Na noite de quarta-feira, 251 deputados leais a seus mandantes-eleitores mandaram para o arquivo a medida provisória que pretendia tirar R$ 17 bilhões dos pagadores de impostos. Do lado oposto, 193 deputados foram voto vencido a favor do cobrador de impostos e contra seus eleitores-mandantes-pagadores de impostos. Paulo Guedes nunca chamou os pagadores de impostos de contribuintes. Ele esclarecia que “contribuinte” implica espontaneidade — e ninguém paga imposto por iniciativa própria, mas porque é obrigado por lei, ante a promessa de retribuição dos governos com bons serviços públicos.
A mídia que salda suas folhas de pagamento com propaganda do governo chama o aumento de impostos de “equilíbrio fiscal”, “aumento de arrecadação”, “elevar o caixa do governo”; o déficit previsto em R$ 46 bilhões é chamado de “impasse” — são manchetes dos principais jornais no dia seguinte à derrubada da MP — eufemismos para atenuar a percepção do tamanho da gula do cobrador de impostos, que cada vez gasta mais em caridade com o dinheiro vindo de uma parte cada vez maior do trabalho dos pagadores de impostos.

Vamos aproveitar eufemismos e chamar de caridade o que o governo faz com parte da mídia quando paga pela publicação de platitudes, como “O Brasil é dos Brasileiros”. A mídia que se submete a isso abre mão dos princípios do jornalismo e fica ao lado do cobrador de impostos e não do leitor, telespectador, ouvinte, que lhe dá a audiência que a torna importante, relevante. Ela se encaixa perfeitamente na constatação de Millôr Fernandes: “Jornalismo é oposição; o resto é armazém de secos e molhados.” Falo da mídia, mas os impostos também vão para influenciadores e artistas. Fazem parte da propaganda de um governo que, desde o primeiro dia, não saiu do palanque eleitoral.
O próprio Lula já afirmou, em discurso, que o eleitor do PT ganha até dois salários mínimos. Reclamou que, quando ganha R$ 8 mil, já não vota no PT. A consequência dessa constatação exige manter a pessoa pobre e dependente de auxílios do governo, usando os impostos de todos. Pobreza garante voto. Então, é melhor que a família não possa pagar um botijão de gás, para que o governo o dê para 15 milhões. Ou que o pagador de impostos seja oprimido para sustentar a eletricidade de 17 milhões de casas. O Bolsa Família é tão gigantesco que está faltando mão de obra; para que trabalhar? E ainda prometem transporte público gratuito, isto é, sustentado pelos pagadores de impostos. Ou seja, imposto vai para a compra de votos, em última análise. O Código Eleitoral, no art. 299, considera crime a doação de dinheiro em troca de voto. O cruel é que metade dos pobres não tem esgoto — para investir em saneamento básico, não há dinheiro do imposto.
🚩 Na Conferência Eleitoral do PT (09/12/23), Lula insinua que se o povo ganhar mais que “cinco” salários já não vota no PT”… Pergunto: Então o que se pode esperar dessa mesma esquerda: que ela promova pobres à classe média, ou pobre deve continuar pobre? pic.twitter.com/mLgHHoLVWn
— Advogados de Direita Brasil®️ (@movadvdireitabr) December 10, 2023
Demagogos falam muito em justiça fiscal. Será justo que o brasileiro trabalhe tanto para comprar, enfim, um carro zero quilômetro, mas pague R$ 100 mil pelo veículo, e quase metade do que paga é do governo? Até o “trabalhador” de pequenos furtos, quando toma uma cervejinha, mais da metade do que paga (com o dinheiro dos outros), vai para o governo. O governo é sócio de todo trabalho, de toda produção, de toda atividade individual e econômica. Fica devedor de serviços. Que serviços presta? Segurança, justiça? Ensino, saúde? Estradas, esgoto? Ou desvia recursos para propaganda e benefícios dentro e fora da folha estatal?
Administrar é gerenciar a escassez. Na abundância, nem precisa administrar. O Chefe do Governo quer o conforto da abundância. Como ela não existe, porque a produtividade é baixa por falta de qualificação, ele manda os coletores do feudo para arrecadar dos vassalos impostos que sustentem a Corte. Para se mostrar generoso, pratica a caridade, cultiva e estimula dependentes para assegurar os votos que garantem o poder. É um círculo vicioso que vai acabar mal. Tudo pelo social. Mas o socialismo dura até acabar o dinheiro dos outros, como alertou a senhora Thatcher. E mais imposto no Brasil passa do topo da Curva de Lafer. Quando chega a um ponto insuportável, até a produção cai e gera menos imposto. A indústria brasileira, cansada, vai para o Paraguai, pagar imposto mínimo e dar emprego por lá. Isso sem contar com o canto da sereia de Trump, que quer atrair investidores e indústrias com segurança jurídica e menos impostos.
A propaganda enganosa e a mídia que noticia ficções podem enganar muita gente por um bom tempo, mas não todos o tempo todo. Essa audiência, esse pagador de impostos, esse eleitor não são apenas a origem do poder, como atesta a Constituição, mas também os donos dos governos, dos eleitos, da mídia. Um dia vão perceber isso. Perceber que, se pararem de dar audiência, se não votarem nos atuais mandatários, se não pagarem impostos, mídia, eleitos e governos ficarão prostrados, sem o almoço, que nunca é grátis. Aí, caímos na justiça social da democracia.
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Simples assim. Nem precisa desenhar.
O senhor tem uma extraordinária capacidade de síntese. Admiro como consegue resumir toda uma complexidade conjuntural com poucas (mas, diretas palavras). Parabéns e obrigado, Alexandre!
O Zaqueu brasileiro, Fernando Hadad, incompetente Ministro da Economia do incompetente governo Lula 3 nunca apresentou qualquer proposta ao país a não ser aumento de arrecadação.
Qualquer família adapta seus gastos a sua receita, mas no caso brasileiro prevalece a estupidez do “gasto é vida!.
impressionante Sr Alexandre como o governo gasta mal, deverá arrecadar mais 3 trilhoes de reais ate o final do ano de 2025, e fica chorando por 17 bilhões, é pura incompentencia….