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Lula e Janja, durante Caminhada do Dois de Julho, em Salvador | Foto: Ricardo Stuckert/PR
Edição 277

Os ricos do PT

Com o advento das redes sociais, que o partido quer censurar, ficou bem mais fácil escancarar a hipocrisia do discurso populista

Com crescente perda de popularidade e derrotas acumuladas no Congresso, o governo petista resolveu apostar pesado na velha e surrada retórica dos ricos contra pobres. Dividir para conquistar, a velha tática que não caduca. Jogar uns contra os outros sempre foi a estratégia petista, mas cada vez surte menos efeito. Afinal, com o advento das redes sociais, que o partido quer censurar, ficou bem mais fácil escancarar a hipocrisia desse discurso populista.

O PT adora bilionários! E, vale notar, vários bilionários adoram o petismo. Eles se lambuzam em subsídios do BNDES, desfrutam de barreiras protecionistas, recebem polpudas verbas públicas para obras ou recursos do Estado para propaganda, isso sem falar dos bancos que mais lucram durante justamente o governo do “pai dos pobres”. Nem precisei mencionar os ricaços gringos, como George Soros. A revolta contra os ricos, portanto, é seletiva.

Fachada do BNDES
O PT adora bilionários. Eles se lambuzam em subsídios do BNDES | Foto: Divulgação/CNI

No fundo, o que petista não gosta é de gente independente, que não deve favores ao PT, que não ficou rica por causa da simbiose com o partido nesse “capitalismo de laços”. É por isso que a classe média trabalhadora, mais do que os ricos, desperta certa ojeriza na turma petista. “Eu odeio a classe média”, resumiu uma filósofa petista, para risos de Lula. São os “fascistas” que precisam ser exterminados. O discurso mira os “mais ricos”, mas o alvo concreto é a turma do meio.

Nesse clima de campanha demagógica contra os “ricos”, eis que uma bolsa de grife virou motivo para que petistas pedissem até guilhotina para uma criança! E não era metáfora: o tal professor da Federal tem verdadeira tara pelo instrumento usado pelos jacobinos para degolar milhares de pessoas cujo “crime” foi discordar da revolução. Só uma alma muito ressentida e amargurada pode se portar dessa maneira.

Foto: Reprodução/Redes Sociais

Mas há um verniz ideológico que explica, em parte, tal postura abjeta: os socialistas odeiam a riqueza dos empreendedores independentes, enquanto enaltecem os sinais de riqueza da própria casta esquerdista, desde que essa turma continue falando em nome da “igualdade”. Isso porque o socialismo nada mais é do que uma idealização da inveja. Quem explicou bem o fenômeno foi Bertrand de Jouvenel:

“A ingrata brutalidade dos reis em direção aos financiadores que os ajudaram sempre ganhou os aplausos populares. Isso talvez esteja relacionado ao profundo sentimento de que indivíduos não têm direito de serem ricos por eles mesmos e para eles mesmos, enquanto a riqueza dos governantes é uma forma de gratificação pessoal para as pessoas que pensam neles como o ‘meu’ governante.”

Em The Ethics of Redistribution, Jouvenel mostra com sólidos argumentos como a inveja pode estar por trás das políticas de redistribuição de renda por meio do aparato estatal. Ele cita um exemplo dos comunistas franceses que deram caros presentes para seu líder, aparentemente indo contra os próprios valores comunistas, explicando que as pessoas têm sido mais generosas com aqueles que julgam melhores e com seus líderes.

O burguês apresentaria duas convicções básicas que diferem desse sentimento popular: sente que não deve sua riqueza a favores e se considera livre para gastá-la consigo mesmo, da forma que preferir, normalmente secreta. É precisamente o reverso da atitude que justificaria uma renda excepcional sob a ótica popular. O povo esquerdista quer sentir que essa renda é um presente dele, e quer demandar que os beneficiários façam um espetáculo de gala. Tipo Janja esbanjando por aí…

Por isso que o empresário que compra um iate é menosprezado, enquanto um presidente que vive no luxo, com roupas caras feitas de tecido egípcio, carro próprio para a cadela e viagens com avião novo, é admirado. Mesmo que seja um ex-operário eleito com o discurso de redução da desigualdade material. Lula e Janja, milionários, podem viver como nababos, sem jamais terem produzido um emprego na vida. Mas o empresário que não vota no PT…

O livro de Jouvenel enfoca tanto a questão moral como os resultados das políticas de redistribuição de renda. O autor mostra como a iniciativa privada é afetada em diversos campos da vida social, podendo levar à destruição do homem independente e ao enfraquecimento da sociedade civil. As medidas de redistribuição de renda não têm como evitar a expansão burocrática e seus poderes discricionários, tornando praticamente impossível a reconciliação com o império da lei, fundamental para uma sociedade livre.

Capa do livro A Ética da Redistribuição, de Bertrand de Jouvenel | Foto: Divulgação

Hayek focou bastante a questão do conhecimento limitado das autoridades. Como saber quanto da renda de alguém veio da pura sorte, do acaso, do mérito, do esforço ou da inteligência? Seria justo alguém ser rico por pura sorte? Mas ora, seria justo, da mesma maneira, alguém já nascer bonito, com genes bons, com voz possante, ou numa família rica? Os igualitários pretendem, num complexo de deus onisciente, solucionar o que seria uma “injustiça” cósmica. Moldariam a sociedade de acordo com um padrão pessoal de justiça, dando total ênfase à questão material apenas.

A redistribuição começou com um sentimento de que alguns possuem muito pouco, e outros, muito. Tirar desses que têm muito para dar aos que têm pouco seria vantajoso e “justo”, com justiça aqui significando apenas uma emoção arbitrária sobre um padrão pessoal de distribuição de riquezas. Na prática, é inviável executar essa redistribuição de renda tirando somente dos realmente ricos. Deixando de lado a injustiça em discriminar os mais ricos, ferindo a isonomia de tratamento, tal medida é totalmente ineficaz. Acaba que a classe média tem que ser vítima também. No fundo, quem ganha são os burocratas do Estado. Ocorre uma transferência de renda de todos para o governo. A centralização é o resultado inevitável das políticas de redistribuição.

A consequência é um enorme avanço do papel estatal na economia, ameaçando as liberdades individuais. Marx sabia disso, e defendeu um imposto bastante progressivo como meio para o proletariado tomar, pela via política, todo o capital da burguesia, centralizando todos os instrumentos de produção nas mãos do Estado. Na prática, eis a meta do PT.

Leia também “O legado da Independência americana”

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5 comentários
  1. R.F. Nobre
    R.F. Nobre

    Pois é, quem mantem o pt no poder são os eleitores mal informados e os mal intencionados e pior, os mesmos dão poder para quem não tem voto como p/ex., stf, ministros de estado (38 ministérios para que?).

  2. Candido Andre Sampaio Toledo Cabral
    Candido Andre Sampaio Toledo Cabral

    Caso o intuito fosse realmente prover mais a quem precisa, o Estado reduziria impostos, como por exemplo o que ele abocanha da folha de pagamento travestido de bondades, como FGTS, INSS, etc.
    Isto sim, seria mais dinheiro a quem mais precisa.
    Mas não, o que a esquerda sempre prega, é que ele (Estado) fique como intermediador, quando na verdade vira saqueador.

  3. Osmair Mendonça
    Osmair Mendonça

    E o que fazer com as fazendas dos moluscos filhos no MT e em TO?

  4. Antonio Carlos Neves
    Antonio Carlos Neves

    Pois é Constantino, alguém sabe o verdadeiro patrimônio de Lula e filhotes e qual a origem dessa riqueza? Foram derivados do trabalho e tributados?.
    Constantino, parabéns pelas manifestações e muita saúde.

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