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Foto: Montagem Revista Oeste/Shutterstock/IA
Edição 258

Bandidobras: a única estatal que funciona

A crise dos presídios é estimulada pelas mesmas entidades que reclamam da superlotação das prisões. Se houvesse vagas suficientes, que desculpa haveria para soltar bandidos?

Roberto Motta
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O Estado brasileiro é incansável na defesa de criminosos. Essa é única estatal que funciona: a Bandidos do Brasil S.A. — a Bandidobras. Ela acaba de lançar o programa “pena justa”. O nome é uma ironia. Na verdade, o objetivo do projeto é melhorar as condições dos presídios, suavizar o cumprimento das penas e até criar cotas obrigatórias de recrutamento de criminosos por empresas que prestam serviço ao governo.

O governo deveria melhorar as condições das favelas, onde vive boa parte do povo. Mas, graças à Bandidobras, as favelas brasileiras foram entregues ao controle das facções do narcotráfico. O Estado também entregou às mesmas facções o controle dos presídios. A pergunta agora é: quem está controlando o Estado?

A Bandidobras chamou o programa de “pena justa”. Na verdade, ele deveria se chamar “saia justa”. É fácil entender por quê. Estamos no ano 2025; já se passaram 25 anos desde a virada de século. Nesse período o PT ocupou o governo federal por 18 anos. Ou seja: quase tudo que você vê à sua volta é fruto desses governos petistas. Um bandido com menos de 25 anos teve toda a sua educação, formação moral e treinamento feitos sob o petismo.

Dilma Rousseff, Michel Temer e Lula, na convenção nacional do PT que confirmou a candidatura da ex-ministra à Presidência da República (13/6/2010) | Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Os presídios brasileiros de hoje são herança dos governos do PT. Esses governos preferiram construir estádios de futebol e arenas olímpicas faraônicas. Os governos do PT gastaram quase R$ 100 bilhões para realizar no Brasil a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016. Outros R$ 100 bilhões foram gastos em uma única refinaria, Abreu e Lima (a refinaria ainda não está pronta).

O que seria possível fazer com R$ 100 bilhões? Tomando como base um custo estimado de R$ 122 mil por preso para construir uma vaga padrão ONU (esse valor é a atualização, para dinheiro de hoje, de uma informação que eu obtive em 2019), com R$ 100 bilhões seria possível construir 819 mil vagas para criminosos. É suficiente para acomodar muito bem todos os presos atuais e ainda deixar bastante espaço livre para os criminosos que ainda precisam ser presos. Com R$ 100 bilhões se constrói um sistema penitenciário totalmente novo.

Por que não se faz isso? Porque a crise dos presídios é fruto de decisões políticas. A crise dos presídios é estimulada pelas mesmas entidades que reclamam da superlotação das prisões. Se houvesse vagas suficientes, que desculpa haveria para soltar bandidos?

Foto: Kittirat Roekburi/Shutterstock

O discurso oficial da Bandidobras é uma mistura de ideologia com mentiras. Nada se sustenta, a não ser por meio da força, do ativismo judicial ou do dinheiro público que inunda a maioria da mídia. Os números estão à mão: entre 2003 e 2016 o governo federal foi ocupado pelo PT. Esse foi um período em que foram aprovadas inúmeras leis descriminalizando condutas e criando benefícios para quem comete crimes. Criminosos hediondos ganharam direito à progressão de regime. Foi criada a figura do tráfico privilegiado. Acabou a pena de prisão para usuários de maconha. Medida após medida foi tomada para reduzir a possibilidade de prisões e para diminuir o tempo que os criminosos passam na cadeia. Mas preste atenção no que aconteceu.

Em 2003, quando o PT assumiu o primeiro governo, o Brasil tinha 240 mil criminosos presos. Em 2016, quando a “presidenta” sofreu impeachment, o Brasil já tinha 720 mil criminosos presos (dados da Secretaria Nacional de Políticas Penais). Apesar das inúmeras modificações nas leis e na sua aplicação para suavizar penas e descriminalizar condutas, o número de criminosos presos foi multiplicado por três nos governos do PT. Isso aconteceu ao mesmo tempo que todos os índices de criminalidade explodiram: nesse período, 875 mil pessoas foram assassinadas no país. A conclusão é óbvia: a suavização da legislação penal serviu como um estímulo tão forte aos criminosos que, diante do dilúvio de crimes, nem o PT conseguiu impedir o crescimento do número de bandidos presos. É essa receita que a Bandidobras tenta repetir agora.

O bandido brasileiro entende como funciona o sistema de incentivos da Bandidobras. Se cometer um crime, ele provavelmente não será identificado (apenas 8% dos homicídios e 2% dos assaltos têm seus autores esclarecidos). Se for identificado, provavelmente não ficará preso (conforme declaração orgulhosa do ministro da Justiça, 40% dos criminosos presos pela polícia são soltos na audiência de custódia). Se ficar preso, não será por muito tempo (os torturadores e assassinos do jornalista Tim Lopes ficaram presos apenas cinco e sete anos, respectivamente, antes de ganharem o benefício da “progressão de regime” e fugirem).

Tânia Lopes, irmã do jornalista Tim Lopes, durante ato na Praia de Copacabana, em memória aos 15 anos da morte dele | Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Quanto às penas no Brasil serem ou não justas, perguntem à Bandidobras sobre Débora Rodrigues dos Santos, a cabeleireira condenada a 17 anos de prisão por escrever com batom em uma estátua estatal, ou sobre Vitor Medrado, de 46 anos, o ciclista que foi executado em São Paulo por causa de um celular.

Leia também “A USAID e os ativistas de aluguel”

11 comentários
  1. Lauro Patzer
    Lauro Patzer

    Uma perfeita análise da bandidolatria cultivada pela esquerda, que, segundo Motta, conseguiu chegar à Bandidobras. Excelente conceito, a Bandidobras corre paralela com o Estado brasileiro. A Bandidobras inteirinha votou em quem? Nele, é claro. O corrupto foi solto por aqueles que também defendem a Bandidobras. O mesmo que deu o canetaço para soltar o LL é o mesmo que proibiu à Polícia subir ao morro sem o aviso prévio. Que proibiu o sobrevoo de helicóptero. Quem é que pode duvidar que a Bandidobras não tenha um representante nos mais altos escalões? Pensem um pouco…

  2. Luiz Fraga
    Luiz Fraga

    Este país, consequência de um processo de colonização nefasto e da maldita ideologia marxista, parece mesmo destinado ao fracasso.

  3. Paulo César da Conceição
    Paulo César da Conceição

    Obrigado pelo artigo Mota. Mostra as entranhas maldosas do Lulo petismo. Raça do capeta.

  4. Marta Cardoso
    Marta Cardoso

    Que excelente artigo!

  5. Adilson Batista
    Adilson Batista

    Excelente materia! Se o Brasil continuar a suavizar a vida de criminosos, logo eles tomarão todos os estados! Eles já tomaram alguns!

  6. DONIZETE LOURENCO
    DONIZETE LOURENCO

    O sistema judiciário e o prisional faliram no Brasil. O preso custa muito caro para a sociedade.
    Penso que as unidades prisionais deveriam ser privatizadas com o Estado tratando do combate ao crime através de legislações que atendam aos anseios da população.
    Para autores de crimes hediondos e criminosos contumazes a prisão perpétua pode ser uma solução.
    Hoje o que temos é a polícia prendendo e a “justiça” soltando nas audiências de custódia que é uma jabuticaba brasileira.

  7. Erasmo Silvestre da Silva
    Erasmo Silvestre da Silva

    Já passou da hora de acabar com toda essa política surrealista. Reforma geral

  8. Candido Andre Sampaio Toledo Cabral
    Candido Andre Sampaio Toledo Cabral

    Sou a favor de pena de morte para bandido com diversas passagens na criminalidade. Este não tem mais jeito. Só assim é possível fazer uma “limpa” nos presídios e então poder efetivamente reeducar os presidiários.

  9. Thais de MORAES Machado Suppo Bojlesen
    Thais de MORAES Machado Suppo Bojlesen

    Motta, como podemos esperar penas justas para criminosos se o nosso Desgoverno é composto de bandidos? No Brasil, de hoje, só inocentes são severamente punidos.

  10. Celso Ricardo Kfouri Caetano
    Celso Ricardo Kfouri Caetano

    Motta, para variar excelente em seus artigos e comentários que assisto também nos Pingos Nos IS junto com Luis Felipe Dávila e Beraldo. Só uma questão que me chamou a atenção dias atrás para não mencionar tantas outras que vemos no dia-a-dia: um camarada salvo engano em uma cidade do interior de SP matou a mulher com treze golpes de faca em frente dos filhos, covardemente se evadiu apresentando-se dois dias depois após, passado o flagrante: conclusão prestou depoimento e foi liberado para responder em liberdade o andamento do processo. Na minha juventude que já se foi há tempo não acontecia esse tipo de covardia e se na eventualidade de que viesse a ocorrer a pena seria bem pesada.

  11. fabio de souza arcas
    fabio de souza arcas

    Mais um texto que revela o conhecimento do Roberto Motta sobre o tema segurança pública,este sim escreve com propriedade. Não é o chamado ” especialista de ar condicionado”.

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