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Desfile de corso carnavalesco na Avenida Rio Branco, no Rio de Janeiro, em 1928 | Foto: Guilherme Santos/Acervo IMS
Edição 258

Imagem da Semana: os corsos

Muito antes dos bloquinhos de Carnaval, o corso era a mais popular brincadeira de rua em algumas cidades do Brasil, principalmente no início do século 20

Daniela Giorno
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Confetes, serpentinas e sprays de lança-perfume se espalhavam pelo ar à medida que foliões desfilavam pelas ruas em carros conversíveis inteiramente ornamentados. Assim eram os corsos: os eventos de Carnaval muito populares na primeira década do século 20.

A brincadeira — em sua maioria formada pelas elites que possuíam ou alugavam carros — tinha origem em um sofisticado Carnaval da virada do século europeu. A principal inspiração era a batalha de flores que acontecia na cidade de Nice, no sul da França.

Corso em Aix-en-Provence, na França, em 1908 | Foto: Wikimedia Commons

Antes do surgimento dos automóveis, o desfile de corsos já existia em cidades como Recife e Olinda, onde era composto de carros puxados a cavalo, tais como cabriolés, aranhas (carruagens leves de duas rodas), charretes, entre outros modelos. 

Até a década de 1960, a brincadeira podia ser observada em algumas cidades do Brasil, mas no Rio de Janeiro ela foi mais difundida. Os corsos chegavam a ocupar os três dias de folia. Na noite de segunda-feira, abriam espaço em horários predeterminados para os grupos populares, chamados genericamente de ranchos, e, na noite da terça-feira gorda, para as grandes sociedades.

O declínio gradativo dos corsos no Rio de Janeiro teve início depois da organização oficial do Carnaval carioca, em 1932, e também com a diminuição da fabricação de carros abertos ou conversíveis com capotas de lona. Outra razão que pode ter inibido a brincadeira foi a permissão pela polícia de caminhões enfeitados carregando os foliões na carroceria.

Algumas cidades do país ainda mantêm a tradição, como Teresina, no Piauí, onde acontece o maior desfile do gênero no mundo. No entanto, a prefeitura da cidade informou que neste ano não financiará a festa de Carnaval e do corso por dificuldades orçamentárias.

Confira algumas imagens desse animado evento:

Corso carnavalesco em 1907, em frente à Praça Cinelândia, onde se vê o pórtico que fica ao lado do antigo prédio do Supremo Tribunal Federal, um pouco antes da Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro | Foto: Reprodução
Outro corso de Carnaval de 1907, quando a aristocracia desfilava em carros abertos pela Avenida Central (atual Avenida Rio Branco) e pela Avenida Beira-Mar, ambas recém-abertas durante a modernização da antiga capital federal | Foto: Reprodução
Desfile de corso nas ruas do Rio de Janeiro, em 1917 | Foto: Augusto Malta/Acervo IMS
Desfile de corso na Avenida Rio Branco, no Rio de Janeiro, em 1919 | Foto: Augusto Malta/Acervo IMS
Rio de Janeiro, 1928 | Foto: Guilherme Santos/Acervo IMS
Desfile na Avenida Rio Branco, em 1949, no Rio de Janeiro | Foto: José Medeiros/Acervo IMS.
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Daniela Giorno é diretora de arte de Oeste e, a cada edição, seleciona uma imagem relevante na semana. São fotografias esteticamente interessantes, clássicas ou que simplesmente merecem ser vistas, revistas ou conhecidas.

Leia também “A Batalha de Eniwetok”

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