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Início Curiosidades Históricas

Assentamento humano de 125 mil anos foi descoberto nos Emirados Árabes

Ellen Raquel Patriota Por Ellen Raquel Patriota
26 março 2026 21:05
Em Curiosidades Históricas
Assentamento humano de 125 mil anos foi descoberto nos Emirados Árabes

Sítio arqueológico em Sharjah revela ocupação humana há 125 mil anos

Um assentamento humano de 125.000 anos em Sharjah, no sítio arqueológico Buhais Rockshelter, redefine o conhecimento sobre a ocupação antiga no sudeste da Península Arábica. A nova pesquisa publicada na Nature Communications mostra que a região não foi apenas uma rota de passagem, mas um cenário de retorno e adaptação contínua de populações humanas ao longo de dezenas de milhares de anos.

  • Buhais Rockshelter em Sharjah revela fases de ocupação humana há cerca de 125.000, 59.000, 35.000 e 16.000 anos
  • Estudo arqueológico e paleoambiental derruba a ideia de que o sudeste da Arábia ficou desabitado entre 60.000 e 12.000 anos atrás
  • A região de Faya em Sharjah ganha destaque global nas pesquisas sobre migração humana, adaptação ao clima e evolução em ambientes áridos

O que o novo estudo em Buhais Rockshelter revela sobre a ocupação humana?

O sítio Buhais Rockshelter em Sharjah foi reavaliado por uma equipe internacional liderada por Elsa Yousif, da Sharjah Archaeology Authority, com colaboração de instituições da Alemanha e do Reino Unido. O estudo “Evidence from Buhais Rockshelter for human settlement in Arabia between 60,000 and 16,000 years ago” apresenta evidências sólidas de ocupações repetidas em quatro grandes períodos, integrando dados arqueológicos e ambientais.

A pesquisa identificou quatro fases principais de presença humana datadas de aproximadamente 125.000, 59.000, 35.000 e 15.000–16.000 anos atrás. Essas datas preenchem lacunas importantes no registro arqueológico do sudeste da Arábia, conectando melhor os movimentos entre África, Península Arábica e sudoeste da Ásia.

Sharjah
Camadas arqueológicas indicam ocupações repetidas em períodos diferentes.

Por que se pensava que o sudeste da Arábia estava desabitado no Paleolítico?

Durante décadas, o sudeste da Arábia foi visto como uma “zona vazia” entre 60.000 e 12.000 anos atrás, supostamente inabitável pela extrema aridez do último período glacial. Essa visão descrevia a área apenas como um corredor de passagem, usado pontualmente por grupos em migração, sem permanência mais longa ou reocupações planejadas.

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O novo estudo em Buhais Rockshelter desafia diretamente essa ideia ao mostrar retornos sucessivos ao mesmo abrigo em diferentes momentos climáticos. A evidência aponta para uma estratégia de adaptação refinada, em que grupos humanos voltavam ao local quando as condições ambientais e hídricas melhoravam.

Como os arqueólogos identificaram as fases de ocupação em Buhais?

O abrigo rochoso de Buhais desempenhou papel decisivo na preservação do registro graças à sua formação em rocha calcária, que acumulou sedimentos por milhares de anos. Essas camadas, com cerca de 1,7 metro de profundidade, guardam ferramentas de pedra em sequência estratificada, permitindo distinguir tecnologias do Paleolítico Médio e Superior.

Ao analisar essas camadas arqueológicas, os pesquisadores observaram conjuntos distintos de artefatos associados a diferentes períodos tecnológicos. Cada camada indica momentos separados de uso do abrigo, reforçando a ideia de ocupações recorrentes, e não de um assentamento contínuo e permanente.

Sharjah
Estudo desafia a ideia de que o deserto da Arábia ficou vazio por milênios.

Quais técnicas de datação foram usadas em Buhais Rockshelter?

Para estabelecer a idade das camadas de Buhais Rockshelter, a equipe utilizou principalmente datação por luminescência opticamente estimulada (LOE), que mede quando os grãos de sedimento foram expostos à luz solar pela última vez. Também são discutidas técnicas complementares, como termoluminescência, ESR e radiocarbono, essenciais em outros contextos arqueológicos.

Com a luminescência foi possível construir uma cronologia detalhada tanto para as ocupações humanas quanto para as mudanças ambientais registradas no sedimento. Esse registro raro documenta fases de maior umidade e períodos áridos, ligando diretamente presença humana a janelas climáticas mais favoráveis.

Leia também: Borrifar água com bicarbonato de sódio nas folhas do limoeiro: por que funciona?

Como o clima e a água influenciaram a ocupação humana em Buhais?

O estudo integra ferramentas de pedra e dados paleoambientais da paleopaisagem de Faya, indicando que as fases de ocupação coincidiram com períodos de maior precipitação e disponibilidade de água. Janelas climáticas mais úmidas favoreciam vegetação, fauna e a instalação de pequenos grupos móveis bem adaptados ao deserto.

É a primeira evidência clara na Arábia que liga diretamente o assentamento humano entre 60.000 e 16.000 anos atrás a condições ambientais específicas. Os dados mostram que as populações não estavam apenas atravessando a região, mas planejavam retornos, explorando recursos locais em ciclos de ocupação e abandono.

Qual o papel do sudeste da Arábia nas rotas de migração humana?

O sudeste da Arábia é há muito tempo considerado um possível corredor para a saída de humanos modernos da África rumo à Ásia, mas faltavam registros robustos de ocupações repetidas. Os achados de Buhais fornecem evidência empírica de que a região funcionou também como área de assentamento recorrente, não apenas como trajeto efêmero.

Em conjunto com os dados de Jebel Faya, que indicam atividade humana há mais de 200.000 anos, o novo estudo amplia o peso científico da paleopaisagem de Faya. Esse conjunto de sítios é hoje um dos registros mais importantes de ocupação antiga em ambientes áridos, conectando o Golfo, o deserto e rotas para o sudoeste da Ásia.

Por que Buhais Rockshelter é importante para entender a adaptação humana?

O registro contínuo de Buhais Rockshelter mostra que populações humanas foram capazes de retornar repetidamente a um ambiente árido, ajustando-se a variações climáticas ao longo de dezenas de milhares de anos. Isso reforça a ideia de uma adaptação antiga e complexa, baseada em conhecimento de território, água e ciclos ambientais.

Essa importância se reflete em diferentes dimensões científicas e de gestão do patrimônio, que ajudam a explicar por que Buhais se tornou um sítio de referência internacional:

  • A paleopaisagem de Faya consolida os Emirados Árabes Unidos como área-chave para entender migração, evolução e adaptação humanas em ambientes áridos
  • Buhais Rockshelter em Sharjah revela quatro grandes fases de ocupação humana, desde cerca de 125.000 até 16.000 anos atrás
  • A combinação de dados arqueológicos e ambientais mostra retornos ao sítio em períodos mais úmidos, desafiando a ideia de uma região desabitada

Leia também: A misteriosa marca vermelha encontrada em artefatos arqueológicos, com a ajuda do departamento de polícia forense no centro da Espanha

Quem liderou a pesquisa em Buhais e por que Sharjah se destaca?

O estudo em Buhais Rockshelter foi liderado pela Autoridade de Arqueologia de Sharjah, sob direção de Elsa Yousif e assessoramento do Dr Sabah Jasim, em parceria com universidades como Jena, Oxford Brookes, Tübingen e Freiburg. Essa colaboração reúne tecnologia avançada, trabalho de campo prolongado e forte compromisso local com o patrimônio.

Sharjah
Pesquisa liga fases úmidas do clima ao retorno de populações humanas.

Sharjah e os Emirados Árabes Unidos consolidam seu papel na arqueologia global ao investir em escavações, conservação e divulgação de sítios como Buhais e Jebel Faya. Esses projetos fortalecem também o turismo científico e a educação patrimonial, aproximando o público da pré-história da Península Arábica.

Tags: Assentamento humano de 125 mil anoscuriosidades históricasdescobertaemirados árabes unidos

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