram as rotas migratórias e a oferta de alimento durante a travessia do Saara. Proteger o habitat desse ícone da avifauna é essencial para garantir que o céu continue abrigando o ser vivo que transformou o voo em uma forma permanente de existência biológica.

Tags: BiologiaNaturezavida animal

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