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Início Relatos e Histórias

Em 1979, um experimento de mineração em águas profundas no Pacífico alterou o fundo do mar — 44 anos depois, seu impacto ambiental ainda se revela

Gessika Julia Por Gessika Julia
20 março 2026 23:45
Em Relatos e Histórias
Em 1979, um experimento de mineração em águas profundas no Pacífico alterou o fundo do mar — 44 anos depois, seu impacto ambiental ainda se revela

Cicatrizes de mineração no fundo do mar permanecem intactas após quatro décadas

Imagine uma cicatriz no fundo do mar, deixada por uma máquina há mais de 40 anos, que ainda hoje continua visível. É isso que acontece na Zona Clarion-Clipperton, uma imensa área no Pacífico coberta por nódulos polimetálicos, onde um experimento feito em 1979 ainda revela como o oceano profundo reage quando sofre intervenções humanas em larga escala.

O que torna a Zona Clarion-Clipperton tão importante para a mineração em águas profundas?

A CCZ ocupa cerca de 6 milhões de quilômetros quadrados entre o Havaí e o México e concentra enormes quantidades de nódulos de manganês, apelidados de batatas-do-mar. Esses nódulos são ricos em níquel, cobalto e manganês, metais que ajudam a fabricar baterias, armazenar energia e sustentar a transição para fontes renováveis.

Por isso, empresas e governos veem a mineração em águas profundas como uma alternativa às minas em terra, que muitas vezes geram conflitos sociais e destruição de florestas. Ao mesmo tempo, cientistas alertam que o fundo do mar na CCZ abriga muitos animais ainda desconhecidos e que qualquer erro pode causar danos que demoram séculos para serem revertidos, especialmente em ecossistemas tão estáveis e de recuperação lenta.

Zona Clarion-Clipperton
Por isso, empresas e governos veem a mineração em águas profundas como uma alternativa às minas em terra. – Créditos: depositphotos.com / Ranimiro

A mineração em águas profundas deixa cicatrizes duradouras no fundo do mar?

Expedições recentes voltaram à área modificada em 1979 e encontraram as marcas das máquinas praticamente intactas. As trilhas no sedimento continuam nítidas, o que mostra que, naquela profundidade, o movimento natural de erosão e deposição é extremamente lento e não apaga os rastros com facilidade.

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  • Marcas físicas visíveis após mais de quatro décadas.
  • Alteração duradoura do relevo do leito marinho.
  • Perda da estrutura onde muitas espécies se fixam.
  • Risco de transformar grandes áreas em “desertos” submarinos.
mineração em águas profundas
Na área impactada, a vida está voltando, mas de forma desigual. – Créditos: depositphotos.com / [email protected]

Como a vida marinha reage à mineração em águas profundas ao longo do tempo?

Na área impactada, a vida está voltando, mas de forma desigual. Pequenos organismos móveis conseguem retornar em algumas décadas e já ocupam as trilhas de mineração, o que mostra uma certa capacidade de adaptação das espécies de menor porte, especialmente em grupos como alguns crustáceos e equinoides de profundidade.

Leia também: A pior epidemia marinha da década ameaça a vida nos oceanos

Em contraste, animais maiores e fixos, como algumas esponjas e corais de águas frias, quase não aparecem nas zonas diretamente perturbadas. Como crescem devagar e dependem da estrutura original do fundo, sua recuperação pode levar muito mais tempo, ou talvez nem acontecer completamente, especialmente se a atividade mineradora for repetida em intervalos curtos e em diferentes blocos da Zona Clarion-Clipperton.

Se você quer saber mais, separamos o vídeo do TikTok “@orbitatech” falando sobre essa curiosidade:

@orbitatech

O FUNDO DO MAR ESTÁ RESPIRANDO? 🌑⚡ (Oxigênio Negro) #oxigenionegro #misterio #thalassophobia #ciencia #curiosidades

♬ Spooky, quiet, scary atmosphere piano songs – Skittlegirl Sound

Quais são os principais desafios para avaliar o impacto da mineração?

Um grande desafio é transformar o que se observa em um único experimento em previsões para áreas imensas da CCZ. O teste de 1979 afetou uma área pequena, enquanto contratos comerciais podem envolver dezenas de milhares de quilômetros quadrados, com tipos de sedimento, correntes e comunidades marinhas bem diferentes.

Estudar o fundo do mar também é caro e complexo, o que limita a quantidade de dados disponíveis. Mesmo com robôs, mapas de alta resolução e novas tecnologias, ainda há muitas dúvidas sobre quanta biodiversidade pode ser perdida, quanto tempo a recuperação leva e como equilibrar a demanda por metais com a proteção da vida nos oceanos. Além disso, falta consenso internacional sobre regras claras de exploração e conservação na Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos, o que torna ainda mais urgente entender os impactos antes que a mineração em larga escala comece de fato.

Tags: experimento de mineraçãoPacíficoRelatos e Históriasvida marinha

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