publicidade
Política

Presidente de associação relata abusos contra presos do 8 de janeiro

Em 2023, o grupo protocolou mais de 100 relatos de violações na Comissão Interamericana de Direitos Humanos

8 de janeiro
A Argentina também mantém detidos alguns dos presos políticos, com cinco pessoas encarceradas no país | Foto: Reprodução/Redes sociais

A Associação dos Familiares e Vítimas do 8 de Janeiro (Asfav) entregou à oposição da Câmara dos Deputados um dossiê sobre abusos cometidos contra os envolvidos nas manifestações na Praça dos Três Poderes.

O material inclui 59 ofícios enviados pela Asfav a órgãos governamentais e entidades de defesa dos direitos humanos. Nos documentos, o grupo denuncia tentativas de suicídio, condições precárias de alimentação e serviços sanitários para os presos do 8 de janeiro.

Receba nossas atualizações

+ Leia mais notícias de Política em Oeste

“São frequentes as reclamações referentes a comida estragada, azeda, e houve casos de até com larvas”, informou a Asfav. “Tais reclamações são recorrentes no Sistema Penitenciário dos Distrito Federal, ou seja, não é mero capricho das pessoas presas em 8 de janeiro.”

Em entrevista à edição desta terça-feira, 4, do Oeste sem Filtro, a advogada Gabriela Ritter, presidente da Asfav, afirmou que mais de 2 mil pessoas, incluindo idosos acima de 70 anos, estão em circunstâncias atrozes.  

Gabriela explica que o governo destinou uma cela específica para idosos, com capacidade máxima para 18 ocupantes. No entanto, o local abriga 41 pessoas, incluindo idosos com problemas cardíacos e outras condições de saúde.

A Argentina também mantém detidos alguns dos presos políticos, com cinco pessoas encarceradas no país. Entre elas, Ana Paula se destaca por sofrer de uma doença autoimune e não ter recebido a medicação necessária.

Associação denúncia Moraes na OAB

Gabriela afirma ter buscado a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para tratar das violações cometidas pelo governo brasileiro. Entretanto, segundo ela, a entidade não ofereceu um posicionamento concreto sobre o caso.

“Em relação às violações das prerrogativas de advogados, recorremos ao Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, ao qual já apelamos inúmeras vezes”, disse a advogada. “Recebemos as notas padrão deles, dizendo que mantêm o diálogo. No entanto, esse diálogo não leva a lugar algum.”  

Além disso, a Asfav busca incluir o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no Cadastro Nacional de Violadores de Prerrogativas da Advocacia, registro sigiloso acessível apenas à OAB.

+ Leia também: “Vídeo: as presas do 8 de janeiro ainda estão aqui”

“Estamos lutando para que o ministro Alexandre de Moraes seja incluído no Cadastro Nacional de Violadores de Prerrogativas da Advocacia”, informou Gabriela. “Já iniciamos o trâmite e aguardamos a inclusão dele. Estamos fazendo todo o possível dentro do nosso alcance.”

Asfav aposta em auxílio internacional

Em 2023, o grupo, ao lado de 12 advogados, protocolou mais de cem denúncias de abusos e violações na Comissão Interamericana de Direitos Humanos. Gabriela alega que a ação despertou o interesse de políticos nos Estados Unidos.

“A partir disso, surgiram alguns contatos com parlamentares norte-americanos, aos quais entregamos documentos em inglês”, disse Gabriela. “Na semana passada, estivemos no CPAC, onde conversamos com integrantes do governo dos EUA.”

A Asfav tem “expectativa de que seja criada uma comissão externa para verificar” as denúncias. Segundo a advogada, o grupo já fez “todo o possível” dentro da legislação brasileira.

Manifestações por anistia têm apoio da Asfav

Na quarta-feira 26, o ex-presidente Jair Bolsonaro convocou manifestações em defesa da anistia aos presos do 8 de janeiro e da liberdade de expressão. Os atos ocorrerão na Praia de Copacabana, em 16 de março, e na Avenida Paulista, em 6 de abril.

Indagada sobre o apoio da Asfav às manifestações convocadas por Bolsonaro, Ritter pondera que os atos podem ajudar nas demandas do grupo.

+ “Bolsonaro convoca manifestações pela defesa da anistia aos presos do 8 de janeiro”

Contudo, segundo ela, a realidade é que a Asfav precisa se contentar com a anistia, já que, na verdade, gostaria que o cenário fosse mais favorável à anulação dos processos.

“Nosso foco está nas manifestações, e procuramos participar de todas”, ponderou Gabriela. “Infelizmente, nossa pauta é a anistia, pois gostaríamos muito que houvesse a anulação desses processos, mas isso não é uma realidade no Brasil atualmente. No entanto, o que temos por ora é a anistia, e estaremos participando da manifestação.”

0 comentários
Nenhum comentário para este artigo, seja o primeiro.
Canal Oeste
Nossos colunistas
Foto do autor J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Foto do autor Augusto Nunes
Augusto Nunes
Foto do autor Ana Paula Henkel
Ana Paula Henkel
Foto do autor Guilherme Fiuza
Guilherme Fiuza
Foto do autor Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino
Foto do autor Alexandre Garcia
Alexandre Garcia
Foto do autor Antonio Cabrera
Antonio Cabrera
Foto do autor Eugênio Esber
Eugênio Esber
Foto do autor Evaristo de Miranda
Evaristo de Miranda
Foto do autor Flávio Gordon
Flávio Gordon
Foto do autor Roberto Motta
Roberto Motta
Foto do autor Miriam Sanger
Miriam Sanger
Foto do autor Adalberto Piotto
Adalberto Piotto
Foto do autor Frank Furedi, da Spiked
Frank Furedi, da Spiked
Foto do autor Jeffrey A. Tucker.
Jeffrey A. Tucker.
Foto do autor Theodore Dalrymple
Theodore Dalrymple
Foto do autor Flavio Morgenstern
Flavio Morgenstern
Foto do autor Ubiratan Jorge Iorio
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
publicidade